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Natural do Rio Grande do Sul, o humorista, ator e cantor Diego Becker (37) começou na carreira artística aos 6 anos. Em 2005, fez parte do grupo de improvisação teatral Avacalhados e, posteriormente, atuou em várias peças de teatro, comerciais de TV e participações em algumas novelas globais. Mas foi no programa “Pânico” que Becker se tornou conhecido do grande público, com personagens como a “Paula Ayala”, “Paolha Cassarolha” e alguns outros.

Bem-humorado, o artista não fugiu de nenhuma pergunta durante a entrevista por telefone, mesmo as mais polêmicas. Solteiro após o fim de um relacionamento de quase sete anos, ele tem se dedicado à arte, ao seu programa no Youtube, shows de stand up e outros trabalhos que estão a caminho.

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Diego Becker – Reprodução

Você tem uma longa carreira, que começou ainda na adolescência, mas a fama veio com Pânico. Como se deu sua saída de lá?

Eu saí no final do programa, havia acabado mesmo. Foi o ano que eu mais me destaquei, na verdade, porque era a Paula Ayala e o Christian Pior nas festas. Era pico de audiência no programa, então eu fiquei até o final mesmo, a saída foi porque ele se findou.

O Pânico, muitas vezes, fazia um humor com “bullying” com celebridades, algo que a sua personagem Paula Ayala não fazia. Isso foi uma exigência sua?

Cada um tem um tipo de humor, eu já não gostava de ver esse tipo de humor, então quando eu comecei a fazer, eu fazia do meu jeito, não tinha muita experiência. Mas eu achava mais interessante me zoar, eu queria realmente levantar o convidado, fazer perguntas relevantes, às vezes não entravam no ar, mas eu fazia uma entrevista bacana, brincava, era engraçado… Enfim, sem agredir ninguém.

Há pouco tempo, você participou de um podcast onde comentou haver homofobia no Pânico da parte de um diretor. Como você lidava com isso?

Eu sou uma pessoa muito de boa, muito tranquilo de se lidar, de trabalhar… enfim, obviamente aquilo me feria em algum lugar, tanto que depois eu fui tratar na terapia, obviamente, mas eu sabia onde eu estava, por uma questão de trabalho, enfim. E quando estava no “on”, digamos assim, era divertido pra mim, era legal, fazia porque eu gostava, só que o “off” era muito pesado. Mas eu tentava jogar e continuar trabalhando e fazendo o meu trabalho.

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Diego Becker como Paula Ayala – Reprodução

Você e o Evandro Santo eram os únicos LGBT+ do programa? Aliás, vocês são de fato amigos?

Durante o programa a gente convivia muito bem, éramos amigos, mas não saíamos juntos, porque os lugares que a gente frequentava eram diferentes. Eu era casado, não ia muito para baladas, boates, e eram os rolês que ele fazia. Mas não éramos tão próximos na vida quanto éramos lá dentro (no programa).

Após o Pânico, você foi para o programa da Katia Fonseca na Band, levando a sua personagem Paula Ayala. Ela saiu de cena logo, acredita que houve uma censura por conta do horário?

O que aconteceu lá, até hoje eu não entendo muito bem. Foi um dia depois da eleição do Bolsonaro, que ele tinha ganhado a eleição, daí o diretor disse que não podia mais fazer a Paula Ayala, que eram ordens superiores da Band, enfim. Eu acredito que tenha a ver sim, mas não posso afirmar nada.

Logo em seguida, veio um personagem que você criou, um produtor de TV…

Na verdade, eu acabei saindo da Band porque eu tinha um projeto novo no Multishow e que, por conta da pandemia, foi adiando, adiando… e quando eu achei que ia acontecer, que seria janeiro de 2021, não rolou por conta da pandemia. Saí da Band e não rolou o Multishow. Olha que bênção? (risos).

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Diego Becker no programa da Katia Fonseca, na Band – Reprodução

Você foi casado durante sete anos, mas muitos imaginavam que você fosse hétero, acredita que isso esteja ligado ao fato de você trabalhar com humor, principalmente fazendo um personagem feminino?

Eu fiquei casado quase sete anos e separei há uma semana, é bem recente. O fato de imaginarem que eu sou hétero não faço ideia o porquê, eu falava na minha rede social, postava fotos… mas como eu faço humor, as pessoas realmente precisavam de uma prova viva, quase como se eu tivesse que beijar todo mundo na boca e na frente de todo mundo… não que eu não fizesse, eu saía, agia normalmente, mas as pessoas diziam: “Não, mas você não é gay”, como se fosse um demérito isso, enfim. Mas agora o relacionamento deu uma findada neste momento.

Existe algo que você se arrepende de ter feito no Pânico?

Não, no Pânico acho que foi tudo tranquilo, não fiz nada demais, achei bem tranquilo a minha passagem.

Você entrevistou vários famosos nas festas para o Pânico, houve algum que você se decepcionou?

Tem muitas pessoas que eu gosto, que eu gostaria de entrevistar e que seria maravilhoso, tipo Zélia Duncan… tem várias pessoas. Mas como eu trabalhava no Pânico, as pessoas às vezes não recebiam tão bem. Mas, de qualquer forma, eu entendia o fato deles não quererem falar com o Pânico.

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Diego Becker – Reprodução

Quais são os seus próximos projetos? Você está participando de um programa de rádio transmitido no Youtube, é isso mesmo?

É um podcast que não é podcast. É uma rádio que não é rádio. É um programa no Youtube que não é um programa. Chama-se “Minhoca Rádio Show” e é todos os dias, de 10h30 a 12h30, transmitido ao vivo pelo Youtube. Estou aguardando essa série do Multishow que, na verdade, está para acontecer em algum momento e já está adiando desde o final de 2019, e é com o Marcus Majella. Estou fazendo uma participação em uma série da Netflix com o Rodrigo Sant’Anna. Fiz dois testes para dois filmes e uma série também, passei nos filmes e série, e que está para sair daqui a uns dias. Mas não é nada que eu possa falar ainda, porque a gente assina um contrato de confidencialidade, mas está pra sair bastante coisa. E tem stand up, faço show de humor… de tudo um pouco.

Como você avalia a cultura no país no atual Governo?

Me incomoda muito qualquer pessoa que apoie o atual governo, e mais absurdo ainda artistas que o apoiam. Para a sociedade viramos vilões, e se a gente não fosse realmente resistência, todo mundo largava e ia sumir no mundo. Mas a gente vai resistir, pois acreditamos que a arte salva, muda pensamentos, gerações… a arte e o artista vão se renovar depois dessa maré de intolerância, falta de empatia e noção.

Como você vê o jornalismo da Jovem Pan atualmente, sobretudo na parte de política?

Eu não escuto há muito tempo e me irrito um pouco quando ouço algumas coisas, alguns comentários. Então eu pouco ouço, mas eu acredito que exista uma ajuda do Governo [Federal] ali bem forte para que eles estejam sempre do lado do Governo.

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Diego Becker – crédito: reprodução

Recentemente, a Jovem Pan foi alvo da CPI da Covid, tendo o senador Renan Calheiros pedindo a quebra de sigilo bancário da rádio Jovem Pan por suposta participação do “Gabinete do Ódio”, criado no Governo Federal, para disseminação de fakenews. Você acha coerente esta investigação? O que você pensa sobre esta relação?

Então se tem essa “ajuda”, né, se existe uma lavagem de dinheiro, se existe um envolvimento ilícito aí, tem que ser investigado. E que sejam punidos todos os envolvidos.

Para acompanhar Diego Becker no Instagram @beckerdiego

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