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Em um ensaio fotográfico publicado na última sexta-feira (12), pela revista Marie Claire, Gloria Groove falou sobre sua carreira, família, referências e arte drag. Em conversa com Cassia Tabatini, que também fez as fotos, o diálogo começa com a seguinte questão: “como gostaria de ser chamada?”.

“Eu sou o Daniel Garcia artista, antes de a Gloria Groove aparecer. A Gloria Groove nada mais é do que outra possibilidade artística minha, um jeito de me expressar”, explicou a drag. “Gloria Groove não é necessariamente uma mulher. É uma energia, uma persona que se manifesta através de muitos símbolos do universo feminino, mas tem muito do masculino também”, complementa a dona do hit “A Queda”.

(Foto: Cassia Tabatini/ Revista Marie Claire)

Nascida em uma família de classe média baixa, Gloria Groove é da Vila Formosa, Zona Leste de São Paulo, bairro em que vive até hoje. Filho único de Gina Garcia, já na época backing vocal do Raça Negra, nasceu em 1995, época em que o grupo de samba fazia mais de 30 shows por mês.

Aos 6 anos, cansado da ausência materna, Gloria relembra que fez uma cobrança a Gina: “Você é minha mãe, tem que me levar e me buscar na escola”, disse esperneando. Sendo assim, a mãe se afastou da estrada e se dedicou mais ao pequeno Daniel.

Para compensar o tempo perdido de convivência com o filho, Gina se empenhou em atender seus desejos. Com seu talento, logo ele conquistou as agências e começou a trabalhar com publicidade. A partir daí, Daniel teve dupla gospel com uma amiga, fez parte da segunda formação da banda mirim Balão Mágico, foi ator da novela “Bicho do Mato”, dublou personagens como Aladdin, em 2019, e em outros filmes e séries, além de brilhar na versão teatral do musical “Hair”.

(Foto: Cassia Tabatini/ Revista Marie Claire)

As referências de Daniel Garcia

“Minha primeira grande diva, além da minha mãe, claro, foi Mariah Carey. A segunda, ali entre a Eliana e a Sandy, a Alicia Keys, contou Gloria a revista Marie Claire. A música internacional também trouxe influências do rap e hip-hop para a artista: “Foi o que deu identidade à trajetória da Gloria Groove”.

O primeiro show de drag queen que Daniel assistiu, foi sua mãe quem levou. “Devia ter uns 12, 13 anos, quando vimos no teatro ‘Não Me Acompanhe que Eu Não Sou Novela’, da Tchaka, relembra.  Logo começou a acompanhar o reality “RuPaul’s Drag Race” e mergulhou na história de vez.

“Madonna, Lady Gaga… Tudo que existe na cultura pop foi inspirado pelo que as drag queens originaram na cultura de clubes dos anos 1970, 80”,  pontuou a artista.

(Foto: Cassia Tabatini/ Revista Marie Claire)

Nasce Gloria Groove

Após conhecer esse universo artístico, Daniel começou a frequentar outras baladas e percebeu que as drags dominavam as festas do início ao fim. “Desde o começo, sabia que seria uma drag queen cantora”, afirma. 

Em meados de 2015, os shows de drag já ocupavam parte da agenda de Gloria, mas ela ainda trabalhava em bailes fazendo covers de Bruno Mars e Justin Bieber, vestida num terninho masculino. Após receber um convite da Globo para para amadrinhar um novo quadro do programa “Amor & Sexo”, apresentado por Fernanda Lima, Gloria “botou a cabeça pra funcionar.

O programa seria gravado em novembro daquele ano, mas só iria ao ar dois meses depois. “Pensei: ‘As pessoas vão me ver e pesquisar quem eu sou’. Preciso ter uma música na praça”. Foi aí que surgiu “Dona’, após Gloria ir atrás de um produtor musical e fazer um clipe.

(Foto: Cassia Tabatini/ Revista Marie Claire)

Quase seis anos depois, Gloria já ultrapassa os 3 milhões de ouvintes mensais no Spotify e meio bilhão de visualizações no YouTube. Nas redes sociais, soma quase 5 milhões de seguidores. Só este ano, compôs com Ludmilla e Thiaguinho, entre outros. Seu último clipe, “A Queda”, já soma mais de 42 milhões de visualizações e e entrou para a Billboard Global 200 Excl US

Gloria também participa do “Show dos Famosos”, no “Domingão com Huck”, e é uma forte concorrente na competição da TV Globo. Além disso,  está confirmada no line-up do Rock in Rio 2022. “Drag queen não me define, caracteriza ou restringe. Drag queen me liberta”, pontua a artista.

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)