Casa de Criadores 46 – Dia 4

Na passarela, show de MC Tha e comentário social marcaram a plateia

A penúltima noite da 46° edição da Casa de Criadores foi agitada. Abrindo a passarela, o desfile oferecido pela Sou de Algodão, patrocinadora do evento, convidou estilistas para apresentarem um look ao som de MC Tha.

Mateus Cardoso – vencedor do concurso Sou de Algodão da edição anterior, Estamparia SocialJal VieiraDario MittmannRodrigo Evangelista e Boldstrap, apresentaram suas criações. Ícone dos anos 80, Rita Cadillac desfilou pela Estamparia Social, que fez um comentário social sobre o sistema carcerário brasileiro.

Neste sábado (30), às 17h, acontece a performance para conscientizar sobre o Dia Mundial de Combate à AIDS, desenvolvida por Rafael Bolacha com apoio do Museu da Diversidade Sexual.

Mateus Cardoso
Com foco no masculino, a marca procura investir em um novo design para este setor, através de estudo de novas formas, combinações, cores e tecidos. A coleção fala sobre a inquietação pessoal do estilista sobre masculinidades contemporâneas o levou a analisar o vestuário tradicional de seu público para se chegar a novos resultados. Com foco no processo, o ponto de partida para o desenvolvimento da coleção foi estudos de formas através da desconstrução da alfaiataria, resultando em produtos com novas proporções, combinações e um novo design. Grande parte do desenvolvimento da coleção é voltado para estudos de acabamento, com o objetivo se sempre melhorar a qualidade das peças. Grande parte dos tecidos usados são a base de algodão, mesclados à algumas peças de lã. Todas os estudos, desenvolvimento de modelagens e pilotos, são feitos pelo próprio estilista.

Estamparia Social
Dia de visita é o dia mais esperado da semana. Ele costuma ser aos finais de semana. É a passarela da cadeia. Um evento. Modificamos o corte de cabelo, de barba. Trocamos até de roupa com quem nos visita. O dia de visita é bom para quem tem familiares, mas pra quem não tem, é o maior veneno. Como não temos contato com nenhum familiar, o dia de visita pode nos deixar mais ansiosos e angustiados, até porque não sabemos quem virá. Das 9 às 14hs é a confirmação de alguém aparecer. É o único tempo que temos em contato com o mundo externo. Se não aparece ninguém, todo o processo de espera, saudades e solidão começa novamente até o próximo dia de visita. Uma cela que deveria ser para doze, se torna um espaço para quarenta. No dia de visita podemos receber até duas pessoas por preso. Imagina quanta gente vem neste dia. Se este processo é sofrido pra gente, também é para os nossos familiares. Eles precisam chegar de madrugada e esperar numa fila, na entrada, passar pela revista e talvez esperar em outra fila. São oito pavilhões ao todo, com presos que irão receber seus familiares. Volto a reafirmar, se é difícil pra gente, é bem pior pra eles. Escolher o dia de visita para o tema da nossa coleção somente destaca a sua importância. É o único contato que temos com o mundo externo. É aquele momento em que sabemos dos nossos familiares, dos nossos amigos e das nossas comunidades. Pequenos gestos se tornam grandiosos, como quando um familiar ou um amigo manda uma pasta dental. Ser lembrado nos faz sentir especiais e confirma que estamos vivos para o mundo. Assim como o dia de visita é esta confirmação. A passarela é importante porque nos dá a oportunidade e a vitrine pra mostrar, pra todos, a realidade do que passamos. E O quanto este projeto tem valor. A Estamparia Social vem para olharmos para o futuro, é um processo de reintegração. E reintegrar para mim é isso, voltar a dar sentido e oportunidades a estas pessoas. Reingressar na sua vida, dos seus familiares e da sua comunidade. Nesta segunda coleção, recebemos um desafio da Sou de Algodão: trabalhar com resíduos de jeans. A Estamparia Social sempre foi voltada a trabalho com serigrafia. Ter este estímulo nos abre novas oportunidades, que servem para levar este projeto a um maior número de egressos, tanto homens, quanto mulheres. A ideia é exatamente esta, repensar nossas ações e minimizar o impacto deste resíduo, dando a ele uma nova vida. Estamos investindo em tecnologia social, um projeto de baixo custo, de fácil aplicação e com um resultado significativo.

Jal Vieira
A Jal Vieira Brand tem como foco o desenvolvimento de roupas e acessórios pautados na cultura negra e sertaneja, e nas suas formas de expressão no universo feminino. Por meio do experimento, redefinimos nossa maneira de criar e atingir o nosso público, buscando combinar a utilização de materiais incomuns no desenvolvimento de roupas – como cadarços, borracha e palha – a tecidos e acabamentos refinados. A coleção Inverno 2020 da Jal Vieira Brand optou, nesta temporada, por mexer em suas próprias feridas. Naquilo que mais lhe sangrou nos últimos tempos. Vivendo um tempo em que dizer que não se está bem tornou-se tabu, a estilista revira suas maiores emoções e traz para a passarela suas dores e o medo da ausência.

Dario Mittmann
O estilista Dario Mittmann tem como uma de suas principais inspirações a cultura urbana e o mundo artístico, mesclando em seu trabalho o streetwear com métodos de produção atelier. Suas criações ricas em detalhes trazem toques de um mundo fantástico ao concreto urbano. Na Casa de Criadores, Dario apresenta a coleção MIRA ME – Movimentos que tiveram seu início nos subúrbios dos países latinos hoje ganham destaque no mundo da arte, da música, dança e moda. Uma nova geração surge empoderando-se com orgulho de suas origens e movimentando a cena contemporânea, exaltando signos do passado em uma visão futurista. Elementos da cultura jovem periférica antes marginalizados, hoje ganham destaque como tendências comportamentais pelo mundo. A estética e sonoridade do reggaeton, do funk e do contemporâneo trap são o que há de mais fresco na atualidade.

Rodrigo Evangelista
A coleção “CASA ROSA” será apresentada na 46a edição do evento Casa de Criadores (última semana de novembro) e é inspirada em minha origem latina. Rosa é um dos meus sobrenomes, advindo da família do meu pai, de El Salvador (América Central). Tendo em vista o atual momento sociopolítico que vivenciamos, quero aproveitar a plataforma para chamar a atenção para importância dos imigrantes e para discutirmos assuntos como xenofobia e intolerância. As peças terão as cores e volumes inspirados na flor que dá nome à coleção, assim como em vestimentas de origem latina e referências da cultura pop.”

Boldstrap
A Bold Strap é uma marca que celebra a diversidade da comunidade LGBTQIA+, em suas diferentes fantasias e fetiches. Dedicada inicialmente às jockstraps, hoje a marca expandiu para acessórios de fetiche e streetwear. Fofo, porém piranha. Esse é o fio criativo que guia a coleção “Hard Candy”. Nela, a marca propõe uma imagem de inocência e perversão construída com elementos lúdicos e pueris como unicórnios, ursinhos, nuvens, asinhas e arco- íris aplicados em peças provocativas e contrapostas com elementos pesados como correntes, motocross, tribais e acessórios de fetiche, com styling de João França Ribeiro. Nas peças, utilizou-se materiais como plush, pelúcia, renda, nylon e plástico em candy colors, reforçando a atmosfera de brinquedo girly, e pesando com couro, arrastão e vinil na cor preta.

CALENDÁRIOS DE DESFILES:
30 de novembro (sábado) 17h
Projeto Lab: Boutique Venenosa, Rainha Nagô, Thear e Priscilla Silva
Vivão
Estileras Fudidamente Insertas
Coetânees
Vicente Perrotta

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