Antes de falar sobre Fire Island Pines, é bom descrever o que era esse paraíso gay que se tornou tão popular ainda nos anos 70. A Ilha do Fogo é a maior ilha paralela à costa sul de Long Island, Nova York. No entanto, o nome é usado muitas vezes para se referir a ela num todo, contudo cabe focarmos somente em uma parte dela, conhecida simplesmente como Pines.

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Fire Island Pines foi um reduto nos anos 70 da comunidade gay dos Estados Unidos, que vivia a liberdade do sexo e do amor livre numa era pré-AIDS. Sol, mar, festas, homens belos e a liberdade de fazer o que quisesse, num paraíso que acolheu uma comunidade que vivia o ápice da liberdade e porque não a libertinagem também.

Fire Island Pines - O paraíso da felicidade, interrompido bruscamente
Foto: Tom Bianchi

Pines era um pequeno trecho de Long Island e, provavelmente, a parte mais animada da ilha, que reunia amigos de todas as idades e com um único propósito: ser feliz. Enquanto o resto do país não via com bons olhos a cultura Queer, Fire Island era o refúgio para aqueles que só queriam se divertir, longe do (ainda pouco) preconceito da sociedade da época.

Fire Island Pines - O paraíso da felicidade, interrompido bruscamente
Foto: Tom Bianchi

Todos que frequentavam o local eram amigos, curtiam a vida sem julgamentos e, devido à proximidade com Nova York, frequentavam pessoas de todas as áreas culturais, mesclando arte, artistas etc. A capital da gaylândia, como alguns a chamavam, não surgiu de forma intencional, simplesmente foi acontecendo. 

Fire Island Pines - O paraíso da felicidade, interrompido bruscamente
Foto: Tom Bianchi

Os corpos que habitavam (não de forma permanente) Fire Island, eram naturais, com pelos e definidos –  porém sem exageros, sem uma pressão de ser o mais belo ou o mais forte. As poucas mulheres que iam ao local na companhia de seus amigos gays se sentiam à vontade para fazer topless e até mesmo ficar nuas com eles.

Aliás, a nudez, o sexo, as festas e o romances de verão faziam parte do contexto de Fire Island Pines, onde o amor era livre. Com a chegada dos anos 80, veio com ela a epidemia da AIDS, que destruiu os sonhos e projetos de jovens alegres. A ilha da alegria ficou de luto e o medo pairava sobre as pessoas – ao mesmo tempo que o preconceito da sociedade aumentava com o surgimento da doença, que logo no início afetou em massa a comunidade gay americana, sendo chamada de “peste gay”.

Fire Island Pines - O paraíso da felicidade, interrompido bruscamente
Foto: Tom Bianchi

Fire Island Pines ainda existe e ainda acontecem algumas festas por lá. O destino tem recebido um grande número de turistas interessados em conhecer o lugar que foi sinônimo no passado de festas, alegria e sexo, onde qualquer um podia ser quem quisesse, sem temer julgamentos ou reprovações. A ilha onde tudo era permitido (no bom sentido) inspirou livros e filmes como o longa “Meu querido companheiro” (1990), uma das obras mais tocantes sobre o tema produzidos na época.

Fire Island Pines - O paraíso da felicidade, interrompido bruscamente
Foto: Tom Bianchi

Para o fotógrafo Tom Bianchi, Pines é um lugar especial, ele viveu toda a intensidade daquele Éden no pico de sua efervescência na década de 70 e escapou ileso para contar a história, não apenas a dele, mas de todos os seus amigos que infelizmente não estão mais aqui para relembrar. Bianchi é autor do livro “Fire Island Pines: Polaroids 1975-1983”, recheado de fotos registradas ao longo de oito anos.

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