GAY BLOG BR by SCRUFF

Em São Paulo, no dia 19 de agosto de 1983, mulheres do pioneiro Grupo Ação Lésbica Feminista (1981-1989) fizeram um protesto considerado como “Stonewall Inn Brasileiro”. Com apoio de ativistas gays, feministas e parlamentares do período, Rosely Roth foi a principal mentora e articuladora da manifestação no Ferro’s Bar, point que frequentavam e que impedia, por exemplo, de vender um boletim de conteúdo lésbico, o Chanacomchana.

rosely roth
Rosely Roth denuncia as atitudes discriminatórias do Ferro’s Bar. Foto: Ovídio Vieira

O Ferro’s Bar, ficava na Rua Martinho Prado, em frente à Sinagoga, e os proprietários do estabelecimento sempre agia com abusos em relação à comunidade. Em 23 de julho, por exemplo, tentar expulsar as lésbicas do bar, o que só não aconteceu pois os policiais chamados concluíram que “os direitos são para todos os brasileiros”, segundo Marcela Tosi.

Em entrevista dada ao UOL, Miriam Martinho contou sobre  a noite do dia 19 de agosto no Ferro’s Bar: “Lembro que tive muito medo da polícia aparecer e nos levar presas. Tive medo da imprensa também. Não era muito confortável aparecer nas páginas dos jornais na época. Mas organizamos tudo de forma a minimizar os riscos: chamamos os grupos gays da época e algumas feministas para dar apoio. A vereadora Irede Cardoso foi uma das parlamentares pioneiras no apoio aos direitos homossexuais no Brasil, pedimos cobertura da OAB, chamamos a imprensa. Chegamos no dia 19 de agosto e tentamos entrar no Ferro’s. O porteiro fechou a porta para que a gente não entrasse. Passamos a conversar com as mulheres que estavam do lado de fora do bar, juntamos gente, mais os grupos que estavam dando apoio, tentamos de novo. O porteiro enfiou a mão na cara de uma das integrantes do GALF, pela porta entreaberta. Um homem aproveitou e jogou fora o boné do porteiro, ele se distraiu e entramos todos.”

Em 2003, ano em que morreu Rosely Roth, uma das principais articuladoras desse evento, lançou-se o dia 19 de agosto como o Dia Nacional do Orgulho Lésbico, conta Marcela Tosi.

Aqui um livreto feito pela militante Miriam Martinho com mais informações históricas.

ESCOLHA DA DATA DA “VISIBILIDADE LÉSBICA NACIONAL”

Em 2003, os grupos Rede de Informação Um Outro Olhar e Associação da Parada LGBT de São Paulo, definiram 19 de agosto como Dia do Orgulho das Lésbicas no Brasil, que teve grande repercussão na imprensa, mas contou também com a oposição de grupos de lésbicas e gays ligados a um partido político. Apesar disso, várias pequenas e médias celebrações do evento têm ocorrido desde 2003 –  não só por sua importância em si mesmo (é a primeira manifestação do gênero no Brasil), como também pela necessidade de preservação da memória das lutas sociais autônomas, não atreladas a partidos e projetos de poder no Brasil.

Abaixo, um vídeo sobre o dia que resume a história da data, com imagens feitas no dia da manifestação pela Folha de São Paulo:

Rosely Roth

Rosely Roth (São Paulo, 21 de agosto de 1959 – São Paulo, 27 de agosto de 1990) foi uma ativista brasileira, considerada uma das pioneiras da história do Movimento Homossexual Brasileiro.

Filha de pais judeus, ela estudou tanto em escolas judaicas como não judaicas e, subsequentemente, formou-se em Filosofia (1981) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; vindo a graduar-se, mais tarde, em Antropologia (1985-1986) pela mesma instituição de ensino superior, quando aprofundou seus estudos em questões de vivências lésbicas e de sexualidade.

Rosely Roth iniciou a sua participação direta no movimento de mulheres, no início de 1981, frequentando o Grupo Lésbico Feminista (1979-1990) e o SOS Mulher (1980-1993). Ainda em 1981, Rosely Roth e Miriam Martinho (da Rede de Informação Um Outro Olhar), outra pioneira do Movimento Homossexual Brasileiro, fundaram o Grupo Ação Lésbica-Feminista ou GALF (1981-1990) na cidade de São Paulo, estado de São Paulo, Brasil.

Rosely Roth participou em várias organizações e atividades relacionadas à reivindicação dos direitos sexuais da mulher lésbica e de toda a comunidade LGBT praticamente durante todo o período de sua vida adulta. Por exemplo, ela participou da primeira manifestação lésbica contra o preconceito no Brasil em 1983; e ela também liderou um protesto conhecido como O caso Ferro’s Bar.

A sua atuação humanista em eventos e demonstrações tidas como históricas e a sua visibilidade na grande mídia brasileira (i.e. televisão, jornais, etc.) são consideradas as suas contribuições mais marcantes pela comunidade gay bem como por pesquisadores acadêmicos no campo de estudos LGBTs, tendo ocorrido em período formativo da conscientização reivindicatória deste segmento social do Brasil.

Na fase final de sua vida Rosely Roth passou a sofrer profundas crises emocionais, o que a levou ao suicídio. Em celebração a sua vida e em homenagem ao seu destacado ativismo, a partir de 2003, celebra-se o dia 19 de agosto como o Dia Nacional do Orgulho Lésbico no Brasil.

Junte-se à nossa comunidade

Mais de 20 milhões de homens gays e bissexuais no mundo inteiro usam o aplicativo SCRUFF para fazer amizades e marcar encontros. Saiba quais são melhores festas, festivais eventos e paradas LGBTQIA+ na aba "Explorar" do app. Seja um embaixador do SCRUFF Venture e ajude com dicas os visitantes da sua cidade. E sim, desfrute de mais de 30 recursos extras com o SCRUFF Pro. Faça download gratuito do SCRUFF aqui.