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Ator, escritor, fotógrafo e documentarista, Cadu Marques (PSOL) concorre a deputado estadual no Maranhão. O multiartista é gay, tem 24 anos e mora em São Luís (MA). Graduando em Teatro, o jovem tem um amplo trabalho com a cultura maranhense.

Cadu Marques, candidato a deputado estadual pelo PSOL do MA (Foto: BARRO)

“O Maranhão é um estado tão diverso, mas essa diversidade não é olhada, não é ouvida, e tenho construído uma candidatura popular, ouvindo o povo, porque eles são o principal motivo dessa caminhada”, declara Cadu ao falar sobre sua candidatura como deputado.

“Acredito na mudança, que necessitamos ter os pretos e pretas, os LGBTQIA+, povos originários e tradicionais, a classe trabalhadora, todos ocupando o poder, decidindo os rumos do nosso estado, porque eles sim possuem experiência e vivência para trabalhar na mudança que o nosso Maranhão tanto precisa”, acrescenta o jovem.

Além da cultura e educação como eixos de sua campanha, Cadu diz que lutará para que a comunidade LGBTQIA+ tenha cuidados de forma integral a saúde, além de espaços de acolhimento às mulheres trans. “[…] Lutaremos pela participação efetiva de pessoas pretas e LGBTQIA+ no mercado de trabalho. Queremos reverter esses quadros de violência que a nossa comunidade sofre diariamente, lutar por políticas públicas e vida digna”, pontua.

“É para ontem uma voz como a minha na assembleia legislativa do Maranhão. Queremos ocupar a política maranhense e aquilombar a assembleia legislativa do Estado”, afirma Cadu, que  é um dos entrevistados no especial “Eleições 2022” do Gay Blog BR.

Cadu Marques (Foto: BARRO)

Confira na íntegra a entrevista de Cadu Marques

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional? 

Cadu Marques: Sou Cadu Marques, tenho 24 anos, jovem preto, gay, quilombola de Centro dos Violas e multiartista maranhense. Graduando de licenciatura em Teatro (UFMA), estudo Processos Fotográficos (IFMA), sou documentarista, escritor, dramaturgo, roteirista e professor de teatro. 

Tenho um amplo trabalho na cultura do meu estado, produzindo e participando ativamente do movimento artístico e cultural do Maranhão, lutando por políticas públicas e que pessoas iguais a mim tenham oportunidades na caminhada.

GB: O que o motivou a se candidatar?

Cadu: Sede de mudança. O Maranhão é um estado tão diverso, mas essa diversidade não é olhada, não é ouvida, e tenho construído uma candidatura popular, ouvindo o povo, porque eles são o principal motivo dessa caminhada. Acredito na mudança, que necessitamos ter os pretos e pretas, os LGBTQIA+, povos originários e tradicionais, a classe trabalhadora, todos ocupando o poder, decidindo os rumos do nosso estado, porque eles sim possuem experiência e vivência para trabalhar na mudança que o nosso Maranhão tanto precisa.

Chega de mortes e expulsão de territórios, o nosso povo tem sede e fome, e precisa ter seu canto, seu espaço, estão tirando de nós o que é mais precioso, nossas terras, e os governantes não se importam, por isso precisa ter uma voz que entenda e saiba o que é vivenciar esse movimento que fazem com o meu povo. O maranhão é terra quilombola e indígena. 

Precisamos dar um basta na LGBTfobia, nossa comunidade que viver e viver em paz, sem medo. Quer ter emprego, vida de qualidade, oportunidades para construir família, lar. Por isso estou candidato, por acreditar nesse movimento de ocuparmos o poder e trazer as nossas, que são de muitos, para o debate central e buscar soluções. É pra ontem!

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser um candidato abertamente LGBTQ+?

