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Estudante de Direito e estagiária jurídica, Giovanna Almeida (UP), de 23 anos, concorre a deputada estadual no Rio de Janeiro. Lésbica, ela é moradora da capital fluminense e decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) coletivamente com movimentos sociais.

Giovanna Almeida, candidata a deputada estadual da UP no RJ (Foto: Divulgação)

“[…] Nosso objetivo principal é construir a luta pelo poder popular, aumentando a participação do povo pobre e da juventude na política e colocando as decisões sobre as nossas vidas nas nossas próprias mãos. Queremos colocar uma jovem negra e socialista na ALERJ pra construir um mandato que seja um megafone dos movimentos sociais e do povo explorado e que vá transformar o Rio de Janeiro”, destaca a candidata.

“Enquanto uma mulher negra, jovem e lésbica, constantemente eu sou subestimada, além de sofrer com os preconceitos e os estigmas que a população LGBTIA+ enfrenta todos os dias”, salienta Giovanna, sobre as dificuldades de ser uma candidatura abertamente LGBTIA+.

Já em relação as suas pautas para a comunidade, a candidata diz que defende propostas como a criação de “casas-abrigo para membros da comunidade LGBTIA+ vítimas de exclusão familiar; ter como centro no atendimento à essa população a formação educacional e profissional e o combate à pobreza e miséria, em especial à população trans” e garantir “acesso a empregos de qualidade” e o “debate de gênero nas escolas”. 

“Para nós da UP, hoje é central uma grande mobilização popular de todos os oprimidos e explorados contra qualquer tentativa de golpe que Bolsonaro, os militares e o Centrão tentem impor ao país. […] Precisamos construir um grande movimento contra o golpe, por Ditadura Nunca Mais – que foi, inclusive, um período em que muitos LGBTs foram perseguidos e torturados – e em defesa da democracia”, afirma a jovem, que conversou com o Gay Blog BR para o especial “Eleições 2022“.

Giovanna Almeida (Foto: Divulgação)

Confira na íntegra a entrevista com Giovanna Almeida

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Giovanna Almeida: Fui estudante do CEFET Maria da Graça durante meu Ensino Médio, tendo começado a trabalhar aos 14 anos, e sou estudante de Direito na UFRJ desde 2018 e atualmente estagiária.

GB: O que motivou a se candidatar?

Giovanna: A decisão da minha candidatura foi tomada coletivamente pelos movimentos que constroem a Unidade Popular pelo Socialismo – como a União da Juventude Rebelião, o Movimento Negro Perifa Zumbi, o Movimento de Mulheres Olga Benário, dentre outros – e o nosso objetivo principal é construir a luta pelo poder popular, aumentando a participação do povo pobre e da juventude na política e colocando as decisões sobre as nossas vidas nas nossas próprias mãos. Queremos colocar uma jovem negra e socialista na ALERJ pra construir um mandato que seja um megafone dos movimentos sociais e do povo explorado e que vá transformar o Rio de Janeiro, construindo uma política com a nossa cara.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBTIA+?

Giovanna: A imagem tradicional de uma pessoa que ocupa um espaço político é a imagem daqueles que se beneficiam com a exploração do nosso povo, e que detém o poder, a mídia, os meios de produção e a maioria dos partidos nas mãos: a burguesia, em sua enorme maioria formada por homens, brancos, héteros e cisnormativos. Enquanto uma mulher negra, jovem e lésbica, constantemente eu sou subestimada, além de sofrer com os preconceitos e os estigmas que a população LGBTIA+ enfrenta todos os dias. Essa pauta é central na nossa candidatura porque queremos construir uma forma de política popular, feita justamente com protagonismo das mulheres, a juventude negra e da população LGBTIA+.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTIA+?

Giovanna: As principais propostas das candidaturas da UP no Rio são: Por mais participação popular, pra que nós tenhamos voz em todas as decisões do Estado, e com mais mulheres, negros, LGBTs, PCDs, jovens e trabalhadores na política; Por uma política de renda básica às famílias brasileiras para combater a fome e a miséria; Por educação de qualidade para todos, pondo fim ao analfabetismo e com mais creches e escolas em tempo integral; Por transporte digno, com passe livre intermunicipal e intermodal para estudantes, idosos, PCDs e desempregados; Pela reversão de todas as privatizações e terceirizações, começando pela CEDAE; Pelo direito à saúde para todos, com SUS 100% público e sob controle popular.

