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Entre rosários, miniaturas papais e lembranças religiosas espalhadas pelas lojas próximas ao Vaticano, um item desperta paixão e desejo há anos em turistas na Itália: o Calendário Romano, conhecido informalmente como o calendário dos “padres gatos”.

A publicação se tornou um dos souvenirs mais adorados ao reunir retratos em preto e branco de jovens usando colarinhos clericais e vestes associadas ao universo católico. A imagem austera, porém cuidadosamente construída, ajudou a transformar alguns rostos em símbolos do projeto. Um deles, talvez o mais reconhecido, acaba de recolocar o calendário sob novos olhares.

Giovanni Galizia, por Piero Pazzi - Reprodução
Giovanni Galizia, por Piero Pazzi – Reprodução

Após uma reportagem do jornal italiano La Repubblica levantar dúvidas sobre a autenticidade dos homens retratados, o modelo Giovanni Galizia confirmou nunca ter sido padre, apesar de ter se tornado, ao longo dos anos, uma das imagens mais associadas ao produto.

Em entrevista à Associated Press (AP), o italiano afirmou jamais ter frequentado seminário ou integrado o clero, desmontando parte do imaginário que se consolidou em torno do calendário. A revelação trouxe um vespeiro de perguntas sobre um produto que, há mais de duas décadas, circula entre turistas e curiosos como uma mistura improvável de iconografia religiosa, apelo sensual e cultura popular.

Atualmente, com 39 anos e trabalhando como comissário de bordo de uma companhia aérea espanhola, Galizia diz olhar a experiência sem dramatização. Quando posou para a fotografia, ainda adolescente, tinha 17 anos e vivia em Palermo, na Sicília. Segundo contou à jornalista Colleen Barry, a cena estava longe da solenidade sugerida pela imagem que mais tarde circularia mundo afora.

“Era o sorriso de um garoto envergonhado, porque vi todos os meus amigos à minha frente rindo alto, já que eu estava vestido como se fosse padre”, afirmou à AP ao recordar o ensaio que acabaria reaproveitado em diferentes edições do calendário.

O projeto, criado pelo fotógrafo italiano Piero Pazzi reúne 12 retratos masculinos, muitos deles repetidos ano após ano. Ao comentar a controvérsia à AP, Pazzi afirmou que ao menos um terço dos homens retratados na edição de 2027 pertence efetivamente ao clero, sem detalhar identidades ou apresentar documentação.

Embora frequentemente associado ao Vaticano pelo local onde é vendido e pela estética clerical, o calendário não possui qualquer ligação institucional com a Santa Sé. Procurado pela AP, o Vaticano recusou comentar o caso e reiterou que a publicação é independente. Vendido em bancas e lojas do centro histórico romano, a “lembrancinha” custa cerca de oito euros (aproximadamente R$ 47, na cotação da data desta matéria) e, segundo o criador, segue comercializando milhares de exemplares por ano.

Para Galizia, a discussão sobre autenticidade não invalida a proposta visual do projeto. À agência, ele comparou a experiência ao trabalho de atores que interpretam religiosos no cinema ou na televisão e afirmou enxergar nas imagens um contraste deliberado entre referências do “sagrado” e do “profano”. Também rejeitou a leitura de que o calendário tenha sido concebido como algo sensual, embora reconheça a fama construída em torno dele.

Ainda assim, preferiu encerrar o assunto com humor: “Conseguir ser sexy com um colarinho de padre não é tarefa fácil”, afirmou.

Calendário Romano por Piero Pazzi - Reprodução
Calendário Romano por Piero Pazzi – Reprodução



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