É muito comum documentários seguirem uma linha “chapa branca”, em que é reforçado os pontos positivos do protagonista sem dar muito enfoque para as passagens negativas. Isso não ocorre no documentário George Michael: Freedom, sobre o cantor e compositor George Michael, lançado no final de 2017 e que passou despercebido para muitas pessoas, embora tenha participado do festival Queer Lisboa em Portugal.

Codirigido pelo próprio Michael, a obra estava praticamente pronta quando o cantor e compositor britânico faleceu no dia 25 de dezembro de 2016. É um documentário sincero, que mostra um outro lado do cantor nunca antes visto, através de várias imagens raras de arquivo, entrevistas, em que a vida pessoal e profissional é mostrada sem rodeios.

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Repleto de depoimentos de famosos como de Elton John, Stevie Wonder, Liam Gallagher, Mary J. Blige e vários outros, além, é claro, das maiores top-models da época como Naomi Campbell e Kate Moss, que fizeram o clipe Freedom ao lado do cantor.

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Dentre as imagens de arquivo, não poderia ficar de fora o duo Wham, o primeiro projeto musical do cantor na companhia do amigo de infância Andrew Ridgeley, até a transição para a carreira solo no álbum Faith em 1987, que fez um tremendo sucesso na época, vendendo mais de 20 milhões de cópias e batendo de frente com outros astros campeões de vendas como Madonna, Michael Jackson e Prince.

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Polêmico, ele travou uma guerra judicial com a sua gravadora na época, a Sony, que durou anos e não terminou bem para o cantor/compositor, que estava no limite da sanidade quando divulgou por quase um ano a turnê do disco Faith em 1988, fazendo exigências em relação ao próximo álbum que judicialmente só prejudicou a carreira de Michael. Essa briga entre gigantes é também mostrada no doc, sob o ponto de vista de ambos os lados da história.

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O início dos anos noventa também não foi fácil para o astro, durante a sua apresentação no Rock in Rio em 1991, ele conheceu seu grande amor, o estilista brasileiro Anselmo Feleppa, vivendo uma paixão avassaladora. Feleppa descobriu seis meses depois que era portador do vírus HIV, vindo a falecer em 1993, deixando o cantor arrasado com a perda. A música ‘Jesus to a Child’ do álbum Older foi dedicada para o seu grande amor. Essa relação também é mostrada através de imagens de arquivo em que Michael, inclusive, cuidou do estilista nos seus últimos momentos de vida. Outra perda marcante foi a morte da mãe do artista em 1996, de quem era muito próximo e que também é abordado na obra.

Anselmo Feleppa e George - Reprodução
Anselmo Feleppa e George – Reprodução

A obra também não poupa os escândalos pessoais na vida do cantor e muito menos a sua orientação sexual, desde o envolvimento com drogas e a depressão após essas perdas pessoais. Além da beleza, George Michael era um homem de talento, não ficou apenas no pop do Wham, mas passou pelo rock, black music, jazz, baladas românticas e outros estilos musicais. Também fez regravações marcantes de canções do Queen e Stevie Wonder, ou mesmo no dueto incrível com a diva Aretha Franklin.

Acima de tudo, é um documentário emocionante, principalmente para quem é um admirador da carreira do artista, que começou nos criativos anos 80 e se manteve no showbusiness devido ao talento, beleza e carisma, deixando ao longo de quase quatro décadas de carreira um legado musical que vale ser lembrado através desse tributo.

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George Michael morreu aos 53 anos, na sua casa em Oxfordshire, Inglaterra, ele vivia um relacionamento com Fadi Fawaz que não é citado no documentário. Michael era envolvido com organizações solidárias relacionadas a AIDS, câncer e à organização Childline, que presta aconselhamento confidencial por telefone a jovens. Além disso, ele também atuou como voluntário em um abrigo de sem-teto.

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