O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro, realiza em junho a terceira edição do festival “Identidade em Cena” com programação dedicada a experiências LGBTQIA+ nas artes cênicas, no cinema, nas artes visuais e no debate público. As atividades integram o calendário do Mês do Orgulho e seguem até 30 de junho, com eventos distribuídos entre teatro, salas de exibição, galerias e encontros com convidados.
A proposta do festival parte de temas como memória, pertencimento, violência, exclusão e criação artística. Em vez de tratar identidade como rótulo único para artistas e obras, a programação reúne pesquisas e linguagens que atravessam diferentes formas de representação, com atenção a histórias marcadas por apagamentos, permanências e produção cultural.
“Inserido em uma instituição vinculada ao Poder Judiciário, a 3ª edição do ‘Identidade em Cena’ dialoga com as discussões contemporâneas do Estado sobre cidadania, reconhecimento e respeito à comunidade LGBTQIAPN+, transparecendo a importância das instituições públicas na promoção da dignidade e do acesso plural à cultura”, afirma Maria de Oliveira, diretora da Divisão de Cultura do CCJF.

Nas artes visuais, duas exposições ficam em cartaz até 21 de junho. “Falso Brilhante”, de Wilson Piran, tem curadoria de Marcus Lontra e Rafael Peixoto e dialoga com a pop art e com questões associadas à chamada Geração 80. A exposição discute o excesso de imagens na sociedade atual e seus efeitos na formação de discursos, identidades e imaginários.
Também integra a programação a coletiva “Morro pela Boca, Vivo pelos Olhos’” com obras de Breno de Sant’ana, Danilo Howat, Hansen, Luiz Sisinno, Marcus Lemos, Saulo Martins, Sema e Vix Palhano. Com curadoria de Juan Santoli, a mostra propõe uma abordagem sobre produção artística no contexto da história da arte brasileira queer.
No teatro, o festival apresenta “Filipa”, em cartaz no CCJF de 5 a 28 de junho, de sexta a domingo. A peça parte da história de Filipa de Sousa, mulher acusada, em 1592, de manter relações amorosas e sexuais com diferentes mulheres na sociedade baiana. Presa, açoitada, humilhada em público e degredada, Filipa é hoje lembrada como uma das primeiras vítimas documentadas de perseguição sexual no Brasil e como referência histórica para a visibilidade lésbica e o enfrentamento à LGBTfobia.
A programação de cinema começa em 6 de junho, com a exibição do documentário “Do Armário para as Ruas”, no Cinema do CCJF. O filme aborda a situação de pessoas LGBTQIAPN+ em situação de rua, tema atravessado por exclusão social, preconceito, discriminação e falta de políticas de acolhimento.
No dia 9 de junho, o projeto “Cinelândia, Cinema na Rua” exibe o documentário “Divinas Divas”, dirigido por Leandra Leal. O filme reúne trajetórias de artistas transformistas que atuaram na cena cultural brasileira e participaram da construção de espaços de expressão, convivência e trabalho artístico para diferentes gerações.
Em 23 de junho, o CCJF recebe a roda de conversa “A importância do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+”, com convidados. O encontro propõe um espaço de diálogo entre militância, academia e público sobre cidadania, reconhecimento e políticas de acolhimento.
No dia seguinte, 24 de junho, será realizado o “Cinedebate Azul”, que apresenta a história de Celine, uma jovem cantora atravessada pela morte da namorada. A atividade amplia a presença do audiovisual na programação e relaciona memória afetiva, luto e experiência lésbica.
“O palco sempre foi um espaço de encontro, escuta e troca. O ‘Festival Identidade em Cena’ chega ao CCJF reafirmando um princípio que atravessa a nossa curadoria: a defesa da diversidade como valor essencial para uma sociedade verdadeiramente democrática. O festival abre espaço para histórias LGBTQIA+ que, durante muito tempo, foram silenciadas, apagadas ou colocadas à margem”, afirma Thays Acaiabe, do Setor de Artes Cênicas e Audiovisual do CCJF.
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