Pré-candidato a vereador em São Paulo pelo partido PSB, Agripino Magalhães (40) é um militante que nunca descansa nas redes sociais. Ele sempre está pronto para processar qualquer cidadão que prolifere discurso LGBTfóbico, de Neymar a Malafaia. No dia seguinte desta entrevista abaixo, Agripino nos informou que na data de 01/09/2020 irá denunciar o maquiador Agustin Fernandez ao Ministério Público de São Paulo por destilar ódio através do canal do Youtube de Eduardo Bolsonaro.

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Thammy Miranda e Agripino Magalhães (Reprodução)
Thammy Miranda e Agripino Magalhães (Reprodução)
Como se deu o seu envolvimento no ativismo LGBTI+?

Tendo como exemplo grandes líderes LGBTI+.

Você é pré-candidato a vereador em São Paulo. Por que decidiu se candidatar? É a primeira vez?

Não é a primeira vez. Decidi me candidatar porque só através de um verdadeiro LGBTI+ os projetos LGBTI+ podem sair do papel.

A primeira ação judicial que você disse ter movido contra uma pessoa famosa foi contra o Neymar, que teria um áudio com ofensas homofóbicas ao ex-padastro? E como está essa ação? Você havia pedido uma indenização de 2 milhões de reais na ocasião, certo? O que você pretende fazer com dinheiro, caso ganhe?

Sim, foi a primeira vez de um famoso. A ação está em andamento; se ganhar, pretendo doar para casas de acolhimento, que acolhem população LGBTI+ que são expulsos de casa e outros em situação de rua.

Você inclusive disse que recebeu várias ameaças de morte pelas redes sociais por conta disso. Teve também alguma situação tenebrosa em lugares públicos?

Passei por situações tenebrosas; dois indivíduos em uma bicicleta quase me atropelaram, fui também agredido fisicamente.

Em 30 de julho, você contou que entrou com uma ação criminal contra o pastor Silas Malafaia por comentários transfóbicos que o mesmo fez contra o Thammy Miranda. Poderia dar mais detalhes sobre esta ação e o andamento do processo?

A Ação está em andamento e o próprio Silas Malafaia enfrentará a Justiça.

Você contou também que moveu uma ação contra Carlos Alberto da Silva, que fazia o personagem ‘Mendigo’ no Programa Pânico, em virtude de algumas declarações LGBTfóbicas. Poderia contextualizar o público sobre as declarações que foram feitas? E novamente a pergunta: como está o andamento do processo?

Recebi os print através do meu Instagram.

É verdade que ele entrou em contato contigo te ofendendo de forma pesada após você ter anunciado que o estaria processando? 

Sim.

Recentemente, você disse que abriu uma denúncia de crime homotransfóbico contra o ex-cantor de axé Netinho. O que o cantor havia dito na época? E como está o andamento dessa ação? 

Ele disse que os LGBTI+ pensavam com o “fiofó”.

No dia 18, você disse que denunciou junto ao Ministério Público de SP a apresentadora Antonia Fontenelle e o cantor Netinho por racismo, incitação ao ódio, LGBTfobia e “exposição de racismo”. Poderia dar mais detalhes a respeito dessa acusação de racismo? O que foi dito?

Falou sobre racismo, comentando a música “Nega do Cabelo Duro”, falando que viviam em liberdade vigiada, por não poder comentar sobre a música.

Reprodução
Ao todo você já moveu ações judiciais contra cinco pessoas da grande mídia. Eu li alguns comentários na internet dizendo você estava processando essas pessoas para tentar se autopromover, isso te incomoda?

Incomoda, é por isso que eu luto há mais de 20 anos. Há um ano a LGBTI+ não era crime no Código Penal, hoje é; ficamos muito tempo calados, hoje não podemos mais calar.

O GAY BLOG BR recentemente fez uma entrevista com o jovem paulista Marcello Santanna, que foi covardemente agredido por um motorista de ônibus; na época você ofereceu suporte a ele. Como está o caso hoje? O motorista foi demitido da empresa de ônibus pela agressão?

Na época ofereci toda minha estrutura de advogados e denunciei em toda a imprensa, foi quando o caso veio à tona.

Você também já foi alvo de processos judiciais? 

Não.

Qual a sua relação com a Associação da Parada do Orgulho LGBT de SP? Você acha que a APOLGBT SP deveria atuar junto contigo no que se refere a essas ações judiciais? 

Já fiz parte desta Associação; as ações são movidas por mim. Sempre militei sozinho.

Por que você não é associado da Associação da Parada do Orgulho LGBT+ de SP? Pois, como associado, você poderia se candidatar a uma chapa e isso poderia fortalecer bastante a sua atuação como ativista diante da Associação, não acha? Aliás, você já trabalhou lá no passado, né?

(Agripino preferiu não responder a esta pergunta).

Em 13 de abril do ano passado, a APOLGBT SP publicou um comunicado dizendo que a participação da cantora Ivete Sangalo na 23ª Parada do Orgulho LGBT de SP era falsa e que ao contatar o site Glamurama (que foi o primeiro portal a dar essa nota) o mesmo disse que a informação havia sido fornecida por você. Houve um mal entendido? O que de fato ocorreu?

Neste caso houve um mal entendido, falei que tinha uma bandeira LGBTI+ personalizada com o nome e foto da Ivete e que ela viria fazer um show em São Paulo na véspera da parada e que eu iria entregar a ela. Foi isso que eu disse.

Recentemente você alfinetou o pré-candidato a vereador Pedro Melo, que teve nudes vazadas. Você escreveu: “Tá mais para candidato de capa de revista gay do que a cargo público de pré-candidato a vereador de São Paulo”. Quem troca nude deve desistir de tentar a carreira política?

Não. Acho que não deve usar este tipo de imagem e vazamento para aparecer no meio LGBTI+ como candidato.

Como os cidadãos podem identificar as pessoas que podem se candidatar para vereador e para capa de revista gay, caso não seja possível se candidatar para os dois ao mesmo tempo? 

Não entendi o objetivo de sua pergunta.

Você, então, seria o contrário do candidato de capa gay, certo? Mas posaria nu por R$ 1 milhão?

Sim, seria. Não posaria nu por um milhão.

Qual é a revista gay você mais gosta?

Era a G Magazine.

Você também criticou que o Pedro Melo seria uma “mariposa do bolsonarismo”; as pessoas não podem pensar o mesmo de você, que tem fotos enaltecendo o Diego Hypólito sem camisa?

Na época que tive fotos com Diego Hypólito ele tinha acabado de revelar sua orientação sexual.

Diego Hypólito e Agripino Magalhães (Reprodução)
Atacar outros candidatos LGBTs pode fazer o eleitor preferir você?

Não; mas ele pode saber quem é quem, e quem é realmente capacitado no meio LGBTI+ para representar esta população.

Em quem você votou no primeiro e no segundo turno para governador e presidente em 2018?

Márcio França e Ciro Gomes.

Você aceitaria convite para participar de algum reality show como “De Férias Com o Ex”, “A Fazenda” ou “BBB”?

Não.

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