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Natural de Florianópolis Luan Poffo é provavelmente o youtuber gay brasileiro mais dinâmico e completo da atualidade: entre memes, dancinhas, biscoitos e humor, Poffo também comenta notícias que motivam reflexões e diversos comentários nas redes sociais.

Com quase 220 mil inscritos em canal no YouTube, o influencer, que também é DJ, foi eleito na categoria “Agitador Social Virtual Homossexual” no Poc Awards 2020, onde concorria ao lado de BCharts, Igreja Universsauria, Melted Videos, Pandlr e Saquinho de Lixo.

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Sendo eleito o “Agitador Social Virtual Homossexual” do ano, o que você considera que são acertos do seu conteúdo? E erros, existiram?

Foi uma surpresa gigante receber esse prêmio! E uma grande alegria também. Acredito que funcionou pela combinação de tocar em pontos políticos importantes somado a tentar levar a conversa de uma maneira leve e divertida. Penso sempre no equilíbrio: um pouco de meme, um pouco de notícia, um pouco de foto sexy no espelho (risos), falo brincando, mas funciona. A nossa existência é política e, tendo a oportunidade de ser ouvido pelas pessoas, não dá para ficar em cima do muro sobre algumas questões. Sobre os erros, são constantes e é importante ter humildade e coragem para superá-los. O meu último aprendizado, por exemplo, foi sobre entender o limite do humor: fiz um Reels imitando a Lumena. Até aí, tudo bem. Mas o conteúdo tocou em questões que envolviam o racismo, que não é e nem pode ser motivo de brincadeira. Então, percebi o meu equívoco com a ajuda dos meus seguidores e dei alguns passos pra trás. Faz parte e, assim, sigo em evolução.

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Reprodução: Luan Poffo

Notou mudanças na sua audiência nesses anos em que você está em atividade como produtor de conteúdo?

Nossa, tudo muda muito e é importante se adaptar para não cair com as mudanças. Lembro de uma época em que a moda era postar foto da comida, do sushi… Quem lembra? Hoje em dia isso seria o flop do ano! Mas, hoje, faz sentido postar uma dança, uma esquete bem humorada do dia a dia… Quando eu postava algum conteúdo dançando há 5 anos, não engajava em nada! Então, eu acredito que o importante não é pensar no que mudou, mas sempre tentar “dançar junto com a música”, seja ela no Twitter, no Tiktok, um reels ou uma live no Youtube.

E sobre ser artista/influenciador gay hoje em dia? É um rótulo? É uma ferramenta de marketing?

Eu sou da época que a gente escondia ser gay por ter medo de perder trabalho. A ideia internalizada nos criadores de conteúdo era que as marcas não iriam nos querer por sermos gays. E é fantástico ver como caminhamos no sentido à representatividade de cor, gênero e sexualidade, mesmo o mercado tendo muito ainda para evoluir. Hoje em dia, somos uma arma muito potente e essencial nas campanhas, então é claro que acaba virando uma ferramenta de marketing. Apesar disso, ser um artista e influenciador gay é não fechar os olhos para o que acontece na nossa comunidade. É falar por quem não sabe ou não pode. É tocar as pessoas para que elas se sintam cada vez mais inspiradas a ser donas da própria história. É jogar as fronteiras sociais imaginárias que nos limitam cada vez mais para longe. É fazer as pessoas pensarem: “ei, se ele pode, por que eu também não posso?”

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É bom ser famoso, rico e bonito? Existe um lado ruim disso tudo?

Essa pergunta é o meme pronto. Já prevejo o cancelamento vindo de qualquer coisa que eu responda.

Qual é o seu papel em um país onde o presidente e seus respectivos seguidores são LGBTfóbicos?

O meu papel é ser eu mesmo. Honesta e verdadeiramente.

O que você recomenda aos jovens gays que buscam o sucesso no YouTube e na música? E como é ser referência para eles?

Primeiro: cale a boca do “Censor” que vive na sua mente. Os seus pensamentos sempre vão dizer que você não é bom o suficiente ou que nada vai dar certo. Segundo: tenha coragem. Para ser você mesmo, para se expor criativamente, para pôr em prática as suas ideias. Independente das críticas, o mérito é sempre de quem dá a cara a tapa e está batalhando no centro do palco. Terceiro: persistência. Quarto: torne o seu trabalho ou a sua arte uma brincadeira. Fica muito mais fácil quando a gente não trata as nossas responsabilidades como “trabalho”. A gente tem uma eterna criança dentro da gente e que ama brincar, ser desafiada, divertir-se.

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Reprodução: Luan Poffo

E como a pandemia afetou seus projetos? O que você pretende fazer daqui em diante com este “novo normal”?

Afetou muito. Um pouco antes da pandemia eu me mudei para São Paulo para realizar meus sonhos como DJ e comunicador e, em março de 2020, tive que desistir da nova casa, de projetos e sonhos para voltar para a casa da minha família em Santa Catarina. Por meses, não entrou nada, nada mesmo de grana e a minha sorte foi ter um dinheiro guardado da época que trabalhei bastante. Voltei a focar nas redes sociais e isso foi o que me salvou. Hoje percebo a importância de ter diversas “fontes de renda”, pois não sei quando vou poder voltar a tocar nas pistas de dança. Daqui pra frente, estou estudando produção musical para lançar minhas próprias músicas e sigo como apresentador do Popline entrevistando os principais artistas da música. É preciso sempre se mexer para ser visto. Por isso, eu estarei sempre dançando.

Acompanhe Luan Poffo nas redes sociais:
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