Cadu: A LGBTQIA+fobia é certeira, ao não acreditar na nossa capacidade, sobretudo no meu caso, enquanto preto e gay. Precisamos vencer duas vezes, três sendo eleito na urna. Mas estamos na luta e acreditando no processo de mudança que o nosso estado necessita. Porém não é fácil enfrentar esse caminho da política partidária sendo que somos, a LGBTQIA+fobia machuca, maltrata e em muitos casos, mata. Precisamos entender o que queremos, por quem estamos enfrentando esse caminho, tendo nossos propósitos como foco, para não deixarmos o ódio dos preconceituosos nos atingir, nos abater.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?

Cadu: Uma educação de qualidade, onde os alunos e alunas possam estudar tendo em vista uma formação que vislumbre o futuro, atrelado a emprego e renda. Queremos os nossos jovens capacitados para o mercado de trabalho, para isso, uma das nossas principais propostas, é lutar pela realização de concursos públicos, onde tenhamos professores e professoras comprometidos com esse caminho da educação de qualidade. 

Iremos propor o fortalecimento do modelo de escolas de ensino infantil, fundamental e médio nos territórios quilombolas e indígenas trazendo em sua grade pedagógica elementos de conexão com a realidade de ambas as comunidades, como forma de valorização cultural e potencialização do processo de aprendizagem e ensino desses povos.

Iremos lutar para que a nossa comunidade LGBTQIA+ tenha cuidados de forma integral a saúde; espaços de acolhimento às mulheres trans, que sofrem brutais violências no nosso estado e país. Lutaremos pela participação efetiva de pessoas pretas e LGBTQIA+ no mercado de trabalho. Queremos reverter esses quadros de violência que a nossa comunidade sofre diariamente, lutar por políticas públicas e vida digna para cada um e cada uma.

Tendo em vista que a cultura também é um dos nosso principais eixos, queremos promover, em articulação com organizações governamentais e não governamentais, a criação de cursos técnicos e programas de capacitação na área cultural para jovens do nosso Estado. E um projeto de Lei que estabeleça uma política estadual de valorização dos saberes e fazeres dos povos tradicionais, em diálogo com os movimentos sociais para promover o fortalecimento da identidade e ancestralidade do povo negro, quilombola e indígena do Maranhão

É para ontem uma voz como a minha na assembleia legislativa do Maranhão. Queremos ocupar a política maranhense e aquilombar a assembleia legislativa do Estado.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Cadu: É um trabalho de base, precisamos discutir gênero e sexualidade  desde a escola, em todos os ambientes possíveis, quebrar os tabus e falar com nossas crianças, adolescentes e jovens, que muitas vezes são oprimidos em casa, com pais machistas, que não conseguem enxergar que os filhos e filhas por vezes só precisam conversar. Então, vindo da base, conseguiremos driblar esses movimentos homofóbicos, exercitando a consciência e buscando eliminar o preconceito da mente e coração das pessoas.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Cadu: É uma importante forma de prevenção estratégica à saúde contra o HIV. Uma das nossas propostas, inclusive, é o cuidado da saúde integral da comunidade LGBTQIA+ no Maranhão, pensando justamente nesse olhar e atenção que a nossa comunidade necessita. 

Precisamos pensar maneiras de informar as pessoas sobre o PrEP, porque ainda existem grupos que desconhecem a existência e importância deste medicamento, e mais, além de propagar a importância, avisar que o SUS distribui gratuitamente.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Cadu: O governo Bolsonaro proporcionou os piores anos da história mais recente do País. Ele é o retrato de um governo misógino, racista, homofóbico e elitista.  Os violentos discursos de ódio propagados por ele e seu governo, deram munição para uma parcela da sociedade se sentir à vontade para esbanjar toda violência racista, misógina e LGBTFÓBICA. 

Após quatro anos de governo, o país enfrenta o aumento de desemprego, a miséria, a fome, a inflação, a violência no campo e a constante perda de direitos.  Avalio que o Brasil precisa se unir para tirar esse fascista do poder e construir um governo popular através de mandatos que tenham o compromisso com a classe trabalhadora, com a população negra, com a população LGBTQIA+ e com os povos tradicionais e originários.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)