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Psiquiatra formado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e psicanalista de orientação lacaniana, Bruno Branquinho (33) administra seu tempo para servir como voluntário na Casa 1 (entidade que acolhe LGBT+ em situação de vulnerabilidade), escrever para a Carta Capital e usar suas redes sociais para popularizar entre seus seguidores (os “whiters”) conhecimentos sobre saúde mental.

Indicado ao Poc Awards 2020 na categoria “Gay’s Anatomy”, Branquinho recebeu 33% dos votos do público e levou o troféu que disputava com mais cinco profissionais.

Bruno Branquinho - Reprodução/Instagram
Bruno Branquinho – Reprodução/Instagram

Você alcançou número alto de votos em sua categoria no Poc Awards 2020, um terço dos votos. Foi uma surpresa?

Nossa, eu fiquei muito surpreso! Tanto porque eu estava concorrendo com pessoas que eu admiro muito, como porque tinha gente muito mais famosa que eu lá rs! Não esperava mesmo, mas fiquei muito feliz e satisfeito pelo reconhecimento!

E sobre ser influencer de saúde LGBTQIA+, você já via nas redes a possibilidade de expansão de alcance ou foi algo não planejado? 

Na verdade, minhas redes sempre foram apenas para uso pessoal. Até uns dois anos atrás, meu Instagram, por exemplo, era fechado. Mas acabei percebendo que, mesmo entre meu círculo social, muitas pessoas não sabiam qual era minha profissão. Além disso, também comecei a sentir falta de fazer algo mais ativamente pela comunidade LGBTQIA+. Então, quando eu percebi que poderia aliar meu trabalho com a causa LGBTQIA+, comecei a usar minhas redes também para divulgar meu trabalho, com informações sobre saúde mental para essa população.

Você é médico psiquiatra e psicanalista – duas profissões que trabalham com a mente, embora com aproximações diferentes. Como militante LGBTQIA+, como você enxerga a saúde mental da comunidade no Brasil de Bolsonaro?

A comunidade LGBTQIA+, por conta do preconceito e das violências sofridas por serem uma minoria sexual, acaba tendo muitos impactos negativos na saúde mental. Jair Bolsonaro, desde muito antes de estar no cargo de presidente, profere falas preconceituosas, que estimulam essas violências. No seu governo, isso continuou e não foram tomadas medidas protetivas para nossa comunidade, além do desmonte de alguns serviços essenciais e de decisões desastrosas em diversos outros âmbitos, como economia, controle da pandemia, meio-ambiente, cultura, etc. Tudo isso contribui para uma piora da saúde mental da população em geral, mas com especial efeito negativo sobre a comunidade LGBTQIA+, que já tem um maior risco e menos acesso a serviços de saúde.

Além de médico, você também é colunista da Carta Capital, que é um veículo de bastante circulação, principalmente dentro do campo da esquerda. Seus textos tocam temas delicados e pouco discutidos, em alguns casos, dentro da comunidade. Como é a repercussão do seu trabalho como produtor intelectual?

Dada a falta de profissionais qualificados e empáticos para atendimento da população LGBTQIA+ e a escassez de produção de conteúdo em saúde direcionado a essa população, eu me sinto muito realizado e satisfeito de poder produzir conteúdo direcionado para a comunidade e poder fazer chegar informação de qualidade e sem preconceitos a essas pessoas. A repercussão é incrível, recebo muitos feedbacks positivos de pessoas que nunca se viram representadas em outros textos. Também muitas pessoas agradecendo por eu falar de assuntos considerados tabus que são frequentes dentro da comunidade, mas não são falados em outros espaços de mídia (como, por exemplo, o sexo químico – chemsex).

Nas últimas semanas, uma das polêmicas mais abordadas na internet tem sido a relação entre os participantes do BBB dentro da casa. O ator Lucas Koka Penteado desistiu do programa após diversos episódios de violência psicológica. Depois de se assumir bissexual em rede nacional, a pressão foi tanta que ele pediu pra sair do programa. Como você analisa o âmbito psicológico de um reality de confinamento?

Esse BBB tem dado o que falar rs. Acho que um reality de confinamento, em que as pessoas são assistidas e filmadas 24h por dia, é um prato cheio para vermos, com detalhes, todas as facetas dos seres humanos – as boas e também as ruins, que muitas vezes no dia a dia são menos reveladas. Além disso, é claro que a produção do programa, em busca de audiência, também seleciona participantes e manipula situações para criar situações potencialmente polêmicas, pois sabe que isso gera mais audiência. No caso do Lucas, foi algo que me chamou muita atenção e me deixou muito triste. Após dias e dias de violência psicológica da grande maioria da casa, ele beija o participante Gilberto e assume sua bissexualidade, recebendo questionamentos e críticas de outros participantes, muitos deles também LGBTQIA+, culminando com a sua saída horas depois. Chama a atenção como a bissexualidade como orientação sexual é sempre alvo de questionamentos e como as pessoas bissexuais sofrem com a invisibilização de sua orientação sexual tanto dentro como fora da comunidade LGBTQIA+. Fiz um IGTV sobre isso, assistam!

Você tem participação efetiva em ONGs que se esforçam para atender a comunidade LGBTQIA+ em diversos aspectos da vida comunitária. Como você descreveria as políticas públicas nacionais no Brasil deste século no que tange à saúde mental dos nossos?

Descreveria como insuficientes e escassas. Acho que, de uma forma geral, as políticas públicas em saúde mental no Brasil são insuficientes e, quando pensamos na comunidade LGBTQIA+, isso se torna mais gritante ainda, o que faz com que haja necessidade de iniciativas independentes para tentar suprir um pouco dessa demanda.

Estar por dentro da situação e ver como a estrutura funciona deve causar uma urgência de agir e tentar mudar a realidade. Você já chegou a pensar em concorrer a algum cargo político para disputar esse espaço por dentro do sistema?

Nunca pensei e honestamente acho que não tenho o menor traquejo para isso rs. Acho que realmente me vem uma urgência em tentar mudar a realidade, mas tento fazer isso através das possibilidade dentro da minha própria área. Podemos mudar o mundo de diversas formas, não só através de cargos políticos.

Mudando para amenidades, você tem um relacionamento sério. Como que funciona o assédio pelas redes? O pessoal “joga confete” em vocês dois?

Sim, estou num relacionamento monogâmico com o Gabriel. Fico lisonjeado quando recebo elogios, acho que todo mundo gosta de se sentir bonito, né? rs Mas lidamos tranquilamente com isso, sem problemas.

E em relação à posição profissional e midiática que você ocupa hoje, o que os “whiters” podem esperar do futuro? Quais teus projetos para os próximos meses?

Não posso comentar detalhes… kkkkkk mentira. Eu estou com bastante coisa rolando no momento, entre consultório, Casa 1 e cursos/palestras de que eu já participo. Mas, apesar de ser um pouco preguiçoso rs, eu estou sempre avaliando novos projetos que me brilhem os olhos. Então pode ser que surja algo por aí, mas ainda não sei mesmo.

Pra finalizar, qual o seu maior hobby para manter a saúde mental (além de crossfit, é claro)?

A coisa que eu mais amo na vida é sentar com meus amigos e namorado para conversar e tomar cerveja, e é isso o que mais me faz falta durante a pandemia.

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Catarinense, 25 anos e professor de Literatura e Língua Inglesa. Homem gay, apaixonado por música e que respira futebol e cultura latino-americana.