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Após uma estreia com sessões esgotadas, o espetáculo ‘Hétero Sigilo’ retorna ao Rio de Janeiro para nova temporada no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana. Em cena, o ator e dramaturgo Bernardo Dugin conduz um monólogo que parte de uma experiência pessoal de violência para discutir os mecanismos sociais que atravessam a vivência de pessoas LGBTQIA+ no Brasil.

A montagem, dirigida por João Fonseca, fica em cartaz entre os dias 7 e 29 de maio, com apresentações de quinta a sábado, às 20h. Com duração de 75 minutos e classificação indicativa de 18 anos, a peça propõe uma reflexão sobre heteronormatividade, violência simbólica e os impactos psicológicos associados ao silenciamento.

'Hétero Sigilo' transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ - Foto: Nil Caniné
‘Hétero Sigilo’ transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ – Foto: Nil Caniné

O ponto de partida do espetáculo remonta a 2023, quando Dugin e o namorado foram alvo de um ataque homofóbico durante uma missa de sétimo dia em Nova Friburgo, na região serrana do estado. O episódio ganhou repercussão nacional e resultou na abertura de processo judicial. O religioso envolvido tornou-se réu por racismo qualificado, em um caso que passou a discutir os limites entre liberdade religiosa, liberdade de expressão e discurso de ódio. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também solicitou indenização por danos morais coletivos à causa LGBTQIA+, reconhecendo o impacto social da violência.

No palco, essa vivência é reelaborada como narrativa dramatúrgica. Ao longo do espetáculo, Dugin constrói um relato que articula memória pessoal e observação social, evidenciando práticas cotidianas de ocultamento e adaptação. “O espetáculo não é sobre assumir uma orientação sexual. É sobre o que a gente precisa esconder para continuar existindo sem ser punido por isso. A violência não começa no soco; começa no silêncio que a sociedade nos obriga a manter”, afirma o artista.

Antes de chegar ao formato teatral, o projeto foi desenvolvido como iniciativa transmídia. Durante a Parada do Orgulho LGBTQIA+ na Avenida Paulista, em São Paulo, foi criada a instalação “Caixa do Sigilo”, espaço em que pessoas compartilharam relatos anônimos sobre experiências marcadas pelo segredo e pela invisibilidade. Paralelamente, o perfil do projeto nas redes sociais reuniu conteúdos que abordam situações associadas à lógica do “sigilo”, alcançando milhões de visualizações.

A direção de João Fonseca enfatiza a dimensão estrutural da proposta. “O que me interessa em ‘Hétero Sigilo’ é que ele não aponta o dedo, ele expõe um sistema. É uma peça íntima, mas profundamente política, porque fala do preço que se paga para caber numa norma que adoece”, afirma.

A trilha original, assinada por Federico Puppi, atua como elemento contínuo na encenação, contribuindo para a construção de atmosferas e estados emocionais. A música dialoga com o texto e reforça as tensões presentes no relato.

'Hétero Sigilo' transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ - Foto: Nil Caniné
‘Hétero Sigilo’ transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ – Foto: Nil Caniné

Serviço

Espetáculo: ‘Hétero Sigilo’
Temporada: 7 a 29 de maio de 2026
Horários: quintas, sextas e sábados, às 20h
Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s/n – Copacabana, Rio de Janeiro)
Duração: 75 minutos
Classificação: 18 anos
Ingressos: R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia)
Vendas: https://funarj.eleventickets.com/
Instagram: @hetero.sigilo24 | @bernardodugin


Ficha técnica

Dramaturgia e performance: Bernardo Dugin
Direção: João Fonseca
Assistente de direção: André Celant
Cenário e figurino: Nello Marrese
Trilha original e direção musical: Federico Puppi
Direção de movimento: Vanessa Garcia
Iluminação: Daniela Sanchez
Identidade visual: Loomi House
Assessoria de imprensa: Catharina Rocha e Paula Catunda
Fotografia: Nil Caniné
Produção: O Delirante Produções
Assistente de produção: Azul Scorzelli

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