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O espetáculo “EDDY – violência & metamorfose” estreia sua temporada paulistana em 23 de junho, no Teatro FAAP, em São Paulo. A montagem tem direção e dramaturgia de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky, com João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro no elenco.

Criada a partir de três livros do escritor francês Édouard Louis (“O fim de Eddy”, “História da violência” e “Mudar: método”), a peça propõe um percurso pela trajetória do autor, nascido Eddy Bellegueule, cuja obra articula experiência autobiográfica, sexualidade, violência social, pobreza, homofobia e deslocamento de classe.

João Côrtes, Erom Cordeiro e Julia Lund levam obra de Édouard Louis ao Teatro FAAP - Foto: Elisa Mendes
João Côrtes, Erom Cordeiro e Julia Lund no Teatro FAAP – Foto: Elisa Mendes

A montagem chega a São Paulo após temporada no Rio de Janeiro e indicações ao Prêmio APTR 2025 nas categorias de melhor direção, ator protagonista e direção de movimento. A temporada no Teatro FAAP vai até 6 de agosto, com sessões às terças, quartas e quintas-feiras, sempre às 20h.

A adaptação recebeu aval do próprio Édouard Louis. “É a primeira vez que uma proposta assim foi realizada no mundo”, diz o escritor, que já teve livros encenados em diferentes países.

O eixo da montagem parte de um episódio real vivido por Louis no Natal de 2012, em Paris. Depois de um jantar com amigos, o escritor conheceu Redá, jovem de origem argelina, e os dois seguiram para o apartamento do autor. Na manhã seguinte, após uma noite de envolvimento entre os dois, Édouard foi violentado e quase assassinado. A experiência foi elaborada literariamente em “História da violência”.

João Côrtes, Erom Cordeiro e Julia Lund levam obra de Édouard Louis ao Teatro FAAP - Foto: Elisa Mendes
João Côrtes, Erom Cordeiro e Julia Lund no Teatro FAAP – Foto: Elisa Mendes

Na peça, esse episódio abre espaço para uma investigação sobre como diferentes formas de violência circulam nas relações sociais. O reencontro de Édouard com sua irmã, Clara, um ano depois, conduz uma sequência de relatos e reconstruções que colocam em pauta machismo, racismo, homofobia, violência sexual e desigualdade de classe.

Ao longo do espetáculo, a narrativa de “História da violência” é atravessada por trechos de “O fim de Eddy”, livro centrado na infância do autor em uma região operária da França, e por fragmentos de “Mudar: método”, obra em que Louis revisita sua saída de Hallencourt e sua chegada a Paris.

“Ao longo dos últimos dez anos de trabalho, buscamos, através de cada obra, propor uma reflexão coletiva acerca das consequências da desmedida ânsia masculina por poder, controle, dominação e submissão; sobre como isso produz danos nos mais diferentes corpos, humanos, além de humanos e de toda a Terra, mas, principalmente, em tudo aquilo que se aproxima ou é identificado como feminino”, afirma o diretor Luiz Felipe Reis.

Segundo Reis, o interesse pela obra de Édouard Louis se relaciona a uma pesquisa continuada sobre violência e masculinidade. “Meu interesse pela obra do Édouard surge como desdobramento dessa investigação contínua que venho realizando sobre diferentes modos de violência, sobretudo os que constituem o mundo masculino, seu ethos e psiquismo, as regras e normas das sociedades patriarcais e, sobretudo, do regime totalitário do capital sob o qual estamos todos subjugados. Édouard reflete e escreve sobre violência social, política, econômica, cultural, racial, sexual, de gênero, ou seja, sobre inúmeras formas de produção e de circulação da violência, sobre todo um circuito de violência que rege nossos comportamentos e pensamentos, sociais e individuais. Em outras palavras, Édouard descreve com precisão iluminadora os efeitos devastadores das forças de opressão e de destruição que constituem a nós e nossas sociedades contemporâneas”, acrescenta.

Marcelo Grabowsky, que já havia trabalhado com a Polifônica em “Amor em Dois Atos”, divide a direção e a dramaturgia com Reis em uma montagem que dialoga com a pesquisa desenvolvida pela companhia desde 2015. Fundado no Rio de Janeiro por Luiz Felipe Reis e Julia Lund, o núcleo investiga a polifonia cênica, com cruzamentos entre teatro, literatura, cinema, vídeo e som. Em “EDDY – violência & metamorfose”, essa pesquisa aparece na adaptação da obra de Édouard Louis para o palco e na construção de uma cena atravessada por relatos, imagens e diferentes camadas narrativas. Para Grabowsky, a adaptação também tem relação direta com a presença de subjetividades gays no palco.

“Admiro muito a forma como a companhia enxerga a cena teatral e propõe esse cruzamento de linguagens. Adaptar a obra do Édouard para o palco encontra a importância de encenar dilemas e vivências de corpos e subjetividades gays e, assim, fazer a gente se reconhecer em cena. Mesmo com o avanço e a legitimação de muitas vozes LGBTQIAP+ no Brasil, o conservadorismo e o preconceito insistem em revelar e exercer a sua violência. Édouard elabora de uma forma instigante seu olhar sobre a violência, encarando sua complexidade, e questionando sua origem. Consegue transformar suas próprias experiências, por mais duras que possam ser, em literatura, em arte, para alcançarem e sensibilizarem outras pessoas”, afirma Grabowsky.

João Côrtes, Erom Cordeiro e Julia Lund levam obra de Édouard Louis ao Teatro FAAP - Foto: Elisa Mendes
João Côrtes, Erom Cordeiro e Julia Lund no Teatro FAAP – Foto: Elisa Mendes

Serviço

“EDDY – violência & metamorfose”
Temporada: 23 de junho a 6 de agosto de 2026
Dias e horários: terças, quartas e quintas-feiras, às 20h
Local: Teatro FAAP
Endereço: Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo
Ingressos: R$ 130 inteira e R$ 65 meia-entrada
Vendas online: NESTE LINK
Bilheteria: de quarta a sábado, das 14h às 20h; domingo, das 14h às 17h. Em dias de espetáculo, até o início da apresentação
Duração: 110 minutos
Classificação: 18 anos
Capacidade: 477 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Ficha técnica

Idealização, produção e realização: Polifônica, Luiz Felipe Reis e Julia Lund
Direção e dramaturgia: Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky
Elenco: João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro
A partir da obra de Édouard Louis: “O fim de Eddy”, “História da violência” e “Mudar: método”
Direção de movimento: Lavínia Bizzotto
Preparação corporal: Alexandre Maia
Cenografia: André Sanches
Assistência de cenografia: Débora Cancio e Nicole Suzana Santos da Silva
Direção de tecnologia: Julio Parente, Para Raio
Iluminação: Julio Parente, Para Raio
Figurino: Antônio Guedes
Assistência de figurino: Mari Ribeiro
Criação de vídeo: Daniel Wierman
Trilha sonora: Luiz Felipe Reis
Direção musical: Carol Mathias
Produção musical: Pedro Sodré
Técnicos de luz: Rodrigo Lopes e Gabriel Lagoas
Operação de luz e vídeo: Rodrigo Lopes
Técnico-operador de som: Joy Espindola
Hair stylist: Salão Ará
Make: Sabrina Sanm
Fotografia de estúdio: Renato Pagliacci
Identidade visual: Guilherme Falcão
Assessoria de comunicação: Pombo Correio
Direção de produção: Luiz Felipe Reis e Julia Lund, Polifônica
Produtor associado: Sérgio Saboya, Galharufa
Produção executiva: Roberta Dias, Caroteno Produções




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