O estudo “‘Desistência’: Uma revisão multimétodo da literatura sobre a variabilidade da identidade de gênero em jovens transgêneros e com diversidade de gênero” [em tradução livre], publicado em 2026, propôs uma discussão mais detalhada sobre identidade de gênero entre jovens trans. A pesquisa contestou a ideia, frequentemente defendida por grupos conservadores, de que a maioria das crianças trans deixa de se identificar dessa forma após a puberdade.
O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Virginia Commonwealth University, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Psychology of Sexual Orientation and Gender Diversity. Os autores analisaram estudos antigos e recentes relacionados ao conceito conhecido como “desistência” da identidade trans.

O termo é utilizado para descrever situações em que pessoas que se identificavam como trans durante a infância passam a se identificar como cisgênero posteriormente. Segundo os pesquisadores, números frequentemente usados para falar sobre esse tema foram baseados em interpretações consideradas inconsistentes de pesquisas antigas.
A análise revisou 11 estudos citados em uma publicação de 2016, além de outros cinco trabalhos mais recentes. De acordo com os autores, as taxas de “desistência” variavam bastante de um estudo para outro e poderiam ir de 0% a 100%, dependendo da forma como os dados eram interpretados.
Os pesquisadores também apontaram que parte das pesquisas usadas para sustentar a alegação de que “60% a 90%” das crianças trans deixariam de se identificar como trans foi realizada antes de 1990 e com grupos reduzidos de participantes.

A autora principal do estudo, Catherine Wall, afirmou que o objetivo da pesquisa era revisar criticamente números que vêm sendo repetidos há anos em debates públicos e políticos. “Devemos confiar na precisão da ciência, e devemos usar ciência precisa para orientar legislações”, declarou, segundo matéria do portal de notícias The PinkNews.
Segundo Wall, o tema ganhou ainda mais relevância porque esses dados vêm sendo usados para justificar restrições relacionadas a cuidados de afirmação de gênero em diversos estados dos Estados Unidos. O estudo concluiu que as pesquisas anteriores não permitem afirmar, de forma definitiva, que a maioria dos jovens trans deixa de se identificar dessa maneira ao longo da vida.
Renata Peron cria podcast para debater violências sociais e vivências travestis
Junte-se à nossa comunidade
Mais de 20 milhões de homens gays e bissexuais no mundo inteiro usam o aplicativo SCRUFF para fazer amizades e marcar encontros. Saiba quais são melhores festas, festivais, eventos e paradas LGBTQIA+ na aba "Explorar" do app. Seja um embaixador do SCRUFF Venture e ajude com dicas os visitantes da sua cidade. E sim, desfrute de mais de 30 recursos extras com o SCRUFF Pro. Faça download gratuito do SCRUFF aqui.














