Antes da fragmentação digital da celebridade e da erotização algorítmica das redes sociais, a G Magazine ocupava um espaço singular na cultura pop brasileira. A revista funcionava como território de consagração para parte dos galãs da televisão aberta, convertendo atores de novela em símbolos de desejo de circulação nacional e projetando, para além da dramaturgia, uma masculinidade construída entre o mercado editorial, o imaginário televisivo e a curiosidade pública em torno da nudez masculina.
Foi nesse contexto que Cláudio Andrade posou nu para a publicação em 2008. À época, o ator começava a consolidar espaço na Globo após participações em produções como “Senhora do Destino” e “Eterna Magia“, integrando uma geração de intérpretes cuja imagem pública ainda dependia fortemente da televisão aberta, das revistas impressas e da fabricação clássica do galã brasileiro.



Agora escalado para “Quem Ama Cuida”, próxima novela das 21h da Rede Globo, Andrade voltou a comentar o ensaio em entrevista à coluna Play, do jornal O Globo. “Foi uma fase da vida. A imaturidade nos leva por alguns caminhos, mas não me arrependo. Meu ensaio teve um aspecto muito artístico. Eu escolhi o fotógrafo e a produção. Hoje, maduro, pai de família e com uma consciência artística diferente, eu admito que não faria, mas encaro com naturalidade”, afirmou.
A declaração recupera um momento específico da indústria do entretenimento brasileira. Entre o fim dos anos 1990 e o início da década seguinte, a nudez masculina deixou de circular apenas em nichos discretos do mercado editorial e passou a integrar, de maneira mais explícita, o circuito da cultura de massa. A G Magazine ajudou a consolidar esse movimento ao transformar atores, atletas, cantores e participantes de reality shows em personagens recorrentes de uma fantasia coletiva mediada pelas bancas de jornal.




Embora direcionada ao público gay masculino, a revista frequentemente ultrapassava o próprio segmento e entrava na pauta da imprensa tradicional. Capas envolvendo nomes ligados à televisão aberta repercutiam em programas de auditório, colunas sociais e revistas de celebridades, num período em que o corpo do galã ainda funcionava como extensão direta do star system televisivo. O ensaio de Cláudio Andrade pertence justamente a essa lógica cultural.


Dos tatames às novelas
Natural de Aracaju, em Sergipe, o ator nasceu em 4 de janeiro de 1984 e iniciou trajetória artística após tentar ingressar em Malhação. O teste não resultou em papel na série adolescente, mas chamou a atenção do diretor Wolf Maya, que o levou para a dramaturgia da Globo. Nos anos seguintes, Andrade acumulou trabalhos em novelas como “Caras & Bocas”, “Além do Horizonte” e “Êta Mundo Bom”, quase sempre associado a personagens de forte presença física.
Fora da televisão, manteve ligação contínua com o universo esportivo. Antes de consolidar a carreira artística, trabalhou como instrutor de muay thai e praticou modalidades como boxe e luta livre, trajetória que contribuiu para a construção da imagem corporal explorada em editoriais, campanhas e ensaios ao longo dos anos 2000.

Nos últimos anos, o ator também passou a ser citado com frequência por Edwin Luisi. O veterano da televisão brasileira já declarou publicamente considerar Cláudio como filho e afirmou que os dois mantêm uma relação familiar construída ao longo de décadas.
Em “Quem Ama Cuida”, Cláudio Andrade interpretará Marcão, chefe de segurança ligado ao personagem de Antônio Fagundes.
Trigêmeos que posaram na G Magazine são relembrados como ‘Três Graças’ da web gay
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