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O pai expulsa o filho de casa por não aceitar a sua orientação sexual. Vinte anos depois eles se reencontram; o filho agora é uma drag queen e eles têm o tempo de uma vela se consumir para acertarem as diferenças. O espetáculo A Vela, escrito por Raphael Gama e com direção de Elias Andreato, traz os atores Herson Capri e Leandro Luna, interpretando pai e filho, respectivamente.

A peça volta em cartaz nos dias 2 e 3 de outubro, com transmissão gratuita pelo Teatro Vivo em Casa. Em seguida, A Vela terá 12 sessões em temporada on-line, de 22 de outubro a 14 de novembro, sextas e sábados, às 20h e domingos, às 19h, via Eventim.

Leandro Luna intepreta a drag queen Emma Bovary e Herson Capri o seu pai, Gracindo (Divulgação/ Caio Gallucci).

No espetáculo, o professor aposentado Gracindo, interpretado por Herson Capri, decide morar em um asilo, por conta própria, depois de ficar sozinho após o falecimento de sua esposa. Ele rompeu relações com o filho há muito tempo, quando descobriu sobre sua orientação sexual, o expulsando de casa.

Prestes a se mudar, Gracindo precisa empacotar suas coisas e acaba revirando seu passado. A falta de luz obriga o professor a usar uma vela. Sem esperar, quem chega para a mudança é Cadú, agora Emma Bovary – seu filho drag queen que retorna para tentar as pazes com o pai e entender o que fez um homem tão culto agir de forma tão violenta.

Para a construção do texto de A Vela, o autor Raphael Gama buscou escrever o quanto a incompreensão familiar afeta as escolhas de vidas das drag queens. Além disso, a percepção dos diálogos com sua avó, uma mulher tradicional, com resistência para compreender as mudanças que acontecem na sociedade, também contribuíram para a criação dos personagens. “[…]. Conheço pessoas que foram expulsas de casa e o fato dessa comunidade seguir sendo tão negligenciada e odiada, mesmo em meio à tanta informação, me fez querer falar do assunto no ambiente familiar e sobre a importância do diálogo como ferramenta de cura”, explica Gama.

Para Elias Andreato, diretor da peça, a história é contada com delicadeza, para que o espectador possa se identificar com os personagens. “O nosso objetivo é mergulhar numa relação verdadeiramente teatral e humana. O teatro sempre será a arena necessária para debater todas as formas de preconceitos”, explica Andreato.

Já o ator Herson Capri ressalta a atualidade do tema discutido no espetáculo. “[…] Os preconceitos estão por aí, à nossa volta, o tempo todo. Convivemos, de uma forma ou outra, com pessoas conservadoras e até negacionistas. Acho que a arte tem o dever de abordar os temas que tocam e afligem a sociedade. Acolher as diferenças é um deles. E negá-las, também é preciso ser discutido.”

A abordagem das relações humanas e as feridas familiares são ressaltadas por Leandro Luna. “É muito importante, principalmente nos dias de hoje, estarmos em constante discussão sobre as diferenças e estimularmos a tolerância e o respeito ao próximo. Vivemos tempos muito polarizados, onde o conceito de moral e conservadorismo tem alimentado a sociedade com discursos odiosos, segregacionistas, em vez de criar o diálogo respeitoso e democrático. 

A Vela é permeada por trechos de famosos escritores e pensadores, como Carpenters, Edith Piaf e Dalva de Oliveira. O drama, vivido entre pai e filho, pretende aproximar os espectadores de temáticas sensíveis e discutir as relações humanas e os preconceitos instaurados na estrutura social e familiar.

Herson Capri interpreta pai de drag queen na peça “A Vela”
Herson Capri interpreta pai de drag queen na peça “A Vela” (Divulgação/ Caio Gallucci).

Serviço

Espetáculo: A Vela
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 14 anos.
Onde? Teatro Vivo em Casa (dias 2 e 3 de outubro – Sábado às 21h e domingo às 18h)
Ingresso gratuito no perfil do Instagram @vivo.cultura, na plataforma Vivo Valoriza e nos sites: www.teatrovivoemcasasabado.com.br
www.teatrovivoemcasadomingo.com.br
Os convites ficarão disponíveis a partir de 27/09.

Temporada on-line:

De 22 de outubro a 14 de novembro de 2021 – Sextas e sábados às 20h. Domingos às 19h.
Ingressos: R$ 10,00 (preço popular).
Transmissão: Eventim.

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Jornalista formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (RS).