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A cabeleireira e escritora transexual Ruddy Pinho, conhecida como “A Maravilhosa”, morreu na madrugada do dia 5 de fevereiro, aos 76 anos. As informações são de O GLOBO e a causa da morte ainda não foi revelada. Ela deixa um filho adotivo, Ivan (43), e uma neta, Maria Fernanda (8).

Pinho era amiga da atriz Susana Vieira, sua cliente por 36 anos. Ambas teriam brigado por causa de um megahair e, desde então, nunca mais se falaram. Outro ponto de destaque em sua carreira foi o corte de cabelo “estilo leoa” para a cantora Simone, que a transformou em símbolo sexual na década de 1980. Outras clientes famosas incluem Marília Pêra, Odete Lara, Beth Carvalho e Yoná Magalhães.

Ela também atuou em alguns filmes, como “Navalha na carne”, de Neville de Almeida, e mais recentemente com “Divinas Divas”, com Jane di Castro e Rogéria.

Morre Ruddy Pinho, conhecida por ser a cabeleireira das estrelas na década de 1980
Reprodução

A transição de gênero veio aos 40 anos, em entrevista ao TV e Famosos em 2016, ela disse que teve uma crise de identidade: “Bateu uma crise de identidade porque não tinha feito nada por mim naquela altura vida, como mulher que queria ser. Tive depressão, engordei, caí nas drogas e quando cheguei no fundo do poço resolvi fazer análise. Fui resolvendo as minhas coisas internas e fui para Europa. Quando voltei, voltei mulher” – disse.

Ruddy Pinho nasceu em Sabinópolis, Minas Gerais, mas cresceu em Belo Horizonte. Aos 19 anos, foi fazer um favor à filha de uma cliente, mas acabou presa: “O ano era 1964, e eu fui entregar uma carta para um homem no Diretório Central dos Estudantes. Ele fazia um discurso para 50 pessoas e de repente 300 soldados do Exército entraram e prenderam todo mundo” – disse. Quando foi solta, ficou com o nome sujo em Belo Horizonte e decidiu se mudar para o Rio de Janeiro.

Ela também foi autora de dez livros e em 1999 venceu o concurso da Biblioteca Nacional na categoria contos com “Ih…confidências Mineiras”.

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".