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“A homofobia internalizada está causando o dano que estamos vendo dentro da comunidade gay?” Foi assim que o ator e modelo gay estadunidense Barrett Pall iniciou seu mais recente vídeo publicado no Instagram. O duro questionamento foi motivado, segundo Pall, pela percepção do que ele qualificou como “falta de liderança” não apenas do país, como um todo, mas também dentro do que chama ao longo de todo o vídeo de “comunidade gay”.

De acordo com o modelo, existe uma ligação clara entre o problema da liderança e “o ageísmo, a pandemia de AIDS e por que sentimos a necessidade de perpetuar a masculinidade tóxica dentro da comunidade gay”. A questão se desenvolve em torno da representatividade. Pall explica que é difícil lidar com o amadurecimento como homem gay sem alguém para quem olhar e em quem se espelhar, como um exemplo de atitudes, escolhas e superação de dificuldades, sobretudo em espaços públicos. E isso se dá porque, em larga escala, a pandemia de AIDS iniciada no fim dos anos 80, mas que ainda atinge com força a comunidade LGBTQIA+, ceifou a vida de muitos que ocupariam tais espaços hoje.

Pall acrescenta que teve a sorte de ter referências de homens gays mais velhos e experientes em seu desenvolvimento como indivíduo e, por isso, tem buscado encorajar conhecidos e outras pessoas, através do seu alcance midiático, para que tomam lugar, sempre que houver a chance, em posições de destaque, onde se pode “ajudar pessoas”. Em sua opinião, não se pode passar pela vida apenas apelando para a sensualidade, o que admite já haver feito, para ganhar dinheiro, fama e o sucesso. É possível e preciso se posicionar para fazer bem mais.

“Eu tive um agente gay, bem no começo da minha carreira, que sentou comigo e me disse: ‘Barrett, você tem duas opções. Você pode perpetuar tudo o que fizemos até agora e ter uma vida pública como heterossexual e ser gay na sua vida particular ou você pode sair do armário, ter um namorado, trabalhar num bar gay e ter algum sucesso’. E é essa profunda e internalizada homofobia que pessoas em posição de poder ainda não conseguiram mudar na indústria que eles mesmos dirigem que tem sido lançada sobre as novas gerações depois deles e é o porquê de vermos a nossa ‘pirâmide alimentar’ ser ocupada por homens gays musculosos e com corpos sarados, o que não os ajuda e nem a nenhum de nós”, conta.

Pall afirma que chegou a hora onde a comunidade gay precisa de conversas profundas sobre drogas, bebidas, sexo, masculinidade tóxica, homofobia internalizada. “Estamos sobrevivendo e não sendo bem sucedidos.” Para isso, ele pretende “liderar pelo exemplo” e fomentar os debates nos lugares em que puder.

“Eu entendo que a geração antes de nós teve que sobreviver para que alguém como eu pudesse sentar aqui para termos essa conversa, e precisamos ser gratos a eles, mas precisamos entender que, mesmo se os mais velhos tivessem todos os conhecimentos para ter essa conversa, por sermos tão ageístas, provavelmente nem os olharíamos ou escutaríamos. […] Ficamos bravos quando jovens alcançam lugares de destaque através de oportunidades concedidas a partir da luta das gerações mais antigas, enquanto os que atualmente mandam na indústria (e são gays) ainda sentam na sua homofobia internalizada, vergonha e trauma.”

Abordando as relações públicas dos indivíduos gays e a relação com as mídias sociais, Pall pergunta: “Fiz uma limpeza em quem eu seguia. Seguimos pessoas que mal conhecemos, de uma festa. Ou porque esperamos fazer sexo com elas um dia. Por que seguimos as pessoas que seguimos?”

Dentro das principais causas do desequilíbrio vivido pelas atuais gerações de homens gays, o modelo lista o ageísmo, o racismo, o classicismo, o que constrói insegurança e produz nas gerações jovens a vergonha do próprio corpo, o preconceito em relação ao corpo de terceiros e outros tantos traumas individuais e de relações interpessoais. “Estamos no meio de tanta vergonha por causa da heteronormatividade que nos assola. […] Estamos todos lidando com um tipo de profunda masculinidade tóxica, homofobia internalizada e vergonhas, incrustados em nós – ao longo de gerações – e que não nos fazem bem algum.”

Pall finaliza o vídeo com uma mensagem de alerta e um pedido para haja consciência entre os integrantes da comunidade, lembrando que vivemos ainda em período pandêmico: “Parem de ir à festas e fiquem em casa”.

Assista ao vídeo (em inglês):

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Catarinense, 25 anos e professor de Literatura e Língua Inglesa. Homem gay, apaixonado por música e que respira futebol e cultura latino-americana.