A sigla “LGBT” surgiu nos anos noventa, nos Estados Unidos, visando incluir um número maior de pessoas que não necessariamente se enquadravam como “gays”, termo utilizado para se referir a comunidade nos anos oitenta.

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Bem no início, a sigla era apenas “LGB”, para lésbicas, gays e bissexuais. Posteriormente surgiu o “T” para agregar também os transexuais, transgêneros e travestis.

Os anos se passaram, a diversidade foi ganhando cada vez mais visibilidade e outras letras foram “chegando”, justificando também o “+” no final da sigla para todos aqueles que não se enquadram nas letras iniciais.

Pensando nisso, decidimos selecionar um filme que represente cada uma das letras. Afinal, a arte imita a vida e existem excelentes produções cinematográficas que abordam estes temas.

LÉSBICAS: O PERFUME DA MEMÓRIA (2016)

O Perfume da Memória é um longa-metragem brasileiro inspirado na música homônima de Oswaldo Montenegro, que também dirigiu o filme. Basicamente, a Ana é apaixonada por Laura, mas tem um misterioso segredo que pode gerar um conflito entre as duas. Será que o amor é capaz de superar essa angústia?

Com excelente trilha sonora, visível química entre as duas protagonistas, um pouco de poesia e uma significativa legião de fãs que assistiu esse filme “um milhão” de vezes, esta é, sem dúvidas, uma linda história de amor.

GAYS: DE REPENTE, CALIFÓRNIA (2007)

Querendo sair um pouco dos filmes mais óbvios como “Brokeback Mountain” (que é excelente também), escolhemos para representar a letra “G” o De Repente, Califórnia.

Contando a história do jovem surfista Zach que se apaixona pelo irmão mais velho se seu melhor amigo, Shaun. O protagonista acaba entrando em conflito com si mesmo, buscando compreender não só seus sentimentos, como a aceitação da sua sexualidade.

Sendo uma bonita história romântica com algumas doses de dramas, ele é aquele típico filme “leve”, divertido e, porque não, apaixonante pra muita gente.

BISSEXUAIS: MARIO, KIKE E DAVID (2016)

Este é um curta-metragem espanhol especialmente dedicado a bissexualidade. Misturando drama, romance, documentário e algumas doses de humor, dois homens ficam conversando de modo bem divertido sobre o “corpo feminino”.

Além das boas risadas e algumas cenas bem “picantes”, há alguns momentos emocionantes, já que há também um terceiro homem nessa história que não contaremos aqui para evitar spoilers.

O interessante é que o orçamento é visivelmente baixo, mas o diretor Miguel Lafuente conseguiu “transmitir a mensagem” mesmo com poucos recursos e “tirando leite de pedra”. Excelente.

TRANSEXUAL MULHER: A GAROTA DINAMARQUESA (2015)

A Garota Dinamarquesa é uma verdadeira “aula” sobre gênero, orientação sexual e também conta a história da primeira mulher que passou pela cirurgia de mudança de sexo que se tem conhecimento, Lili Elbe.

Ele não chega a ser um retrato 100% fiel da história de Lili, o que levou a algumas críticas daqueles que esperavam uma cinebiografia, mas toca em assuntos muito relevantes.

Com excelente atuações, sendo que Eddie Redmayne chegou a ser indicado ao Oscar; belíssima direção e uma história envolvente, este é obrigatório aos que querem conhecer um pouco mais sobre a transexualidade. É o típico filme a mostrar a aqueles que não entendem do assunto, mas estão dispostos a aprender um pouco mais.

TRANSEXUAL HOMEM: MENINOS NÃO CHORAM (1999)

Clássico de Hollywood, Meninos Não Choram também conta a história de um homem transexual que existiu: Brandon Teena.

Bastante dramático e “pesado”, ele é um retrato do que os LGBTs, em especial os transexuais, podem passar ao longo da vida. Aborda questões como preconceito, discurso de ódio, crimes de transfobia e homofobia, transtorno de identidade, relação entre classes sociais, inter-raciais também.

Uma forte crítica a sociedade e (infelizmente) bastante realista, o título do longa acaba por ser um desafio ao próprio espectador. Difícil não se emocionar.

QUEER: O AMOR É ESTRANHO (2014)

Representando a letra “Q”, os Queers, este foi um dos mais difíceis de selecionar para essa lista, já que o termo é usado para representar qualquer pessoa que não segue o binarismo de gênero.

O Amor É Estranho conta a história de dois homens que, após quarenta anos juntos, decidem se casar e, curiosamente, é esta última atitude que libera o preconceito da sociedade ao redor de ambos. A homossexualidade dos dois jamais foi escondida e, até então, não era um problema.

Saindo um pouco das histórias de pessoas que estão “descobrindo” a sexualidade, e mostrando mais um pouco o cotidiano, este é um longa-metragem que merece um espaço nessa lista.

INTERSEXUAIS: XXY (2008)

Intersexuais são as pessoas que antigamente eram conhecidas como hermafroditas, ou seja, que nascem com características dos dois sexos.

O longa metragem “XXY” conta justamente a história de Alex, que nasceu com ambas as características sexuais e os médicos oferecem aos pais uma “correção” (aspas) da ambiguidade genital do recém-nascido, mas os pais não deixam por acreditar que seria uma violência a um corpo tão pequeno.

Só que anos mais tarde Alex, com 15 anos, se apaixona por um menino de 16. Como lidar com a questão da intersexualidade e sua paixão?

ASSEXUAIS: PAPER HEART (2009)

Paper Heart é um longa norte-americano estrelado por Charlyne Yi, que escreveu e produziu o próprio filme e, segundo ela, conta a história dela mesma.

Como os filmes sobre assexuais são muito raros (sendo uma excelente oportunidade para novos cineastas explorarem), este aqui foi o que mais se aproximou da assexualidade. Afinal, Yi é uma menina inteligentíssima que não entende um único assunto: o amor.

Por essa razão, ela resolve conversar com pessoas diversas sobre esse assunto, e cada um oferece sua própria visão sobre “o que é amor”. Meio ficção, meio documentário.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".