A promoção da diversidade é fator estratégico para a internacionalização de empresas sediadas em países emergentes. Em média, companhias alocadas nesses países e que defendem abertamente a causa LGBT atraem 20% mais recursos estrangeiros – tanto em investimentos quanto em vendas -, quando comparadas àquelas que não se envolvem com o tema. É o que aponta o novo estudo desenvolvido pelo Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a Open For Business, que traz um diagnóstico inédito sobre o impacto financeiro das políticas de inclusão LGBT em mercados emergentes.

A conclusão do estudo – intitulado New Global Champions: Why the fastest growing companies from emerging markets are embracing LGBT+ inclusion – faz uma relação direta entre o posicionamento antidiscriminatório tomado pelas empresas e o aumento de sua atratividade perante o mercado global. Nele, o BCG também identificou que companhias que abraçaram explicitamente a diversidade LGBT jamais sofreram retaliação financeira – ou seja, suas receitas e lucros continuaram crescendo.

Mais companhias LGBT-friendly

A pesquisa analisou 96 companhias de 18 países de economias emergentes. Além do Brasil, participaram da mostra empresas sediadas em África do Sul, Argentina, Chile, China, Colômbia, Egito, Filipinas, Índia, Indonésia, Malásia, Marrocos, México, Nigéria, Quênia, Peru, Tailândia e Turquia – sendo que, destes, sete possuem leis de repressão à liberdade de orientação sexual. Com o objetivo de apurar apenas empresas com grande potencial de crescimento, a mostra adotou o seguinte critério de seleção: receitas anuais acima de US$ 1 bilhão – dos quais ao menos US$ 500 milhões ou 10% tenham origem internacional – e taxas de crescimento acima do PIB nacional e da média do setor. As companhias analisadas operam atualmente em 169 países, alcançando 99% da população mundial.

Numa comparação a levantamentos anteriores, o estudo constatou que a proporção de companhias pró-LGBT nesses países praticamente dobrou nos últimos quatro anos. Em 2015, 19% promoviam ações inclusivas; hoje, 37% seguem essa política.

Empresas familiares e de consumo à frente

Os setores com maior concentração de empresas LGBT-friendly são Consumo (57%); Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (50%); e Metais & Mineração (38%). Empresas voltadas para o consumidor (B2C) também se mostram mais preocupadas – 56% abraçam a causa, contra 35% das B2B. Outro destaque são as empresas familiares, das quais 58% possuem políticas inclusivas; enquanto, entre as não-familiares, a proporção é de 32%.

“O estudo comprova que o posicionamento público contra a discriminação LGBT é um imperativo para empresas que pretendem se internacionalizar”, ressalta Fleuri Arruda, principal do BCG Brasil. “Esperamos que isso ajude a encorajar mais companhias a adotar políticas semelhantes, como incluir a causa LGBT em sua estratégia de negócios. Essas empresas podem catalisar transformações sociais nas comunidades em que estão inseridas, especialmente em países onde LGBTs sofrem sérias limitações”, acrescenta.

Fundador da Open For Business, Jon Miller destaca a importância dos dados publicados pelo estudo: “O ponto mais crítico do relatório é que ele foca em regiões onde o apoio à causa é ainda mais urgente. Muitas das companhias apuradas estão sendo progressivas nas questões LGBT, apesar de estarem sediadas em países onde a luta pelos direitos de inclusão permanecem um grande desafio”, ressalta.

Confira a íntegra do estudo no link: http://open-for-business.org/new-global-champions