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A Guarda Civil Municipal de São Vicente, no litoral de São Paulo, está sendo acusada de homofobia por três jovens LGBTs (dois gays e uma pessoa trans) após uma violenta abordagem dos guardas municipais. Em entrevista ao G1 no último dia 21 de julho, eles disseram que foram chamados de “viados” e abordados de forma truculenta na rodoviária do município. A prefeitura abriu uma sindicância para investigar a possibilidade do desvio de conduta e disse repudiar as atitudes homofóbicas.

A situação relatada foi de quando João Pedro da Silva Loureiro (20) e Luanderson Almeida Leite (25) estavam na rodoviária na tarde do dia 15 de julho esperando o ônibus que levaria a amiga Nathalia Lima (20), que voltaria para Sorocaba, no interior de São Paulo. Segundo contam, três guardas municipais, sendo dois homens e uma mulher, chegaram ao local.

“Nós estávamos com a ponta de uma maconha, e eles viram. Mas antes, já estavam olhando a gente fixamente, eu já estava com medo pela forma que olhavam”, diz João Pedro, acrescentando que os guardas passaram a gritar e ofendê-los na frente de todos que estavam no local, dizendo “seus viados”, “seus pu***”, e que os agentes de segurança estavam com as pistolas nas mãos.

3 jovens relatam homofobia na abordagem de guardas municipais no litoral de SP
Foto: Arquivo Pessoal

Após os xingamentos, os dois guardas homens pegaram a mochila de Nathalia e revistaram, jogando tudo o que tinha no chão. “Nesse momento, eles perguntaram para mim e para o meu amigo se éramos transformistas. Relatamos que era da Nathalia, nossa amiga, e que ela era transexual e retornaria para a cidade dela. Nesse momento, eles falaram ‘então é tudo viado’, e que ela ‘devia ir dar o c* em outro local, bem longe de São Vicente'”, conta João Pedro.

Segundo João, a revista foi feita de forma violenta, e a camisa dele chegou a rasgar com a abordagem truculenta da GCM, sendo que a mulher foi a única que não ofendeu e nem xingou eles. “Eles ainda obrigaram a Nathalia a tirar a gata dela que estava na caixinha para revistar, e jogaram a gatinha no chão. O meu amigo, Luarderson, ainda teve seus dedos pressionados com muita força por um dos GCMs na hora da revista. Fomos empurrados e chutados por eles para separarmos as pernas, para sermos revistados, foi uma forma bem agressiva. Ainda jogaram o meu celular no chão, então, não consegui filmar nada”, conta.

“Eles não pediram nossos documentos para registrar a abordagem, ou seja, o objetivo deles foi só nos humilhar e nos constranger. Eu me senti um lixo, todos ficamos muito mal, fizeram tudo isso e não acharam nada nas nossas coisas. É muito dolorido sofrer homofobia, ainda mais por parte de pessoas que deveriam garantir nossa segurança, isso nos deixa com medo e oprimidos. Por isso, postei o ocorrido na rede social, não podemos mais no calar diante do preconceito”, diz João.

Testemunha em ônibus registrou parte de abordagem da GCM com jovens — Foto: Arquivo Pessoal
Testemunha em ônibus registrou parte de abordagem da GCM com jovens — Foto: Arquivo Pessoal

Em nota, a Prefeitura de São Vicente informou que colheu o relatório dos guardas envolvidos e abriu uma sindicância para investigar a possibilidade de desvio de conduta por homofobia. Já a Guarda Civil Municipal também informou que está realizando procedimentos administrativos para apurar o fato e reitera que os agentes passam por cursos de capacitação todos os anos.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"