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Franciel Britos (MDB), de 31 anos, disputa uma vaga de deputado estadual em Santa Catarina. Abertamente gay, ele é professor e mora em Tijucas (SC). Casado há 13 anos, o candidato é pai de quatro filhos.

De acordo com Franciel, as pautas de sua candidatura não ficam restritas apenas a comunidade LGBT+. “Entramos na esfera da Diversidade e Inclusão de cabeça mesmo. Temos proposta para pessoas com deficiência visíveis e ocultas, idosos, crianças e adolescentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social, econômica e alimentar, sobre a importância da liberdade religiosa, sustentabilidade e saúde”, afirma.

“Todas essas pautas estão dentro das nossas propostas e por escrito para que, caso eu consiga chegar lá na Assembleia Legislativa Estadual, possam ir lá me cobrar. Essa luta é um compromisso. Irei lutar forte e trabalhar duro para conseguir”, acrescenta o candidato, que é um dos entrevistados no especial “Eleições 2022”, do Gay Blog BR.

Franciel Britos, candidato a deputado estadual pelo MDB de SC (Foto: Divulgação)

Confira na íntegra a entrevista com Franciel Britos

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?  

Franciel Britos: Sou professor, trabalho com educação especial, também sou membro do Fórum Catarinense de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, presidente do projeto Corrente do  Bem na Região de Tijucas, fui voluntário da Cruz Vermelha, estou Presidente do Núcleo Diversidade e Inclusão do MDB de Santa Catarina e sou candidato ao cargo de Deputado Estadual por Santa Catarina.  

Mas minha trajetória profissional veio bem antes. De família muito humilde, precisei aos 10 anos  trabalhar na coleta de reciclável. Só mais tarde pude voltar aos estudos e hoje estou terminando  minha formação em História. Sou casado há 13 anos com meu esposo Paulo, somos pais de quatro filhos. Também sou Pai de Sant  de Umbanda e logo serei também de Candomblé. 

GB: O que motivou a se candidatar?

Franciel: A minha história pessoal. Como disse anteriormente, desde muito cedo precisei aprender a  enfrentar a vida. Minha vida nunca foi fácil, mas aprendi muito e busco auxiliar quem precisa. Me ver homem gay na adolescência não foi simples pra mim e, nem para a minha família. Não houve aceitação.  

Hoje sou casado e meu companheiro e eu temos quatro filhos. Um deles é autista e foi aí um novo  aprendizado para nós. Nosso Eduardo está com 16 anos e o grau de autismo foi diminuindo. Hoje, trabalho com educação especial e senti na pele como a inclusão é importante.  

A cada luta, a cada dificuldade, a cada empurrão da vida me trouxe para a política, onde estou  hoje e, a minha luta é para realmente trazer a inclusão para todos. Pois estamos cansados de  sermos invisíveis na sociedade. Inclusão não é dar mais direitos, mas é fazer valer os que já existem na sua totalidade. Porque verdadeiramente não somos todos iguais na sociedade, mesmo que a lei assim determine. Somos reiteradamente restringidos ao nosso acesso aos direitos. Precisamos de medidas que equilibram essa balança. É por isso que luto. Minha bandeira é fazer de Santa Catarina um Estado mais inclusivo. 

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBT+?

Franciel: Temos pouquíssimas leis estaduais que nos dê segurança, por isso que, através do Núcleo que represento, conseguimos esse ano uma audiência pública para tratar de direitos a comunidade  LGBTQIA+.

Foi um debate muito rico e lindo e, através desse debate, apresentamos como forma de  documento, para toda bancada do MDB daquela Casa, para a Comissão de Direitos Humanos, para a Bancada Feminina e Comissão Nacional da Diversidade da OAB, uma série de medidas  que precisam ser analisadas e trabalhadas em forma de lei, capacitação profissional e  aprimoramento e cumprimento de normativas já existentes.  

