Projeto de inclusão investe em empreendedores LGBTs

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Ruan Felix e Jessica Ricci na cozinha do Mr Carriot, em Vicente de Carvalho Foto: Leo Martins / Agência O Globo

Mell Brígida, de 35 anos, já ouviu muitos “nãos” do mercado de trabalho. Transexual, foi empurrada, assim como muitas outras trans, para a prostituição. Mas não era essa a sua vocação. Desde criança ela ajuda mãe e tia na cozinha. Era doceira desde sempre. O dom, então, virou profissão. Ela fez o curso de empreendedorismo da Micro Rainbow e aprendeu a transformar seu talento em negócio: nasceu ali o plano de negócio do “Pães de Mell” (com dois Ls como a dona).

— Minha vida já começou a mudar desde o momento que pisei no projeto Micro Rainbow. Tive várias oportunidades abertas. Foi o projeto que mais fez coisas boas acontecerem na minha vida. Me tirou de um caminho sem rumo. E mostrou que podemos acreditar em nós mesmos — conta a doceira Mell.

O projeto Micro Rainbow Brasil (também há uma versão britânica e outra de Camboja) formará uma nova turma nesta terça-feira, na Lapa. O curso, que começou por aqui em 2015, é exclusivo para a população LGBT e ensina em oito semanas a montar um plano de negócios. Ele já atendeu 164 pessoas no Rio. Dessas, 81 se formaram no curso de empreendedorismo e 46 concluíram cursos de qualificação profissional nas áreas de gastronomia, hotelaria e moda. Com isso, 53 empreendedores LGBT abriram ou expandiram seus negócios.

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Mell virou doceira

— Essa população é muito discriminada no mercado de trabalho, tanto no acesso, quanto na permanência. As pessoas LGBT de baixa renda sofrem ainda mais — afirma Lucas Paoli Itaborahy, representante da ONG no Brasil: — O empreendedorismo é uma alternativa para as pessoas não terem que ficar dependendo desse mercado preconceito e estigmatizante.

A formatura desta terça-feira também marcará o lançamento do livro “Empreendedorismo LGBT: histórias de empoderamento socioeconômico no Rio de Janeiro entre 2015-2017”, que conta histórias de quem já foi atendido pelo Micro Rainbow. Um desses é Ruan Félix, de 26 anos, que abriu o primeiro delivery vegano no subúrbio do Rio.

— O mercado de trabalho é dominado pelos héteros. A gente já começa atrás. Por isso, esse curso é importante — afirma o cozinheiro do Mr. Carrot, de Vicente de Carvalho.

No cardápio do Mr. Carrot, há opções como feijoada, strogonoff, bobó e salpicão. Todos esses pratos não têm nenhum produto animal.

— A feijoada a gente faz com legumes e embutidos veganos. Já o strogonoff, tem grão de bico no lugar da carne e creme de leite de aveia — diz Juan, que se surpreendeu com a demanda desse tipo de comida no subúrbio: — Não trabalhamos só pelo dinheiro. Acreditamos nessa causa que é o veganismo. Por isso, estamos muito felizes em apresentar esse tipo de comida para essa região.

Com informações do Extra

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