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No início dos anos 70, homossexuais na Argentina eram internados em hospitais psiquiátricos, torturados e presos pela polícia; ridicularizado e assediado pela família, igreja, escola e local de trabalho. Diante disso, um grupo de homossexuais decidiu enfrentar politicamente a moralidade repressiva da sociedade. A história está no documentário “Amor y Revolución”, em cartaz até domingo (18) no festival “É tudo Verdade”, pela plataforma Sesc Digital. O acesso é gratuito.

Com direção de Ernesto Ardito, o doc mostra como alguns homossexuais fundaram a Frente de Libertação Homossexual (a organização que plantou a bandeira da libertação sexual e da luta contra a repressão policial que perseguia qualquer indício de dissidência dos corpos) e outros decidiram aderir a organizações revolucionárias.

Reprodução

O paradoxo, escreve o site GPS audiovisual, é que sua dissidência sexual também fez com que fossem discriminados e separados por muitos partidos de esquerda. O espírito de transformação social da época ainda não estava pronto para eles.

Com o advento da ditadura e a sentença de morte para os homossexuais, virá a mais sinistra homofobia. As histórias dos sobreviventes são uma fonte fundamental de denúncia, que vão mostrar o quanto o ser humano pode ir em sua sede de intolerância.

“Muitos não conhecem a história dos protagonistas da luta histórica pela conquista desses direitos. Por isso, a principal motivação do filme foi construir uma ponte de memória entre as duas gerações. E que se percebe que a luta nunca pode baixar os braços, porque a intolerância persiste além das ditaduras, o nazismo persiste além do Holocausto. A construção de um outro diferente daquele a ser destruído está na base de muitas ordens e sempre volta à superfície. O nazismo está associado a monstros humanos como Hitler, Mengele ou Videla. Mas os monstros são muito poucos para serem realmente perigosos; mais perigosos são os homens comuns que constroem um nazismo diário. Primo Levi, o escritor italiano sobrevivente de Auschwitz afirma que ‘Tudo o que aconteceu pode acontecer de novo, que as consciências podem ser seduzidas e nubladas de novo: as nossas também'”, disse ao site GPS o diretor Ardito.

Ernesto Ardito/ Reprodução




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Jornalista pela Universidade Federal de MS, foi repórter de economia e hoje, além de colaborar para o Gay Blog Br, é servidor público em Joinville (SC). Escreveu ''A Supremacia do Abandono'', livro disponível em amazon.com.br.