Empresa de Curitiba comemora quadro de 23% de funcionários LGBTs: ‘selecionamos pessoas pelos seus sonhos e talentos’

Fintech Juno acredita no valor das diferentes visões de mundo, no bem-estar no ambiente de trabalho e nas opiniões amadurecidas

A Juno, fintech curitibana especializada em soluções de pagamento online, foi avaliada em 2018 pelo Love Mondays como uma das três melhores empresas para se trabalhar. A empresa, que iniciou suas atividades em 2000, se posiciona ativamente pró-diversidade e possui um núcleo interno de empoderamento LGBT. “Fazemos regularmente ações que envolvem a questão da diversidade e da liberdade individual, o que garante que o ambiente de trabalho seja bem estimulante”, conta Rafaele Medeiros, coordenadora de marketing da Juno.

Fintech Juno aposta na diversidade ter diferentes visões de mundo, um ambiente mais equilibrado, opiniões amadurecidas e mais colaboração e respeito juno
Alguns funcionárixs da Juno. Foto: Gus Benke

Matheus Bernert, CEO da Juno reforça que, dos 99 funcionários, 22 se incluem no grupo LGBT+, sendo dois trans. “Mais do que definir e escrever nossos valores na parede é preciso de fato acreditar e praticar o que estabelecemos como valores. Diversidade não é algo que buscamos ter, é algo que temos por sermos quem somos. Selecionamos pessoas pelos seus sonhos e seus talentos apenas. Diversidade se conquista se livrando de preconceitos. O que isso nos agrega? Diferentes visões de mundo, um ambiente mais equilibrado, opiniões mais amadurecidas e mais colaboração e respeito”, comenta.

Coincidentemente, Adam pegou sua nova certidão de nascimento com seu nome social no dia da entrevista. Foto: arquivo pessoal
Coincidentemente, Adam pegou sua nova certidão o nome social no dia da entrevista. Foto: arquivo pessoal

Adam Tomaz, que está na empresa desde 2014 como assistente de Customer Experience, se emociona ao contar sobre sua contratação. “Nunca achei que ia encontrar um emprego sendo trans. Quando recebi o email do RH da Juno sobre as vagas, já fui bem direto, falando que eu era trans. Assim pouparia o tempo de ambas as partes, afinal, tem muita empresa que não contrata pessoas trans. O retorno do RH foi tão positivo, que eu até chorei quando li a resposta. Eles me receberam de braços abertos e isso fez muita diferença na minha vida”, relembra. Coincidentemente, pegou sua nova certidão de nascimento com seu nome social no dia da entrevista.

Departamento de empoderamento LGBT+

Para o CEO da Juno, a fórmula é simples: foco no profissional e no talento. E sim, colocar na prática os valores que a startup acredita. O negócio é tão sério que a empresa tem um time de colaboradores que se reúnem quinzenalmente para planejar ações internas que empoderam os colaboradores, a reunião é apelidada de Cult. Constituído por cerca de dez pessoas de setores diferentes, a Cult tem como objetivo garantir que no dia a dia todos os funcionários estejam alinhados com os valores da empresa.

Para este mês, a Cult fará uma série de vídeos para serem divulgados internamente para reforçar o quanto é importante estar em um ambiente livre de preconceitos. Serão cinco vídeos, com depoimentos dos funcionários LGBTs contando um pouco de suas trajetórias profissionais e pessoais. Também haverá um vídeo mais descontraído, explicando um pouco o vocabulário do pajubá e contatando sobre a gay culture. “Também vamos distribuir bottons com a bandeira LGBT. Inicialmente, iríamos distribuir apenas entre os LGBTs, mas depois pensamos que essa é sim uma bandeira da qual todos os junos devem se orgulhar”, contou Letícia Pacheco, assistente financeiro e que faz parte da Cult.

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Foto: Gus Benke

História da Juno

Com o nome inicial de Boleto Bancário, a startup tinha, em 2014, apenas três funcionários. Hoje, são cerca de 99 funcionários e mais de 388 mil clientes cadastrados. Somente em 2018, a fintech faturou mais de R$ 16 milhões. E o diferencial do serviço é simples: sem taxas extras e sem burocracia. Na Juno qualquer empresa ou até mesmo pessoa física pode realizar cobranças online com boleto ou cartão de crédito.

A ideia surgiu durante a universidade, quando, despretensiosamente, Eduardo Simioni fez um projeto de inovação de pagamentos com tecnologia utilizada pelas redes. O projeto acabou sendo indicado pelo programa Promessas Endeavor e começou a ganhar mercado. Após um período dedicado a outros projetos, Simioni passou a se dedicar à empresa e, com a entrada do CEO Matheus Bernet para tocar a operação, o BoletoBancario.com foi ganhando corpo e, principalmente, mercado.

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