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O ator Mateus Solano concedeu uma entrevista ao jornal Extra neste domingo, dia 6 de março, e revelou que a icônica cena em que seu personagem de Amor à Vida, Félix, deu um beijo em Niko, interpretado pelo Thiago Fragoso, teve resistência da Globo para ir ao ar.

“Foi um caso de amor, bateu a química entre o personagem e os telespectadores. Ele foi acontecendo ao longo da história e mudou os paradigmas. Porque o dito ‘primeiro beijo gay em novelas’ aconteceu a partir da popularidade do Félix, que depois abraçou o casal com Niko”, disse o ator.

“A Globo resistiu, não queria esse beijo. E os mais conservadores, mais homofóbicos, olhavam pra mim, davam uma risada e diziam: ‘Pô, você tem que dar um beijo naquele cara!’. Foi muito especial essa unanimidade. Com Félix, eu consegui cumprir um dos objetivos do artista: fazer com que o público reveja seus preconceitos”, continuou.

Mateus Solano também declarou que Félix foi “imbatível em popularidade” quando comparado aos outros personagens que interpretou, como Ronaldo Bôscoli na minissérie “Maysa”, e os gêmeos Miguel e Jorge em “Viver a Vida”.

“Mas todos os meus personagens me orgulham de formas diferentes. Zé Bonitinho, da ‘Escolinha’ (no ar na Globo nas tardes de sábado), foi uma delícia de fazer. Rubião, de ‘Liberdade, liberdade’ (2016), embora áspero, fez o público se emocionar. Há personagens que fiz no teatro sem os quais não teria escrito a minha história. Todos fizeram parte de uma caminhada, nenhum degrau anula o outro”, disse o ator.

Mateus Solano diz que Globo queria vetar beijo gay em Amor à Vida
Reprodução

Quanto a personagens LGBTQIA+ na televisão, Mateus Solano diz que apoia e que, na última vez que conversou com Thiago Fragoso, ele comentou sobre a questão da representatividade de ambos.

“São personagens homossexuais [Felix e Niko] que carregam estereótipos muito fortes. Por mais que Félix fosse profundo, trouxesse uma mágoa, um drama que tocou as pessoas, ele era muito afetado. Mais afetado do que poderia ser um diretor de hospital. Isso fazia parte da aceitação dele, brincava com o preconceito que as pessoas têm. Hoje, já não seria bem visto. Fico me perguntando se não é por isso que a novela nunca foi reprisada. Agora, se eu fosse convidado para interpretar uma travesti, eu não me sentiria confortável.

E perguntaria ao máximo de travestis possíveis a opinião delas antes de cogitar aceitar o papel. Esse é um trabalho para quem é. Em ‘Quanto mais vida, melhor’, temos A Maia (que interpreta a Morte) e Carol Marra (a Alice da história) fazendo papéis de mulheres (além de Nany People, que faz Lourdes, a recepcionista do motel Arriba Caracas), e não de homens que transformaram seus corpos para o feminino. Não se fala nisso. É preciso pensar até que ponto o ator ou a atriz, neste caso, é quem escolhe fazer um papel estigmatizado ou se só lhe é oferecido esse tipo de papel”.




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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"