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A apresentação de Bruna Strait no Trio POPline, durante a Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo, no domingo (7), pode ser lida para além da escalação artística. Ao comentar sua presença no evento, a DJ acionou uma memória frequentemente apagada na circulação comercial da música eletrônica: a ligação entre pistas de dança, cultura negra e sociabilidade queer.

“Estar presente em mais um ano na maior Parada LGBTQIA+ do mundo é algo que vai muito além de um show. Como artista de música eletrônica, carrego com muito orgulho que esse gênero nasceu da nossa comunidade, da cultura negra e LGBT. Levantar bandeira é isso: estar presente de verdade, vestir a camisa sem hesitar. A Parada não pode se apagar e, enquanto eu puder contribuir para que isso não aconteça, estarei aqui”, afirmou Bruna Strait.

A frase encontra respaldo na história do gênero musical. Antes de se tornar linguagem de festivais, marcas e grandes palcos, parte central da música eletrônica dançante se formou em clubes frequentados por pessoas negras, latinas e LGBT. A série documental “Disco: Soundtrack of a Revolution”, da PBS, situa a disco music dos anos 1970 como uma cultura de pista nascida em Nova York entre pessoas gays, negras, hispânicas e mulheres, antes de ser absorvida pelo mercado e sofrer reação conservadora no fim da década.

O caminho da disco para a house ajuda a entender o que Bruna afirma. A Encyclopaedia Britannica define a house music como um estilo de música eletrônica de alta rotação surgido em Chicago no início dos anos 1980, em clubes voltados a um público gay, majoritariamente negro e latino. A WTTW, emissora pública de Chicago, também registra que a house cresceu na cena underground de clubes negros e gays da cidade, com Frankie Knuckles no The Warehouse, onde disco, funk, soul e R&B eram remixados com batidas repetitivas, efeitos e vocais sampleados.

A trajetória não se resume à house. Em Detroit, a techno também foi construída por artistas negros. A Detroit Historical Society registra Juan Atkins, Derrick May e Kevin Saunderson como o trio associado à ascensão do Detroit techno, com influências que iam de George Clinton ao grupo alemão Kraftwerk, além da circulação de sons eletrônicos por rádios locais. O que hoje aparece como “música eletrônica” em palcos de grande porte nasceu, em parte, de cenas urbanas que transformaram exclusão social em linguagem musical.

Na Parada SP, esse histórico ganha outro peso. A edição de 2026 marcou 30 anos do evento e adotou o tema “A rua convoca, a urna confirma”, com debate sobre voto, participação política e permanência da manifestação nas ruas.

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