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O motorista de ônibus do Rio de Janeiro, Leandro Miranda (43), fez piada com um comentário de uma passageira sobre sua sexualidade no último dia 22 de outubro e a reação viralizou. As informações são do G1.

Ele, que é gay, trabalha há nove anos como motorista de ônibus. Na circunstância, um fiscal o parou em um ponto e perguntou: “Ô, bebê, que horas você saiu de lá?”. O fiscal queria saber o horário em que ele havia começado a corrida.

A passageira estranhou o modo que ele se referiu ao motorista e disse: “Ele te chamou de bebê? E o senhor deixa, porque os outros podem achar que você é gay”. Leandro respondeu: “Mas eu sou gay mesmo!”

A passageira, surpresa, perguntou: “E como o senhor dirige ônibus, sendo gay?”

Ele respondeu: “Dando pinta, vou ‘armar a seta, vou parar hein’, ‘mona, tem troco?'”

Em uma conversa com o G1, o motorista disse que, mesmo tendo levado a circunstância com bom humor, ele diz que o caso se trata de preconceito.

“Foi homofobia, velada, mas foi. Mas eu sou debochado, sabe? Reajo assim. Ela (a passageira) se assustou mais ainda quando eu disse que era gay. Eu fiz graça, o ônibus estava cheio e todo mundo riu, ela ficou sem graça”, conta ele, que dirige a linha 442, Itaguaí-Coelho Neto.

Leandro diz que todos sabem de sua homossexualidade no trabalho, e que isso nunca foi um problema. “Quando tem preconceito é uma coisa mais velada e eu levo na brincadeira. Quando vem de um homem, acho logo que é uma pessoa enrustida, que após duas cervejas está com outro discurso”, brinca.

Motorista de ônibus ironiza passageira homofóbica: "Dirijo dando pinta!"
Reprodução

HOMOFOBIA VELADA, O QUE É?

Segundo o psicólogo da Universidade Federal da Bahia, Elídio Almeida, a homofobia velada é um comportamento inconsciente. “É muito raro a pessoa se dar conta. Ela acha que está ajudando. Existe o medo da punição. Na maioria das vezes, quem faz isso é mal visto, recebe olhares pejorativos. Então, a essa pessoa acaba maquiando e negando o que realmente pensa”, aponta.

Entende-se que a homofobia velada é oriunda de uma sociedade heteronormativa, ou seja, que coloca o “normal”, o “certo” a heterossexualidade,  enquanto os LGBTs ficam em um patamar inferior, mesmo que não haja essa intenção. Algumas frases de homofobia velada incluem:
  • “Menino, você nem parece gay!” / “Ele é gay, mas ninguém diz” (em tom de elogio): O fato de alguém parecer ou não parecer gay não é uma questão a ser valorizada, ou desvalorizada. Ninguém é “mais” ou “menos” por parecer ou não parecer gay;
  • “Tenho amigos que são gays”: assim como no ponto anterior, o seu amigo não vai ser “mais ou menos legal” por ser gay. Entende-se que a pessoa tem um amigo, não um “amigo gay”;
  • “Vamos falar de maquiagem, cabelos, divas pops etc”: mesmo que bem intencionada seja a pessoa, não necessariamente um homem gay entende de tudo isso. A única coisa que define uma pessoa como gay é o fato de gostar de alguém do mesmo gênero;
  • “Adoro os gays, mas é falta de noção beijar na frente dos outros”: considerando que os especialistas entendem que a homossexualidade é tão natural quanto a heterossexualidade, então não deveria haver diferença entre um beijo hétero ou um beijo gay;
  • “Não precisa contar para os outros que é gay”: essa é mais uma frase que reforça o padrão heteronormativo da sociedade. Em um mundo ideal ninguém precisaria “contar” que é gay e falaria de seus namorados ou namoradas como algo natural;
  • “Essa lésbica não precisa se vestir como homem. Parece que faz questão de mostrar que é homossexual”: as pessoas têm o direito de se expressarem e se exibirem do modo que elas se sentem mais confortável e a vontade. Ela não precisa “ser feminina” se ela não quiser.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"

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