This article is also available in: Español

GAY BLOG BR by SCRUFF

Um grupo de torcedores palmeirenses se mobilizou para defender a causa LGBTQIA+ e eles pretendem colocar uma bandeira com as cores do arco-íris no Allianz Parque, neste dia 2 de novembro, durante a próxima rodada do Campeonato Brasileiro contra o Atlético-MG.

A iniciativa é conhecida como PorcoÍris e começou há cerca de um ano, mas a decisão ainda será definida pelo próprio Palmeiras no dia do jogo. O objetivo é mostrar que o futebol tem espaço para todos.

“A gente está só começando um espaço” – disse o engenheiro João Vítor, fundador do PorcoÍris, ao Globo Esporte“Acho que pode começar a ganhar corpo ou ter sentido quando essa união tiver algum efeito maior. Óbvio que sou grato ao Palmeiras por ter aprovado a bandeira e tomara que ela esteja lá, mas é só um começo. Ainda há um pessoal que não aceita, né? Mas nós estamos aqui, nós vamos falar de futebol e vamos torcer pelo Palmeiras” – continuou.

O coletivo surgiu diante de uma percepção do João Vitor nas redes sociais, pois os clubes de futebol sempre compartilhavam imagens de casais, só que todos eram héteros. O palmeirense questionou a postura e recebeu várias respostas homofóbicas de outros torcedores, e esse incômodo fez com que João percebesse uma necessidade de abrir um espaço para debater esse assunto dentro do universo futebolístico.

“Tive a ideia de fazer um perfil anônimo para dar essa voz, no sentido que as pessoas dessem um lugar para a gente na torcida” – disse João Vítor – “Alguns vieram falar que a gente tinha que ‘torcer para o time do outro lado do muro’, (fazendo uma alusão preconceituosa ao São Paulo). Mas a gente é palmeirense. Sempre fui palmeirense; aliás, o primeiro da família. A gente precisava marcar esse lugar e deixar uma voz para o torcedor. Queremos falar de futebol” – declarou.

Quem endossa o movimento PorcoÍris é a advogada Mariana Mendonça, que também se define como membra da comunidade LGBT, e diz que desde o começo se identificou com os companheiros de luta.

“Muito antes de me perceber LGBT, eu já me conhecia como palmeirense. É triste pensar que isso acontece e que tem torcedor que enxerga a gente assim, e também até o rival dessa forma. É uma definição que nasceu pelo preconceito contra um jogador no rival e até hoje ele sofre desse preconceito, e o time sofreu esse preconceito” – disse Mendonça.

A advogada também percebe os torcedores como muito hostis não só aos LGBTs, como também as mulheres

“Não tenho o hábito de ir ao estádio sozinha. Eu tenho medo não só por ser LGBT, mas também por ser mulher. O estádio soa muitas vezes hostpil para mulher, então sempre vou acompanhada, seja em grupo com algum namorado. Com namorada, ainda não tive coragem de ir” – confessou.

“O ambiente dentro dos estádios envolve muita homofobia, muito preconceito, não é um ambiente seguro para a gente LGBT ou para a gente que é mulher mesmo. Um grupo como esse (PorcoÍris) tem a importância para trazer essa demanda: a gente gosta de futebol, a gente existe, a gente quer torcer e se sentir seguro no estádio, se sentir seguro comentando na internet sobre futebol” – concluiu.

João Vitor endossou o discurso de Mariana e disse que, dentro do “universo do futebol’ a homofobia contra os homens é “muito pesada” e que ele nunca teve coragem de ir junto com o marido aos estádios.

“Em relação aos homens, a coisa é muito mais pesada. Eu pretendo um dia ir ao estádio com o meu marido. O que a gente quer é ter a nossa família, o nosso emprego e ter o nosso time. A gente é Palmeiras. A gente quer participar, só isso”

This article is also available in: Español

Junte-se à nossa comunidade

O app SCRUFF está disponibilizando gratuitamente a assinatura PRO no Brasil, com todas as funcionalidades premium. Seja Embaixador SCRUFF Venture para ajudar os gays que estão visitando sua cidade. Tenha uma agenda atualizada das melhores festas, paradas, festivais e eventos. São mais de 15 milhões de usuários no mundo todo; baixe o app SCRUFF diretamente deste link.

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".