Entrevistamos Gabeu, o ~princeso~ do pocnejo

Conversamos com o Gabeu para estudarmos a semiótica de "Amor Rural". 

Com apenas cinco dias de carreira, Gabeu, de 21 anos, acumula mais de 130 mil views no Youtube com o single “Amor Rural“. Filho do sertanejo Solimões (que faz dupla com Rionegro), Gabriel Felizardo empodera o gay caipira pós-Brokeback Mountain com o que podemos chamar de pocnejo, uma sofrência da sofrência, mas com pitadas de humor.
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Conversamos com o Gabeu para estudarmos a semiótica de “Amor Rural”.
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– Princeso, o que você fazia antes de se lançar como cantor?
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Gabeu: Sou formado em Cinema pela Academia Internacional de Cinema. Sou diretor e editor, já atuei como diretor de arte e produtor em curtas de ficção e documentários. Com a bagagem que eu trouxe do Cinema, pude realizar o videoclipe de Amor Rural participando de todas as etapas de produção, desde o roteiro até a finalização. Hoje estou cursando Produção Musical, afim de buscar ainda mais autonomia pro meu trabalho.
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– Você cresceu no campo?
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Gabeu: Eu nasci na cidade de Franca, interior de São Paulo. Fui criado em zona urbana a vida inteira. Minha vida rural acontecia aos fins de semana, quando a família ia para a fazenda. Às vezes iam primos da minha idade junto comigo, outras vezes eu ia apenas com meu pai, e era bem divertido. Eu me lembro que eu gostava muito de uma roda d’água que tinha na fazenda e de como pra mim era uma aventura chegar até lá, porque tinha que andar um tanto bom, descer um barranco íngreme e úmido. Eu gostava de dar espiga de milho pra vaca com meu pai, gostava de andar a cavalo (na garupa porque ao mesmo tempo eu tinha muito medo), mas o que eu mais amava de fato era que tinha uma mata atrás da casa, com árvores muito altas. Meu pai pegava um rodo e ia “limpando” o caminho e fazendo uma estradinha de terra, aí eu pegava meu caminhãozinho e pronto, era minha cidadezinha. E apesar de me divertir muito na fazenda quando eu era criança eu sempre gostei muito de estar na cidade também, gostava muito de ir pra São Paulo visitar minha família ou acompanhar meu pai em algum show. Hoje eu moro em São Paulo, me mudei há uns três anos pra estudar e aqui estou.
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– Tem namorado?
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Gabeu: Sim, ele se chama Well Bruno e, inclusive, participou muito ativamente desse primeiro projeto. Ele é roteirista e social media, então nessa parte que eu não domino muito, ele ajudou demais, principalmente no desenvolvimento de um plano de marketing e estratégias de lançamento através da sua assessoria que se chama Nanica. E ele é uma pessoa muito companheira que está sempre me encorajando e me incentivando, ele me faz muito feliz.
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Ele é do tipo que gosta muito de conversar

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– Amor Rural foi inspirada em uma história real? 
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Gabeu: Não é nada inspirada em uma história real. Amor Rural surgiu como uma brincadeira, quando o Well descobriu que eu era filho do Solimões. Na época, a gente ainda estava ficando, se conhecendo, mas ele já sabia que eu cantava e compunha. Quando ele descobriu quem era meu pai, ficou chocado e depois de uns dias ele me mandou o refrão da música. Eu achei aquilo genial. Eu disse a ele “a gente precisa escrever essa música toda”. E aí, com aquele refrão pronto, eu me senti muito inspirado para compor o restante da canção.
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– Qual foi a reação do seu pai quando ouviu o single pela primeira vez?
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Gabeu: Meu pai entrou no estúdio comigo no dia de gravar os vocais. A composição e a melodia já estavam fechadas. Ele não sabia do que se tratava a letra, sabia apenas o nome da música e a primeira vez que ele ouviu foi no estúdio, no dia da gravação. Ele achou a composição muito inteligente, gostou do humor que a música traz e até deu dicas mais técnicas na hora de gravar a minha voz.
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– Podemos esperar um feat com seu pai e/ou outros cantores?
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Gabeu: Em relação ao meu pai não temos nada previsto, mas não descarto a possibilidade, até porque meu pai já tem uma carreira consolidada e eu sinto que preciso descobrir o meu espaço e me encontrar artisticamente. Eu já estou de olho em um artista ou outro, mas nesse primeiro  momento é importante que eu me apresente para que as pessoas entendam o que eu me proponho a produzir.
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– Quais são suas maiores influências musicais?
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Gabeu: Eu tenho uma playlist muito variada. Minha diva mor é e sempre foi a Lady Gaga, por toda a mensagem que ela propaga e por todo o conceito estético que eu sou muito apaixonado. Mas ao mesmo tempo eu cresci ouvindo música sertaneja e country, então Rionegro e Solimões, é claro, tem uma influência muito grande no que eu faço, Shania Twain, que pra mim é a rainha do country. Além disso, eu gosto muito da música brasileira que tem sido produzida recentemente, com influências do pop e do brega, como era a Banda Uó, por exemplo. Eu amo demais o trabalho do Jaloo, ele é super autêntico e tem uma das coisas que eu mais admiro em um artista que é a autonomia sonora e estética sobre seu trabalho, ele canta, compõe, produz…
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– Defina o que é o pocnejo raiz.
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Gabeu: O pocnejo é o sertanejo, porém ele traz questões que nunca foram abordadas pelo gênero. Eu me pergunto se a comunidade LGBT não consome o sertanejo como consome outros estilos musicais porque realmente não gostamos ou se é porque não nos enxergamos nas narrativas, e tudo me leva a pensar que é a segunda opção.
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– Quando teremos o próximo single? 
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Gabeu: Nós ainda não temos previsão. Já estamos formatando alguns projetos, mas no momento estamos focados na divulgação de Amor Rural e em curtir esse momento.
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