‘As lentes da diversidade libertam resultados’ por Ronaldo Ferreira Júnior

Por Ronaldo Ferreira Júnior*

Às vezes, as organizações me perguntam: diversidade e inclusão é um caminho obrigatório ou uma empresa que ainda não está preparada pode adiar ou até mesmo não seguir este caminho? Acho que a resposta é simples: quando temos um problema de visão temos a opção de ir a um oftalmologista ou continuar por aí com uma visão turva, tropeçando.

É possível adiar ou não se tratar, mas temos que ter a consciência de que vamos andar mais lentos e com muito mais dificuldade no mercado do que os concorrentes com visão ampla, que vestiram as lentes da diversidade e optaram por desenvolver produtos e serviços que atendem os desejos dos clientes deste Brasil, grandioso e diverso.

Um estudo do Instituto Locomotiva apontou que 69% das mulheres entendem que não são retratadas de forma adequada, 90% dos negros acreditam que os protagonistas das campanhas publicitárias são em sua maioria brancos. Segundo o mesmo estudo, nada menos que 88% dos consumidores acreditam que as empresas não se importam com os clientes, mas apenas com o lucro.

Os dados acima mostram que as empresas estão com dificuldade de enxergar o mercado como ele realmente é. Abrir espaço para a diversidade, eliminar os pontos cegos do negócio e ter clareza da realidade para tomar a melhor decisão possível trarão uma enorme vantagem para aquelas que se propuserem verdadeiramente a fazer isso.

Dados da consultoria McKinsey & Company mostram que abrir espaço para as diferenças aumenta em até 70% a chance de uma empresa evoluir e se destacar frente à concorrência.

Quem desperdiçar esse potencial abrirá mão de ser protagonista das transformações mais marcantes do nosso tempo e caminhará em marcha (bem) mais lenta do que os competidores com visão ampla, capazes de criar ambientes de trabalho, produtos e serviços que contemplam todas as nuances do país.

E se queremos ser protagonistas e surfar nos benefícios que todos ganham nos ambientes diversos e inclusivos, temos que estar atentos ao processo de cultura destes novos tempos.

Geralmente, as companhias iniciam o processo pela etapa das vivências e dinâmicas. E nesta fase, apresentamos a Diversidade a partir de cada um dos grupos minorizados que queremos incluir na empresa. Promovemos, por exemplo, a semana de igualdade racial, ou roda de conversa sobre o empoderamento feminino, ou um evento para tratar da masculinidade tóxica. Todos os assuntos são importantes e pertinentes. Mas observamos que apenas um pequeno grupo de colaboradores usufrui do investimento realizado pela empresa. Sem entender bem os benefícios coletivos da Diversidade e Inclusão, a maioria dos colaboradores tende a não participar desses eventos, por entender que outras pessoas, pertencentes aos grupos o farão.

Para que a diversidade seja abraçada por todos é preciso despertar a consciência de que para alavancar os resultados de nossa empresa, temos que garantir que os grupos minorizados estejam presentes. Que as nossas diferenças são o nosso maior patrimônio, e que elas geram conflitos sadios que nos abastecem de informações importantes para mantermos um bom clima organizacional e uma estratégia sustentável e lucrativa para o negócio.

Então, tenha coragem de encarar e entender este futuro próximo onde mulheres, negros e idosos dominarão o consumo do mercado. E é só desta maneira, abrindo espaço e incluindo as diferenças no negócio, é que conseguimos garantir um processo natural e bem-vindo de bons resultados.

*Conselheiro da AMPRO – Associação Nacional das Agências de Live Marketing e sócio-fundador da um.a #diversidadeCriativa, agência especializada em eventos, campanhas de incentivo e trade

Sobre a um.a:

Fundada em 1996, a um.a está entre mais estruturadas empresas especializadas em eventos corporativos, viagens de incentivo e trade. Ao mudar seu nome, de Agência Um para um.a, assumiu um novo posicionamento baseado na diversidade criativa. Entre seus principais clientes estão Atento, Citi, Corteva, Nextel, Mapfre, Carrefour, Tigre, Via Varejo, Sanofi, Bristol-Myers, e Motorola, entre outras. Ao longo de sua história, ganhou mais de 40 “jacarés” do Prêmio Caio, um dos mais importantes da área de eventos.