Segundo EP de Caio Dias tem parceria com MC Xuxu

Com sonoridades que conheceu entre suas passagens pelo Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, regiões onde morou, o artista viaja musicalmente pelo país e traz parceria com Mc Xuxu

Mais imerso em sua carreira do que nunca, em seu segundo EP, Caio Dias, o cantor aprofunda-se em si e em suas influências. Arriscando mais ritmos e misturas de elementos de gêneros superpopulares como popfunk, forró, arrocha, trap, entre outros, ele apresenta uma identidade mais concisa do artista.

caio dias
Foto: Divulgação/George Lucas

O cantor, que sempre falou abertamente sobre sua sexualidade, também mergulhou de cabeça na união artística LGBT. O clipe do primeiro single do compilado Caio Dias, “Resistência”, contou com amigos pessoais e seguidores do artista no elenco que trouxe pessoas de diversas sexualidades e expressões de gênero.

A parceria com a funkeira Mc Xuxu, na música TransPiração foi perfeita para esse fortalecimento enquanto pessoa de sexualidade divergente da norma. “A causa LGBTQ é uma causa que não tem como eu rejeitar, porque é quem eu sou, apesar de eu sozinho não representar todo mundo que se encaixa na sigla, claro”, ressalta Caio.

Brega é pejorativo?

Produzido por Blakbone, o repertório do EP flutua por influências que buscam impulsionar particularidades da música brasileira. Uma das inspirações de Caio que foi referência para a construção do trabalho é Sidney Magal, ícone nacional no qual o artista vê grande sintonia com referências da música atual, que expande sonoridades até então tidas como locais. “Vejo nele uma das melhores personificações de toda a aura latina sem perder a cara do Brasil. Esse personagem do homem que assume uma posição de dominar e mostrar sua sensualidade, mas que por muito tempo foi pejorativamente chamado de brega, conversa muito com a minha proposta de que as pessoas tenham autonomia de seus corpos e não sintam vergonha de usá-lo como quiserem independente de reações depreciativas”, reflete.

 Faixa a Faixa

Pra Ficar: A composição abre o EP exaltando uma das culturas mais ímpares da extensa bagagem artística brasileira: o forró. Com elementos do funk – um dos gêneros pelo qual Caio experimenta sonoridades desde seu primeiro EP, Funk Tropical – a música upbeat introduz o clima de alegria, animação e descontração que Caio propõe.

TransPiração: Com o funk como universo sonoro frequente, Caio notou que o termo “novinha”, muito comum nas letras do gênero, nunca era associada a uma mulher trans. Inspirado pelo pensamento, ele compôs TransPiração, canção que ganhou vida ao lado da funkeira Mc Xuxu. “Quisemos fazer um som bem chiclete, que não deixa passar batida a questão dela ser uma artista trans sim, mas que ao mesmo tempo pode ser uma música consumida só como entretenimento. Foi a forma que encontramos de trazer representatividade e ao mesmo tempo mostrar que podemos fazer uma música ‘comum’, pois somos comuns, normais”, explica Caio.

Vem Cá: A música encaixada no meio da tracklist atinge o ponto mais pop do compilado. Buscando uma sonoridade mais ambiente, chill out, Vem Cá traz essa quebra na estética sonora do EP, contrapondo as músicas anteriores com efeitos mais brandos aos ouvidos, mas sem perder o clima positivo que o artista tanto busca.

Descendo: Criada com efeitos comuns a entusiastas da música eletrônica e clubbers em geral, a track desenvolve-se permeada por elementos do funk. Descendo leva o público ao ambiente de flerte da vida noturna, cenário dinâmico – característica conferida pelos beats da faixa – que o artista equilibra com vocais sem exageros, de forma a exaltar a sensualidade que a letra agrega.

Resistência: Encarregada de encerrar tracklist, Resistência, exalta nos versos a força emocional de uma habilidade que por vezes é esquecida: “o poder do ‘não’ em situações tóxicas pra gente,  conta Caio. Lançado em abril, o primeiro single do EP veio acompanhado de clipe, que traduziu a letra pras artes visuais através do conflito de dois grupos que buscam entender-se afetivamente.

Trajetória: Goiânia foi o palco da descoberta de Caio como cantor e ponto de origem do grupo de samba “Baú Novo”, fundado pelo cantor. Ao lado de mais 6 integrantes, a banda fez “samba pra quem tá vivo”, como propunha o projeto, de 2012 a 2015. Nesse período, integraram a line-up de diferentes festivais regionais como o 2º Brasil Park Festival, em 2012, o 5º FAMU (Festival Anapolino de Música), em 2013, ambos em Anápolis, além de participação no São Paulo Exposamba de 2013, maior mostra do país sobre o estilo musical.

Seguindo um processo de experimentação musical e territorial, foi no clima quente da cidade de Maceió que nasceu o EP de estreia “Funk Tropical”, que rendeu os clipes dos singles “Só vai bastar” e “Freelance”. Permeado por efeitos clássicos da música pop, o trabalho apresenta uma miscelânea de funk carioca, influências do jazz e ritmos latinos como reggaeton e salsa. “Meu estilo musical é uma vitamina, uma mistura”, brinca.

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