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As pessoas que acompanham a vida do fashionista e apresentador Israel Cassol devem imaginar que ele nasceu com o bumbum virado pra lua, como diz o velho ditado. Até pode ser, porém antes de se tornar bem sucedido e famoso, Cassol passou por muitas dificuldades na vida. Pela primeira vez, ele se sentiu seguro para falar sobre o abuso sexual sofrido quando tinha apenas seis anos de idade e como isso influenciou na sua experiência com as drogas anos depois vivendo na Europa.

Israel Cassol – Reprodução

O jovem, de 39 anos, fã declarado de Xuxa Meneghel e dono de muitos sonhos quando era criança, pôde se dar ao luxo de dizer que conseguiu realizar todos. Articulado, ele fala sobre vários assuntos, inclusive sobre suas fraquezas também, ao contrário de muitas personalidades que apenas comentam os méritos motivados pela vaidade.

Com uma coleção de bolsas de grife avaliadas atualmente em mais de R$500 mil reais,  Israel Cassol não omite as dificuldades do passado – e que foram muitas ao longo de anos. Talvez a expressão “no pain no gain” (sem dor sem ganho) descreve melhor as conquistas do jovem rapaz de Caxias do sul.

Israel Cassol – Reprodução

Você vive um estilo de vida luxuoso, que pode ser o sonho de consumo de muitos. Como você lida com as pessoas que se aproximam de você por interesse? É possível identificar os oportunistas?

Oportunistas temos sempre em nossas vidas, né? Independente de ter uma vida luxuosa ou não. Existem pessoas que vão querer se aproveitar de você sempre, mas eu vejo isso em segundos e não deixo elas se aproveitarem de mim não. No passado, as pessoas se aproveitaram muito de mim, hoje cuido mais e identifico rapidamente.

Você nasceu em uma família humilde em Caxias do Sul, filho de um pedreiro com uma dona de casa. O que essa origem simples te ensinou quando você se tornou uma pessoa bem sucedida financeiramente?

Minha família sempre me ensinou desde cedo que temos que tratar as pessoas com respeito, sem preconceitos e também nunca me senti melhor que ninguém. Para mim, somos todos iguais. E acho ridículo quem começa a se “achar” quando tem um pouco mais que os outros. Acho tão deselegante quando alguém trata com desprezo o lixeiro, o porteiro ou a faxineira. A elegância está na maneira de como você trata os outros! Para mim, repito, somos todos iguais! Iremos todos para o mesmo buraco na hora da morte, e não levamos nada!

Em 2002, você trocou o Brasil pela Itália, buscando uma carreira como ator e modelo, como foi o início na Europa?

Primeiramente, a língua, né? Não falava nada em italiano. Lembro que vivi com 50 euros por semana, dinheiro que a agência dava para os modelos semanalmente. Na primeira vez que eu fui, morei com 10 modelos num apto de 3 quartos, uma bagunça só. Recebi tantos nãoooo(s), meu Deus. Não foi fácil. Só comecei a trabalhar bem em Milão quando conheci o fotógrafo Jean Paul Barbieri.

Israel Cassol – Reprodução

Você chegou a trabalhar como gogo boy e também fez filmes eróticos?

Gogo boy fiz algumas vezes quando estava precisando de dinheiro. Era divertido e o dinheiro também era bom. Gostava daquele delírio em cima de mim (risos). Os filmes surgiram só logo depois que estava em Londres já. Fui convidado pelo diretor britânico Carl Medland para fazer uma pequena participação no filme ”The Cost of Love”, logo em seguida fui convidado para fazer mais 2 e parei. Cansei de ser visto como um corpo bonito só. Me enganaram muito neste momento da minha vida, até hoje não recebi o cachê da minha participação neste filme. Só me usaram na época! Acontece muito nesta indústria.

E experiências com drogas, você teve? Essas experiências, de certa forma, eram uma válvula de escape para os momentos difíceis de quando chegou na Europa?

Tive meu momento onde usei drogas também.  A primeira vez que usei eu estava com 24 anos. Foi numa festa. O abuso das drogas hoje vejo que foi em decorrência do abuso que tive na infância. Nunca falei para ninguém do abuso, estou dividindo com você hoje. Depois de tanto tempo fazendo terapia, vi que o abuso na infância deixou sequelas enormes na minha vida adulta, que hoje tento resolver na terapia.

Como isso ocorreu?

