Era para ser um dia normal de futebol no ano de 2018. O jornalista William De Lucca, de 34 anos, assistia ao jogo do São Paulo contra o Palmeiras, seu time do coração, no Allianz Park, quando a torcida alviverde começou a entoar cantos homofóbicos provocando os adversários. Como resposta, o torcedor publicou um tweet com um contraponto à postura dos torcedores de seu próprio time. A publicação foi retweetada pelo perfil oficial do tricolor paulista, que conta com 4,3 milhões de seguidores. Foi o estopim para uma série de ataques de ódio, incluindo ameaças de morte.

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“Está mais do que na hora de discutirmos formas de garantir que nós, torcedores LGBT, possamos frequentar qualquer espaço da cidade de forma segura. Os espaços de lazer, cultura, entretenimento, esporte, enfim, devem ser inclusivos e livres de racismo, machismo e LGBTfobia”, defendeu De Lucca.

Filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 2018, De Lucca decidiu se lançar como pré-candidato a vereador em São Paulo nesta eleição para ser mais uma voz em defesa da diversidade e da vida dos LGBTs.

https://gay.blog.br/noticias/apos-mais-de-30-ameacas-de-morte-este-desafio-nao-me-amedronta-diz-pre-candidato-gay/
De Lucca – Divulgação

“Tenho plena consciência de que estamos em um momento de ataques, com nossos direitos em risco. Em suma: é um período de retrocessos em vários níveis. Após mais de 30 ameaças de morte, o desafio de disputar uma vaga na Câmara não me amedronta. Sabemos que a Casa é tomada de políticos tradicionais, que pouco se importam com o nosso bem-estar, com temas de inclusão e diversidade. Não dá mais para abaixar a cabeça e aceitar que ‘é assim mesmo’, temos que disputar esses espaços por dentro”, afirmou.

De Lucca foi um dos fundadores do Palmeiras Livre, coletivo de torcedores progressistas, e atualmente contribui com o Canarinhos Arco-Íris, um coletivo nacional de torcedores LGBT. Atualmente, atua como jornalista no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

“É importante lembrar que grande parte do problema da violência homofóbica reside na falta de educação. As pessoas recebem uma educação que possibilita achar que homofobia é algo aceitável. Na Câmara, pretendo trazer discussões sobre educação para eliminarmos todo tipo de violência a longo prazo”, completou.

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