Neste dia 24 de maio é comemorado o Dia da Consciência e Visibilidade Pansexual e Panromântica. Ainda hoje, os pansexuais e panromânticos são invisibilizados pela sociedade, sendo que muitos pensam erradamente que tais membros sentem atração por objetos e animais.

Os pansexuais se diferem dos bissexuais por estarem abertos a se relacionarem com pessoas que não necessariamente se identificam como homens ou mulheres, incluindo também os não-binários. Tanto que o prefixo “pan” vem da Grécia Antiga e significa “todos” ou “tudo”. Já a pessoa panromântica não sente atração sexual, mas sente atração romântica, independente do gênero.

Nós do GayBlog BR conversamos com Barbara Novaes (32), pansexual, que disse ter tido um longo processo até se identificar dessa forma.

“Comecei me entendendo como lésbica, pois ficava com homens e não curtia muito, além de sentir atração por mulheres. Durante anos, me relacionei estritamente com elas. Eventualmente descobri que também gostava de ficar com um amigo ou outro de vez em quando e passei a me entender como bissexual.”

“Com mais acesso a informação, passei a entender mais sobre pessoas transgêneras e não-binárias. No início, me envolvia prioritariamente com homens trans, mas depois me envolvi com mulheres trans e não-binários. Particularmente, não gosto de ter um ‘rótulo’, mas se é para ter, sou pansexual.”

Filha de Michael Jackson, Paris, declarou recentemente ser pansexual (Foto: Reprodução)
Filha de Michael Jackson, Paris, declarou recentemente ser pansexual (Foto: Reprodução)

Barbara também comenta que a sociedade não só invisibiliza os pansexuais, como também os estigmatiza, fazendo críticas especialmente dentro do meio LGBT que, segundo ela, deveria ser mais unido no combate de preconceitos.

“Rola muito dentro da comunidade LGBT dizer que não existe pansexualidade, invisibilizando os outros gêneros fora da cisnormatividade. Creio que os próprios LGBTs, especialmente os que têm mais visibilidade (gays e lésbicas cisgênero) não querem sair de suas ‘bolhas’, afirmando que pan é o ‘bi gourmet’, como já ouvi muitas vezes. É importante conscientizar que existem mais de dois gêneros sim”. 

Quando questionada sobre como essa realidade poderia ser mudada, Barbara diz que a informação aliada a empatia são as melhores armas no combate ao preconceito.

“Buscar saber, ler sobre e ter uma mente mais aberta. Converse com pessoas trans e não-binárias para entendê-las”.

Com protagonista não-binária, série “Todxs Nós” está disponível no streaming HBO GO

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".