Sobre a pauta LGBTIA+, além da nossa perspectiva de fortalecer o nosso protagonismo nas decisões políticas, também defendemos criar casas-abrigo para membros da comunidade LGBTIA+ vítimas de exclusão familiar; ter como centro no atendimento à essa população a formação educacional e profissional e o combate à pobreza e miséria, em especial à população trans, garantindo acesso a empregos de qualidade; garantir o debate de gênero nas escolas voltado ao combate ao machismo e à LGBTfobia; e ofoco único de uma Secretaria voltada aos Direitos Humanos, congregando uma Coordenadoria da Comunidade LGBTIA+, e promovendo campanhas educativas permanentes e em massa sobre essa pauta.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Giovanna: Além das propostas que apresentamos a nível da política estadual, acreditamos que para combater a LGBTfobia hoje é fundamental derrotar o fascismo, o governo Bolsonaro e construir em todo o país um processo educativo permanente e de combate ao preconceito. Bolsonaro já fez várias declarações LGBTfóbicas, promove diversas formas de preconceito, e tem sido responsável direto pelo aprofundamento das opressões no Brasil. Por isso, hoje, conseguir derrotar esse governo e seus aliados, é um passo essencial na luta contra a LGBTfobia!

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Giovanna: É uma política importante para a proteção à infecção pelo HIV, e é muito importante que seja um medicamento disponibilizado de forma gratuita pelo SUS – o que só reafirma a importância de defendermos um SUS 100% público -, mas é fundamental que deixe de existir o estigma em relação à população LGBTIA+, como se fosse o grupo que prioritariamente precise se prevenir de IST’s. Em primeiro lugar, porque isso é um estereótipo que relaciona promiscuidade às orientações sexuais e identidades de gênero que não sejam heteronormativas e cisgêneras. Em segundo lugar, porque a PrEP não previne de todas as IST’s, somente do HIV, e é fundamental essa medida vir acompanhada cada vez mais de campanhas de conscientização sobre o uso de camisinha e de outros métodos de prevenção pra toda a sociedade, inclusive a população LGBTIA+ mas não restrito a nós.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Giovanna: O governo Bolsonaro é o pior governo que o Brasil enfrenta desde a redemocratização, após a Ditadura Militar. É um governo inimigo do povo trabalhador, que foi responsável por mais de 600 mil mortes durante a pandemia, através de uma postura negacionista e da negligência com a vacinação. Além disso, é responsável por cortes bilionários na educação, retirando recentemente mais de 3 bilhões das Universidades Públicas, enquanto mantém um orçamento secreto de mais de 16 bilhões para privilegiar seus aliados. Hoje o Brasil tem mais de 33 milhões de pessoas passando fome, e mais de 116 milhões que não sabem se conseguem comer 3 refeições por dia, e isso é fruto da política desse governo de enriquecer ainda mais uma parcela muito rico da população brasileira, enquanto submete nosso povo à miséria.

GB: Qual você acha que é o principal desafio do povo brasileiro e da população LGBTIA+ hoje no Brasil?

Giovanna: Para nós da UP, hoje é central uma grande mobilização popular de todos os oprimidos e explorados contra qualquer tentativa de golpe que Bolsonaro, os militares e o Centrão tentem impor ao país. Esse setor fascista quer manter e ampliar os seus privilégios, piorando ainda mais a vida do nosso povo, aumentando a LGBTfobia, o racismo e o machismo, e Bolsonaro já demonstrou e declarou ser capaz de tudo – inclusive de agir contra a democracia – para garantir que isso ocorra. Precisamos construir um grande movimento contra o golpe, por Ditadura Nunca Mais – que foi, inclusive, um período em que muitos LGBTs foram perseguidos e torturados – e em defesa da democracia!

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)