Pela primeira vez, um policial federal abertamente gay disputa pelo Governo Estadual de Goiás

O policial federal Fabrício Rosa (38) lança sua pré-candidatura ao Governo do Estado de Goiás. Segurança pública, Direitos Humanos, Saúde e Educação são pilares da campanha

Primeiro na história de Goiás a reunir essas características diante de um pleito, o policial federal Fabrício Rosa travará disputa pelo menos três nomes fortes alinhados à direita, como José Eliton (PSDB), Ronaldo Caiado (DEM) e Daniel Vilela (MDB). Apesar do anúncio antecipado, a pré-candidatura será oficializada no próximo 22 de abril.

O policial federal Fabrício Rosa. Foto: Folha Z
O policial federal Fabrício Rosa. Foto: Folha Z

Fabrício já foi candidato a vereador em 2014. Ciente do desafio de concorrer com nomes sólidos em Goiás, o pré-candidato afirma estar consciente e confiante. “Entro no pleito sabendo que nossa candidatura é pequena, mas estou confiante, no sentido de levar pautas que não seriam discutidas pelos candidatos conservadores. Quem sabe não podemos modificar o pensamento dessas pessoas par que seus mandatos possam inserir a pobreza no orçamento e no plano de governo deles, que geralmente deixam esse assunto de fora”.

Pilares

Fabrício adianta que sua campanha e eventual governo terão quatro frentes principais: segurança pública, Direitos Humanos, Saúde e Educação. Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e mestre em Direitos Humanos, Fabrício afirma que pretende usar a experiência de mais de 18 anos como policial, federal e militar, em favor de comunidades marginalizadas. “Apesar de ser policial, acredito que a grande massa de investimento, nessa área, tem que ser nas periferias. Minha origem é pobre, sou filho de uma merendeira e de pai pedreiro, e a gente percebe que as periferias estão abandonadas”.

Nessas realidades, sem acessos, educação, cultura e esporte, jovens são conduzidos à informalidade e também à criminalidade. “Somos a favor da formalização do trabalho, desenvolvimento de projetos para incluir socialmente jovens que foram abandonados pelo atual governo estadual. Muitas vezes a criminalidade é uma resposta geradora de recursos para as necessidades básicas e de consumismo que essas pessoas, que apesar de pobres, também possuem. Então, em médio e longo prazos, podemos resolver problemas se segurança pública agindo na raiz do problema. A resposta, não está na militarização, como ocorre no Rio de Janeiro”, observa.

Na saúde, a ideia de Fabrício é atuar no que chama de Controle Social, em que – explica ele – organizações formadas por integrantes da sociedade civil atuam na fiscalização do acesso à saúde. “Isso já é feito em outros países, sobretudo, embora timidamente, no Brasil. Temos que fortalecer comitês municipais e estaduais de saúde para que possam fiscalizar como as pessoas tem acesso á saúde. Umas morrem nas filas, enquanto outras com problemas menos urgentes são atendidas. Esse é um sintoma do alastramento da corrupção no País. Queremos transparência, além de combater as Organizações Sociais (OSs). São gastos desnecessários e a escolha delas não é de qualidade, priorizando amigos do atual governo”.

Na educação, o plano também é combater OSs e a militarização. Segundo ele, policiais que estão nas salas de aula deveriam estar fazendo a segurança das ruas. “É lá que devem estar, não nas escolas. Isso não acontece em outros países do mundo ocidental. A educação deve ser civil, não militar. Nasceu aqui para atender filhos e parentes de policiais, não para atender toda a população. A formação militarizada serve para controla o filho do pobre, que deve ser disciplinado, enquanto o rico coloca seus filhos em colégios particulares civis. Isso impede a criatividade, a liberdade. Age para a uniformização do pensamento, padronização das pessoas. Achamos que esse não é o caminho”.

Fabrício revela preferir incluir a atuação em prol da comunidade LGBT na discussão de Direitos Humanos, em que, para ele, estão inclusos projetos sociais voltados para pessoas em situação de vulnerabilidade social e minorias, como os próprios LGBTs, idosos,  mulheres e negros: “atuo há mais de 20 anos com projetos sociais, desempenhando ações em comunidades, ocupações, que vão desde levar cesta básica à acesso à informações. Por ser gay, claro, a gente tem uma sensibilidade para lidar com ações com diversos grupos. Quanto à realidade LGBT, precisamos de políticas públicas, por exemplo, de combate à homofobia nas escolas. Não queremos privilégios. Queremos respeito, igualdade. Sofri, apanhei na escola por ser gay. Pregamos o direito de que as pessoas possam ser quem são sem serem expulsos de casa, como eu fui. Isso ainda acontece muito, então precisamos combater isso”.

Com informações de E Mais Goiás

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