Mesmo assim, tivemos trechos dessa audiência pública tirada de contexto e fomos  covardemente atacados na tribuna por um deputado. Esse tipo de violência política que estamos  sujeitos, dentre outras.  Nosso Orgulho não pode ser apenas por estarmos mais um ano vivos.  

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBT+?

Franciel: Minha candidatura não abrange apenas a temática LGBTQIA+. Entramos na esfera da  Diversidade e Inclusão de cabeça mesmo. Temos proposta para pessoas com Deficiência visíveis  e ocultas, Idosos, Crianças e Adolescentes, Pessoas em situação de Vulnerabilidade Social, 

Econômica e Alimentar, Sobre a Importância da Liberdade Religiosa, Sustentabilidade, Saúde e  sim, a comunidade LGBTQIA+.  

Todas essas pautas estão dentro das nossas propostas e por escrito para que, caso eu consiga  chegar lá na Assembleia Legislativa Estadual, possam ir lá me cobrar. Essa luta é um  compromisso. Irei lutar forte e trabalhar duro para conseguir.  

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Franciel: Como disse anteriormente, fizemos um longo documento que apresenta dados e informações completas do que acreditamos que seja necessário para por fim a LGBTfobia.  

Mas resumidamente posso dizer que precisamos em Santa Catarina colocar em prática os oito compromissos do Termo de Cooperação Técnica para Articulação e Implantação de Políticas de Enfrentamento as Homofóbicas no Brasil, que foi assinado pelo Estado em 2012.  

Pretendo utilizar a expertise do Observatório hoje existente, para ampliar sua atuação,  transformando ele num Observatório de Violências, para que possamos utilizá-lo para a  captação de mais dados (gênero, idade, tipo de agressão, cor, credo e demais desdobramentos),  para viabilizar políticas públicas direcionadas, auxiliando na erradicação de preconceitos e  consequentemente de violências.  

Outro ponto importante é a criação de políticas públicas que auxiliem na manutenção dos jovens  LGBTQIA+ no ambiente escolar. Sabemos que grande parcela é vítima de bullying, violência  físicas e até mesmo sexuais e, por conta disso, acabam por abandonar a escola, impossibilitado  o ingresso na vida acadêmica. A escola precisa ser um lugar seguro para todos.  

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP? 

Franciel: Eu sou professor e por isso não posso negar a importância da ciência. Ciência salva vidas e a  prevenção também.  

É inegável os benefícios hoje existentes no protocolo de pré exposição. A queda do número de transmissão de HIV precisa levada em conta e, discordo totalmente da atual necropolitica onde  se quantifica o valor da vida.  

Se há a possibilidade de evitar o contágio com um medicamento ou injeção, isso, a longo prazo  é sim uma economia aos cofres públicos. Menos gente com doenças mais complexas e com  tratamento mais longo e custoso, isso sem contar a dor do doente e da família e o risco de  morte.  

Um bom gestor preza se prevenção de riscos, isso sim é algo que cabe pensar. E a vida, ela não  tem preço.  

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Franciel: Me desculpe, mas não se trata de governo, mas de desgoverno. Uma política de morte, caos,  violência e fome.  

Nunca o povo brasileiro foi tão triste. Tão carente de empatia e respeito.  É uma inversão de valores. Um desrespeito contumaz a Constituição e aos direitos humanos. 

Nunca o povo brasileiro foi tão pária lá fora. Em breve será copa do mundo e há alguns anos as  ruas estariam sendo pintadas, bandeiras colocadas nas varandas, antenas e tudo mais. Hoje o  brasileiro está com vergonha das suas cores. Nunca pensei que veria isso.  

O aumento da fome, a descrença na ciência e na história. Precisamos de clareza de ideias e  debates, precisamos dar um basta em fake news. Chega de falso moralismo que na verdade  possui uma terrível cara de preconceito, ódio e ignorância.  

Precisamos de equilíbrio nesses tempos tão sombrios. Não será fácil. Mas acredito que com  Coragem e Amor, podemos sim reconstruir esse país.  

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)