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A publicitária Giovanna Silveira (PSOL), de 24 anos, disputa uma vaga como deputada estadual no Paraná. Pós-graduada em Comunicação Digital e E-Branding, ela mora em Curitiba (PR), é bissexual e iniciou sua vida política no movimento estudantil.

Giovanna Silveira, candidata a deputada estadual pelo PSOL do PR (Foto: Reprodução/ Facebook)

“Em 2018, com as eleições super divididas que aconteceram, eu vi a necessidade de expandir minha luta e me organizar partidariamente, então me filiei ao PSOL e comecei a construir vários coletivos, como o Juntas e o Juntos. Nesse processo, me candidatar foi a consequência das minhas construções”, conta a candidata.

“Precisamos de candidaturas que não tenham medo de ir à raiz dos problemas e que realmente se proponham a mudar a política e o mundo como ele é hoje. Precisamos de mais igualdade e respeito, e menos exploração”, acrescenta Giovanna.

Entre suas propostas, a jovem destaca a necessidade de pesquisas sobre  população LGBT+. “Vivemos um período de verdadeiro apagão de dados quando se trata da população LGBTQIAP+, isso faz com que as instituições entendam que não faz sentido produzir políticas públicas para nós, uma vez que não se sabe exatamente quantos somos e quais as nossas necessidades”, comenta.

“Também precisamos expandir as políticas públicas que falam sobre violência contra LGBT+, pois estamos no país mais violento e precisamos garantir nossas vidas. Mas mais do que isso: garantir dignidade para viver sem medo”, afirma Giovanna, que é uma das entrevistadas do especial “Eleições 2022” do Gay Blog BR.

Giovanna Silveira (Foto: Reprodução/ Facebook)

Confira na íntegra a entrevista com Giovanna Silveira

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional? 

Giovanna Silveira: Sou formada em Publicidade e Propaganda e pós-graduada em Comunicação Digital e E-Branding. Antes de trabalhar em agências de publicidade, eu trabalhei em muitas coisas: shoppings, em restaurantes, lojas de roupa, bares, baladas, fazendo e vendendo bolos e chocolates, enfim… Era uma adolescente que queria ajudar em casa, então sempre estava trabalhando com algo para poder ajudar minha mãe. No fim da faculdade, comecei a trabalhar em agências, na área de redação, o que é legal, porque consigo aprender muito sobre algo que eu amo: a escrita.

GB: O que motivou a se candidatar?

Giovanna: Desde 2015 eu estou envolvida com algum tipo de política. Venho da tradição do movimento estudantil, fui presidenta do meu Centro Acadêmico e vice-presidenta do meu DCE (Diretório Central dos Estudantes). Depois disso, em 2018, com as eleições super divididas que aconteceram, eu vi a necessidade de expandir minha luta e me organizar partidariamente, então me filiei ao PSOL e comecei a construir vários coletivos, como o Juntas e o Juntos. Nesse processo, me candidatar foi a consequência das minhas construções. Precisamos de candidaturas que não tenham medo de ir à raiz dos problemas e que realmente se proponham a mudar a política e o mundo como ele é hoje. Precisamos de mais igualdade e respeito, e menos exploração.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBT+?

Giovanna: Os preconceitos chegam. Não tem o que fazer. Às vezes sinto muito medo pela minha companheira, por mim, porque vivemos em um país muito LGBTfóbico e muito violento. Então, acho que é mais o peso externo.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBT+?

Giovanna: A primeira proposta, é uma básica: aumentar as pesquisas sobre a nossa população. Vivemos um período de verdadeiro apagão de dados quando se trata da população LGBTQIAP+, isso faz com que as instituições entendam que não faz sentido produzir políticas públicas para nós, uma vez que não se sabe exatamente quantos somos e quais as nossas necessidades. Não existe esse registro.

Então, para mim, o primeiro passo é nos sabermos, nos conhecermos e termos dados sobre o que precisamos. Mas, fora isso, por óbvio, também precisamos expandir as políticas públicas que falam sobre violência contra LGBT+, pois estamos no país mais violento e precisamos garantir nossas vidas. Mas mais do que isso: garantir dignidade para viver sem medo.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Giovanna: Primeiro, é necessário enquadrar, de maneira mais qualificada, os crimes de LGBTfobia. Sabemos que os números são subnotificados e muitas vezes os agressores não são punidos. Para além disso, precisamos parar de normalizar as micro e grandes agressões que acontecem diariamente no dia a dia. Precisamos de vozes que nos representem nos espaços de poder e que não tenham medo de corrigir ou desmentir qualquer LGBTfóbico que nos desrespeite.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Giovanna: Assim como diversas políticas brasileiras, esta é uma que não tem tanta efetividade porque não é feita maneira correta. Sabemos que a população LGBT sempre foi deixada de lado pela maioria dos governos. E durante os anos de Bolsonaro, muito se perdeu dos cuidados com a PrEP. A grande realidade é que precisamos garantir que as informações sobre a PrEP cheguem de maneira efetiva na população LGBTQIAPN+, que tenhamos materiais sendo produzidos para essa conscientização e também produtos que realmente pensem em todos os tipos de relações para garantir a prevenção ideal (maneiras de prevenção, por exemplo, também para mulheres que se relacionam com mulheres que não se reduzam à adaptação de preservativos masculinos). E claro, garantir o treinamento de profissionais de saúde para orientar e atender da melhor maneira possível o público LGBT sobre a PrEP e outros assuntos.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Giovanna: Desastroso! Para dizer o mínimo. O governo de Bolsonaro é um verdadeiro desserviço para nós LGBTs, e qualquer LGBT que esteja ao lado dele é também um completo desserviço para a nossa sobrevivência.

Jair Bolsonaro é incompetente, racista, machista e LGBTfóbico. Sempre deixou muito claro seus objetivos em nos explorar, violentar e matar. É urgente que a gente tire ele do poder e deixe ele no único lugar que lhe pertence: a lata de lixo da história.

GB: Basta apenas ser uma candidatura LGBT para ser representativo?

Giovanna: Não. Lélia Gonzalez já disse antes sobre como não basta apenas o papo de “mulher vota em mulher” é preciso ser uma mulher de luta e que defenda verdadeiramente os direitos das mulheres. O mesmo acontece com os LGBTs, não basta ser LGBT, tem que lutar pelos nossos direito e não se aliar com aqueles que nos querem mortos. Nossa voz e nossa vida são nossas resistências.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)