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Na próxima sexta-feira (29), às 14h, o Museu da Diversidade Sexual (MDS) inaugura presencialmente a exposição “Orgulho e Resistências: LGBT na Ditadura”. Com curadoria de Renan Quinalha, a mostra é dedicada à preservação de referências das memórias da resistência e repressão política do Regime Militar.

Museu da Diversidade Sexual retoma atividades presenciais com expo "Orgulho e Resistências: LGBT na Ditadura”
Foto: Romulo Fialdini



A exposição faz um recorte sobre as relações entre autoritarismo e diversidade sexual e de gênero. Para Franco Reinaudo, diretor do Museu da Diversidade Sexual, a exposição é fundamental “para recuperar a memória da nossa comunidade e das pessoas LGBT+ que lutaram pela nossa democracia e liberdade durante a ditadura, um período marcado pela repressão, mas onde sempre existiu resistência e orgulho”.

Além de demonstrar a narrativa da repressão durante a ditadura, a exposição resgata uma série de ações que surgiram, neste período, em defesa da diversidade. Obras literárias, cartazes de peças de teatro, músicas, filmes, fotografias e materiais que confrontavam a censura na época, além de documentos oficiais da ditadura, integram a mostra.

Um desenho inédito da cartunista Laerte Coutinho, que representa a pluralidade de gêneros, é um dos destaques da exposição. Mesmo em um contexto de repressão, a exposição aborda os primeiros passos do movimento LGBT+ no Brasil. Além disso, uma série de fotografias mostra a sociabilidade de homossexuais e travestis na região central da cidade de São Paulo.

A exposição também retrata a divisão da comunidade devido ao poder aquisitivo. A “Boca do Luxo”, nas proximidades dos bairros República e Vila Buarque, era uma área frequentada por quem tinha melhores condições. Separados pela desigualdade de renda, existia a “Boca do Lixo”, em Santa Ifigênia, que ficou conhecida como a maior região de prostituição da história de São Paulo. “A Boca do Lixo ocupava exatamente a região onde o Memorial está e vamos exemplificar uma série de ações repressivas que aconteciam neste local por meio de imagens de arquivos policiais, das prisões, recortes de matérias de jornais”, explica Renan.

O Ato do Somos – Grupo de Afirmação Homossexual, em abril de 1980 nas ruas de São Paulo contra a violência à comunidade LGBTQ (Foto: Rprodução)

Além disso, a exposição aborda as operações de prisão e “higienização moral” que ocorreram no período da ditadura contra a população LGBT+; a resistência na década de 60 e 70 e arte transgressora do grupo Secos e Molhados. O público também poderá conferir a constituição do movimento LGBT+ no Brasil, organizado a partir de 1978. Por fim, a exposição traça uma linha do tempo e as conquistas da comunidade ao longo dos anos.

“A proposta desta exposição de conduzir e mudar o olhar para o passado diz respeito também ao desejo de olhar para o presente, a fim de buscar meios para que uma determinada versão da moral e os bons costumes não volte a ter o mesmo peso que teve há tão pouco tempo entre nós”, afirma Renan.

Serviço:

Local: Museu da Diversidade Sexual
Estação República do Metrô, atrás da bilheteria. Piso Mezanino, loja 518
Abertura: 29 de outubro às 14 horas
Funcionamento: Terça a domingo das 10 horas às 18 horas
Classificação Indicativa: Livre
Ingressos: Gratuito
Capacidade de até de 70%

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

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