O abuso que tive na infância foi com um primo meu, eu tinha 6 anos de idade e ele 18 anos. Achei, por muitos anos, que era algo que queria, mas não é verdade. Uma criança não sabe o que é sexo naquela idade. Contei para minha família na época, mas não tínhamos recursos de ir ao psicólogo. Depois de muitos anos fazendo terapia, entendi que o abuso que tive nas drogas foi em decorrência do abuso que tive na infância. E outros abusos que tive e deixei outras pessoas fazerem em mim (Cassol se refere a pessoas de comportamento abusivo), também entendi que foi por causa deste abuso que sofri. O trauma foi muito grande em mim. Os adultos têm que prestar muita atenção com as crianças e ao redor delas. O abusador está sempre ao redor da família e da criança. Quero muito, através desta entrevista, alertar os pais que cuidem de seus filhos. Principalmente, os pais que tem uma criança que já se identifica gay em casa. Elas serão sempre alvo dos abusadores. O abuso é uma ferida que cicatriza, mas que leva anos para cicatrizar. Algumas pessoas ficam com este trauma para o resto da vida. Cuidem de seus filhos. É uma realidade ainda e precisamos alertar as autoridades com este assunto e principalmente, repito, aos pais.

Israel Cassol – Reprodução

Você conseguiu superar isso?

Ele foi superado. Mas ainda fica uma cicatriz em mim muito grande, porque as vezes eu vejo as pessoas abusarem de mim e eu interrompo elas no mesmo momento, porque as pessoas têm essa mania de querer abusar dos outros, né, algumas pessoas. Então eu vejo esses abusos hoje em dia e corto o mal pela raiz, então as pessoas não conseguem me abusar mais. Já no passado me abusaram em algumas situações, na carreira de modelo, na carreira de ator. E era difícil pra eu sair desses abusos. Hoje eu consigo sair melhor desses abusos, eu interrompo a pessoa que está me abusando.

Israel Cassol em cena – Reprodução: The Cost of Love

E depressão, é algo que você teve que lidar?

Eu não tive depressão. Eu tive pânico em 2013, que foi uma situação bem complicada pra mim. Eu não entendia o que estava acontecendo e graças a Deus eu tive profissionais na área da saúde que me ajudaram e hoje eu sou uma pessoa muito mais forte do que eu fui há alguns anos. Como te falei, o abuso das drogas vieram por causa do abuso na infância; todos os abusos que nós tivemos nas nossas vidas tem um significado e tem uma raiz, e pra mim a raiz desses abusos que eu deixei que acontecesse na minha vida, aconteceram lá no início da minha vida. Então hoje em dia, eu sou uma pessoa muito forte, muito mais saudável, e depressão não tive assim… depressão profunda de querer morrer não, nunca tive, mas tive pânico, tive ansiedade, e graças a Deus hoje a terapia me ajudou bastante nisso.

É verdade que você estava cotado para participar de A Fazenda mas teve que desistir porque contraiu covid?

Tinha muitos projetos aí no Brasil para fazer e, por decorrência do covid-19, tive que cancelar vários. Só eu sei o que passei com o covid-19, não desejo para ninguém o que passei. Mas, quero muito fazer um reality aí. Quem sabe em 2021??

Em 2019, o tabloide inglês “Daily Mail” publicou uma matéria dizendo que você é o homem com a maior coleção de bolsas Birkin (da grife francesa Hermès), uma coleção de 12 unidades que, juntas, totalizando como algo em torno de meio milhão reais. As pessoas o atacam dizendo que isso é futilidade? 

Hoje elas valem mais que 500 mil reais (risos). A história da bolsa Hermès surgiu quando eu estava a procura de uma bolsa para viajar. Não estava gostando das bolsas ‘masculinas’ que estavam nas lojas. Aí foi quando comecei a procurar e achei a Birkin. Depois deste dia comecei a comprar em cores diferentes e tamanhos. Eu amoooo elas! Não sou fútil, as pessoas que me conhecem sabem disso. Sempre fui criticado pelas pessoas, antes mesmo de me tornar uma figura pública. As pessoas gostam de falar de quem incomoda e eu incomodo algumas com meu brilho e com meu estilo de vida. Tudo o que tenho só agradeço a Deus. As pessoas têm que saber que para chegar onde eu cheguei, caí várias vezes e me levantei mais forte ainda. Se tivesse desistido no primeiro tombo, não estaria aqui hoje dando esta entrevista para você.

Israel Cassol – Reprodução

E como surgiu a ideia de usar saias?

