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A covereadora de São Paulo pelo PSOL, Carol Iara, sofreu um atentado a tiros em sua casa na madrugada deste dia 27 de janeiro. Segundo informações preliminares divulgadas pela ANTRA Brasil no Instagram, dois tiros teriam sido disparados para dentro de sua casa, mas ela não se feriu.

“Nossa companheira Carol Iara, co-vereadora da Bancada Feminista do PSOL sofreu um atentado na madrugada de ontem, deram dois tiros para dentro de sua casa. Carol está bem. As medidas de segurança foram tomadas. Mas iremos realizar o Boletim de Ocorrência na Delegacia de Proteção a Pessoa. Via @bancadafeministapsol – diz o post da ANTRA.

Ela vai realizar o Boletim de Ocorrência na Delegacia de Proteção a Pessoa às 15h30 deste dia 27 na Rua Brigadeiro Tobias, 527. Seu partido e a equipe pedem que os movimentos sociais enviem representantes para a delegacia exigindo a investigação. Em nota, o PSOL disse:

“Não podemos permitir que ao ocupar espaço de poder as mulheres pretas, travestis sejam silenciadas com violência”. 

Carol Iara é a primeira pessoa intersexo a ocupar o cargo de covereadora, fazendo parte da Bancada Feminista do PSOL. Além dela, fazem parte da bancada a professora Silvia Ferraro, a ativista Paula Nunes, a advogada Dafne Sena e a tradutora Natália Chaves.

Primeira covereadora intersexo, Carol Iara, é vítima de atentado a tiros em SP
Reprodução

BIOGRAFIA 

Carolina Iara nasceu no dia 31 de dezembro de 1992, em uma época onde havia poucas informações sobre a pluralidade de corpos e os intersexuais eram chamados de “hermafroditas”. Desde então, ela foi submetida a várias cirurgias de redesignação sexual ou “mutilações”.

“Eu não tenho informação do que fizeram comigo bebê, mas tenho informações do que fizeram depois: duas grandes cirurgias aos 6 e aos 12 anos. Cirurgias, que eu costumo brincar, me redesignaram na infância, porque foram cirurgias de redesignação sexual na infância. Fazem três por semana aqui em um hospital do Jabaquara, em São Paulo, enquanto pessoas trans adultas ficam dez anos na fila” – disse Carolina.

“Na hora do pós-operatório, na hora de retirar pontos, eu ia chorar, mas os médicos me falavam que fizeram a cirurgia para eu ‘virar homem’. Imagina procedimentos com sonda na sua genitália sem nenhum tipo de anestesia local e a criança não poder chorar? É algo muito doloroso. É um trauma, uma mutilação genital que eu vou levar para sempre. Nada que fizerem vai me restabelecer, me ressarcir. Mas a gente ressignifica a dor” – diz.

Ela também comenta que, dos 14 aos 15 anos, ela se descobriu como uma travesti: “Eu sabia que não era esse corpo que as pessoas queriam que eu fosse. Eu não correspondia nada do que exigiam de masculinidade negra, que é um conceito super racista” – afirma – “A travestilidade foi o único lugar que eu encontrei para responder aquela demanda do meu corpo”.  Na câmara dos vereadores, Carolina Iara diz que pretende levantar as pautas relacionadas aos LGBTs, especialmente às pessoas trans e intersexo.

“A pauta da saúde para pessoas LGBTs, principalmente trans e intersexo, da minha parte, enquanto sujeita, são as principais pautas, além da pauta da negritude também. Apesar de não ter feito parte institucionalmente da Marcha das Mulheres Negras, isso quem fez mais foi a Paula, eu tive essa incursão em várias coisas nos movimentos negros” – diz.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".