Publicado em 1914 e atribuído ao pseudônimo Capadócio Maluco, a obra “O Menino do Gouveia” voltou a circular nas redes sociais como peça de arquivo da literatura homoerótica brasileira. O fac-símile da edição original apresenta a obra como número 6 da coleção “Contos Rápidos”, ligada à Casa Editora Cupido & Comp., com referência à Ilha de Vênus.
O conto costuma ser citado por pesquisadores como um dos marcos iniciais da ficção homoerótica no Brasil. Como exemplo, em artigo publicado na revista “Projeto História”, o pesquisador Valmir Costa afirma que “O Menino do Gouveia” foi lançado em fevereiro de 1914 e identifica a obra como vinculada à revista erótica “O Rio Nu”, que circulou entre o fim do século 19 e o início do século 20.
A leitura atual exige contexto. O texto traz linguagem sexual explícita, vocabulário de época e representações hoje incompatíveis com parâmetros contemporâneos de proteção de crianças e adolescentes. Por isso, sua publicação em fac-símile deve ser entendida como documentação histórica, literária e jornalística.
Na abertura, a narrativa apresenta Bembem, personagem que conta sua trajetória ao narrador. O texto se organiza em tom confessional e satírico, com marcas da pornografia popular impressa do período. Mais do que uma obra literária nos moldes atuais, “O Menino do Gouveia” ajuda a observar como desejos entre homens eram descritos, explorados e ridicularizados na cultura urbana da Primeira República.
O nome Gouveia também tem trajetória anterior ao conto. Segundo Costa, a figura apareceu em narrativas publicadas por “O Rio Nu” desde 1906 e se relaciona a um episódio real noticiado pela imprensa carioca, que teria transformado o nome em gíria e lenda urbana no Rio de Janeiro daquele período.
[Aviso editorial]
O documento disponível abaixo contém linguagem sexual explícita, termos hoje considerados ofensivos e representação envolvendo personagem adolescente. A publicação tem finalidade documental, jornalística e de pesquisa histórica.
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