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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) citou um vídeo antigo do deputado André Fernandes (PL-CE) ensinando a fazer depilação íntima ao rebater ataques feitos pelo parlamentar durante a votação da PEC que põe fim à escala 6×1 na Câmara dos Deputados. A troca de falas ocorreu na noite da última quarta-feira, 27 de maio, em plenário, durante a discussão da proposta que reduz a jornada máxima de trabalho no país.

A Câmara aprovou, em dois turnos, a PEC 221/2019, que estabelece jornada de 40 horas semanais em cinco dias de trabalho e dois de descanso. O texto foi aprovado por 472 votos a 22 no primeiro turno e por 461 a 19 no segundo, e agora segue para o Senado. A proposta aprovada é um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) à PEC de Reginaldo Lopes (PT-MG) e à PEC 8/2025, apresentada por Erika Hilton, que previa jornada de 36 horas semanais em quatro dias.

Antes da votação em plenário, a comissão especial havia aprovado a proposta por 34 votos a 4. O texto prevê transição: após 60 dias da promulgação da futura emenda constitucional, a jornada passará a 42 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado; depois de 12 meses, a carga máxima será de 40 horas semanais.

André Fernandes - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
André Fernandes – Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O embate começou quando André Fernandes afirmou que Erika havia sido “humilhada” pelo próprio campo político por não ter sua proposta de escala 4×3 votada como texto principal. Segundo as notas taquigráficas da Câmara, o deputado acusou governo e aliados de terem feito uma manobra para impedir a votação da PEC da parlamentar.

Na fala, André disse: “Deputada Erika Hilton foi humilhada pelos seus colegas, pelo seu partido, pelo seu Governo, pelo PT. Ei, Deputada Erika Hilton, estava propondo a 4 por 3 e estava dizendo que quem não assinasse seria contra o povo trabalhador.” Mais adiante, ele completou: “Deputada Erika Hilton, estão dizendo que foi irresponsável por ter apresentado uma PEC sem estudar os impactos financeiros, sem se preocupar com a economia do Brasil, sem fazer nenhum estudo fiscal. Estão dizendo, infelizmente, que é incapaz de propor algo decente para o povo brasileiro. Era sua PEC que o PL estava querendo votar, mas foi sua PEC que foi atropelada pelo Governo.”

Após ser citada, Erika Hilton pediu direito de resposta com base no artigo 74, inciso VII, do Regimento Interno. A presidente da sessão, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), concedeu 1 minuto à parlamentar.

Erika respondeu: “Presidente, é muito impressionante a cara de pau, a desonestidade intelectual e o teatro de biruta de aeroporto que a extrema direita está protagonizando neste plenário. O líder do partido deles foi à imprensa dizer que daria o sangue para não se aprovar o fim da escala 6 por 1. Se hoje estamos votando a 5 por 2, é porque eles obstruíram, impediram a votação da escala 4 por 3. Aí levaram uma lambada da classe trabalhadora, levaram uma lambada das forças sindicais, levaram uma lambada da sociedade e agora estão fazendo esse teatro, esse papelão, essa farsa.”

Na sequência, Erika citou o vídeo antigo atribuído a André Fernandes: “O trabalhador e a sociedade não são trouxas e vão mandar um recado pelas urnas. Humilhados estão eles, que, da noite para o dia, tiveram ontem que mudar a sua posição. Humilhante é se tornar deputado ensinando na internet a fazer depilação íntima. Isso é que é humilhante, e não mudar de posição. Humilhante é não defender as próprias posições. Viva a classe trabalhadora brasileira! Viva o Presidente Lula e a nossa luta pelo fim da escala 6 por 1.”

ASSISTA AO VÍDEO:

PRÓXIMOS PASSOS

A PEC ainda precisa ser analisada pelo Senado Federal. Caso seja aprovada pelos senadores sem alterações, a emenda constitucional será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, sem sanção presidencial, como ocorre nas propostas de emenda à Constituição.

Se o Senado modificar o texto, a proposta terá de voltar para nova análise da Câmara. Pelo texto aprovado pelos deputados, as mudanças serão aplicadas de forma gradual: primeiro, após 60 dias da promulgação, a jornada máxima passará a 42 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado; depois de 12 meses, a carga máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais.

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