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Minas Gerais tem a Coletiva Vozes Gerais na disputa por vaga na Assembleia Legislativa estadual. A candidatura do PSOL tem como integrantes Wallace Alves, Mellanye Divine e Cleici Ferreira. Ao Gay Blog BR, eles falaram sobre suas propostas no especial “Eleições 2022“.

Wallace tem 31 anos, é gay, engenheiro ambiental e sanitarista. Mellanye tem 35 anos, é drag queen, bióloga e professora. Já Cleici tem 46 anos é mora em Uberlândia (MG), assim como Wallace. Mell é de Uberada (MG).

Coletiva Vozes Gerais disputa uma vaga de dep. estadual pelo PSOL de MG (Foto: Wladimir Raeder)

Militantes de diversas vertentes sociais, como o movimento o negro, ambientalista, LGBTQIA+, sindical e reforma agrária, eles estão candidatos por suas lutas populares. “A política branca hétero-cis-normativa da elite não fala por nós, não possui nossa vivência, não conhece o nosso território, e não dialoga com as violências que nos atravessam”, pontuam.

De acordo com a Coletiva Vozes Gerais, suas pautas estão divididas em cinco eixos, “sendo que um desses eixos é inteiramente sobre as propostas para a população LGBTQIAPN+, que trata das políticas para garantia de acesso à educação, saúde, eprego e renda para os recortes sociais da comunidade, além do combate ao crime de ódio e a garantia da nossa inserção na cultura e no amplo debate público”.

Wallace, Cleici e Mellanye (Foto: Wladimir Raeder)

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Vozes Gerais: Wallace é engenheiro ambiental e sanitarista, servidor do SISEMA – Sistema Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais. Mellanye é bióloga, pedagoga, enfermeira de formação, professora e já foi agente de saúde, consultora, e trabalhadora do terceiro setor. Cleiciane já foi bóia-fria, faxineira, empregada doméstica, cozinheira, e em 2022 se tornou bacharel em Direito.

GB: O que motivou a se candidatar?

Vozes Gerais: Somos militantes da base dos movimentos sociais. Wallace é do movimento negro, movimento ambientalista, e da luta sindical. Mellanye é drag queen e liderança do Coletivo pela diversidade Beth Pantera, de luta pela comunidade LGBTQIAPN+, e Cleiciane é quadro do movimento pela reforma agrária. Além disso, todes es candidates são conselheires nos Conselhos diversos, como o da Promoção da Igualdade Racial, Conselho de Saúde, e Conselho dos Povos do Campo, das Águas e da Floresta, representando os recortes da negritude, do feminismo negro, e das pessoas LGBT+. Estamos candidates porque sabemos que nossas lutas populares são limitadas pela falta de acesso à institucionalidade. A política branca hétero-cis-normativa da elite não fala por nós, não possui nossa vivência, não conhece o nosso território, e não dialoga com as violências que nos atravessam. Só a classe trabalhadora pode falar por ela, e nossas vozes estão nessa disputa para colocar os movimentos sociais no espaço de decisão, e semear poder popular.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBTQ+?

Vozes Gerais: Para além da nossa identidade e expressão, ser uma candidatura LGBT+ do campo revolucionário e anticapitalista aumenta nossas limitações em termos de recursos financeiros para potencializar nosso alcance, e amplifica também a violência política com que nossa presença é percebida na disputa. Temos o desafio de enfrentar o pânico moral e as narrativas antipolíticas antes mesmo de começar a expor qualquer proposta do nosso programa. Mas esse é o lugar que decidimos ocupar, de estar na disputa para que essas pautas tenham algum espaço no debate político, mesmo com todas as dificuldades que a atual conjuntura nos impõe.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?

Vozes Gerais: Nossas propostas estão divididas em cinco eixos, sendo que um desses eixos é inteiramente sobre as propostas para a população LGBTQIAPN+, que trata das políticas para garantia de acesso à educação, saúde, emprego e renda para os recortes sociais da comunidade, além do combate ao crime de ódio e a garantia da nossa inserção na cultura e no amplo debate público. Os demais eixos tratam das reformas estruturais para a classe trabalhadora, proteção do meio ambiente, do acesso à terra, e do enfrentamento antirracista.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Vozes Gerais: Somos pela criação da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, e por Orientação Sexual, e Contra a Pessoa Idosa e com Deficiência – DECRIN, com ampla difusão pelo território e articulação com o Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e órgãos de segurança pública. Reivindicamos a inclusão dos estudos sobre gênero e educação sexual nos currículos escolares obrigatórios, como ferramenta para combater as violências sexuais e de gênero, a LGBTfobia, o suicídio infanto-juvenil e a gravidez na adolescência. Elaborar e disseminar materiais e campanhas de mídia com enfoque nas discussões de gênero e sexualidade, bem como combate à misoginia, à LGBTfobia e à sorofobia. Reivindicamos também a inclusão dos recortes sociais da comunidade LGBTQIAPN+ no censo demográfico do país e nas pesquisas estaduais. Políticas públicas precisam de embasamento, de diagnóstico sócio-demográfico e situacional para serem efetivas. Se não existirmos nos censos e pesquisas, não existiremos nas políticas públicas. É essencial que haja avanços legais e de gestão, com estratégias de formação, empregabilidade e proteção às pessoas LGBTQIAPN+. Defendemos a criação de uma política de incentivos fiscais para empreendedorismo da população LGBT+. No mesmo sentido, incentivos também para empreendimentos que contratem pessoas trans. Incentivar, via editais públicos específicos e manutenção de espaços próprios, a cultura LGBTQIAPN+, criando meios para que nossas artistas possam ocupar os espaços públicos com as intervenções e manifestações da nossa comunidade.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Vozes Gerais: Importante! Assim como a PEP, é preciso apoiar e ampliar o uso de quaisquer procedimentos e mecanismos que facilitem a proteção e profilaxia em relação ao HIV, bem como promover amplo enfrentamento à sorofobia e à precarização do SUS no atendimento à população soropositiva.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Vozes Gerais: Como avaliar um governo genocida, racista, LGBTfóbico, misógino e protofascista? Com todo o nojo, repúdio e repulsa que a nossa indignação alcança. Bolsonaro é a síntese do que as crises cíclicas do capitalismo pode gerar: projetos fascistas que se valem do fundamentalismo para despolitizar as massas e chancelar o extermínio das minorias políticas. É urgente a derrota de Bolsonaro e a desconstrução do bolsonarismo.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)