Comecei a usar saias, quando eu estava a procura de um look para um evento aqui em Londres e não estava gostando no que eu estava vendo. Aí me veio uma voz e disse: “Usa saias, Israel!”. Fui a procura, então, e achei na loja da Gucci uma saia linda. Fui para este evento e foi um sucesso. Hoje, tenho várias e amo usar elas, acho que fico lindo nelas e elas não tiram a minha masculinidade. Claro, que tem pessoas que vão criticar. Essas que criticam não sabem que a saia há séculos atrás era um item masculino.

Você tem roupas ou acessórios feito de peles de animais?

Sim, tenho. Hoje em dia eu decidi não comprar mais casacos de pele, vi a crueldade que é para tirar as peles dos animais. No século 21, a moda tem que ser mais sustentável. E já existem casacos de pele sintética. Então, vamos deixar os animais com seus pelinhos. Eles agradecem.

Você tem medo de um dia ficar pobre?

Hoje trabalho para ter uma velhice sossegada. Tenho medo sim de passar fome e frio. Às vezes, passo na frente dos mendigos e me pergunto: “Será que eles estão com frio ou fome?” Me incomoda muito ver as pessoas passarem fome e frio e não ter onde morar.

Você é casado com um executivo britânico desde 2018, como vocês se conheceram? Na época você temeu ser julgado pelo fato dele ter 12 anos a mais e rico?

Nos conhecemos em um site de relacionamento: Gaydar. Nem existe mais eu acho (risos). Eu não sabia do poder aquisitivo dele quando encontrei com ele. Me apaixonei pela educação, pelo acento super posh (elegante/requintado) que ele tem, pelo altura (2m5) dele e outras cositas mais (risos). E outra, eu tenho 39 anos e ele 50 anos, chamar ele de velho? Acho que não né. Não gosto da palavra ‘velho’, prefiro maduro.

O conhecido influencer de moda Israel Cassol revela os perrengues que já passou na vida e fala com exclusividade para o GAY BLOG BR a respeito do abuso sexual quando criança
Israel Cassol – Reprodução

Você também apresentador, como é esse programa que você apresenta na TV?

Atualmente, estou realizando um sonho de infância a cada sábado com o programa Empire Style na Band Triângulo. Foi através do meu assessor Cacau Oliver e do CEO do programa Leandro d’ Ambrosio, que estou realizando mais um sonho na minha vida. Meu quadro no programa se chama “Brasileiros pelo Mundo”. Contamos histórias de brasileiros que saíram do Brasil para tentar a vida aqui em Londres e hoje são vitoriosos aqui; mas também apresentamos curiosidades de Londres. O programa é muito divertido de se fazer, eu amooooo demais! Achava impossível realizar este sonho, mas o impossível aconteceu. Sou uma pessoa que sempre sonhou alto. Aprendi desde criança com a Xuxa, minha diva. Sempre uso nas minhas palavras diariamente o que a Xuxa me ensinou: “Querer, Poder e Conseguir”.

Você é amigo da Jéssica Alves? O que acha dela?

Não sou amigo dela, mas sigo no Instagram. As pessoas maltratam ela nas redes sociais, né? Só acho que ela deveria cuidar mais desse lance das plásticas. Foi por causa dessas plásticas que ela ficou famosa. E continua fazendo, meu Deus, quando vai parar? Quando morrer! Eu espero que ela não faça essas plásticas só para chamar atenção da mídia e sim para ela se sentir melhor como pessoa. Ela poderia chamar atenção a partir de agora, no lance de ajudar outras trans que estão saindo do armário, por exemplo, e se transformar em inspiração. Será que agora que ela virou o que ela sempre quis ser, vai ter sossego mental e parar de fazer plásticas? Deixo essa pergunta no ar. Vamos ver o próximo capítulo dessa novela.

Você já fez plástica? 

Sim, fiz preenchimento nos lábios, porque eu tinha os lábios tão fininhos. Coloquei em 2003, eu acho, na Itália. Eu fiz os meus lábios lá. Os meus lábios eram muito finos, até os meus pais têm os lábios bem fininhos também. Eu coloquei um pouquinho, aí comecei trabalhar mais também lá, na Itália, quando eu coloquei os meus lábios. Fiz uma plástica para arrumar uma das minhas orelhas que eram de abano. Odiaaaaava! Quando era criança, sofria bullying sempre. Faço laser facial. Fiz este ano Silhouette Soft e faço Botox duas vezes por ano. Agora minha meta é chegar aos 50 com carinha de 40. To conseguindo chegar aos 40 com carinha de 30 (risos). Quero sempre estar bem para o meu público. E quem trabalha com a imagem sabe, é importante nos cuidarmos.

Para acompanhar Israel Cassol no Instagram: @israel.cassol

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