Livro reúne fotos de soldados nazistas fazendo cross-dressing

Há também registros de soldados americanos e britânicos.“Tem até evidências de crossdressers desde as guerras napoleônicas ", comenta o organizador do livro

Soldados com sutiã, maquiagem, jóias, vestidos longos, saias curtas e perucas. Abraços íntimos com oficiais nazistas uniformizados. As 118 fotografias que Martin Dammann reuniu em seu novo livro, “Soldier Studies: Crossdressing in der Wehrmacht”, revela uma vertente desconhecida da vida dos soldados alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

Há também fotografias de soldados americanos e britânicos, nas duas Guerras Mundiais, com roupas femininas. “Tem até evidências de crossdressers desde as guerras napoleônicas.” Mas, até onde ele pode averiguar, eram mais frequentes em tropas de Hitler.

Dammann é um pintor de arte e fotógrafo. Durante vários anos, viajou pelo mundo comprando imagens para sua inspiração em suas obras. Ao pesquisar fotos da Segunda Guerra, acabou se deparando com muitas fotos amadoras de soldados nazistas vestidos de mulher. “Cenas definitivamente opostas à ideologia alemã da época”, diz o editor Hatje Cantz em um comunicado de imprensa. “A homossexualidade era proibida, mas nas imagens vemos homens em contato íntimo e feliz com outros rapazes – embora vestidos como mulheres”, continuou.

A maioria das fotografias não possuem contexto, como detalhes sobre quem está nas fotos, onde foram tiradas, qual foram as ocasiões. Para a revista alemã Der Spiegel, Martin Dammann diz acreditar que o pano de fundo para as performances é um “desejo forte de escapismo, bem como elementos burlescos e de caricatura”.

Em entrevista a um canal de televisão alemão, o artista diz acreditar que o álcool e o tédio podem ter desempenhado um papel importante. “A realidade da guerra, em grande parte, não consiste em luta e perigo; mas sim de tédio, estupidezes e organização de tarefas cotidianas”, diz ele.

Em um posfácio do livro, o sociólogo Harald Welzer escreve que não há nada de exótico no comportamento dos soldados. Pelo contrário, ele acredita que o cross-dressing normalmente mostra uma saída para as emoções humanas, embora em uma emergência permanente.

Com informações de DN.no e Folha de S. Paulo