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O atleta inglês de rúgbi Joel Tomkins foi suspenso por oito partidas por ter enfiado o dedo no ânus de seu aniversário, Richie Myler, durante uma partida que estava sendo transmitida para toda a Inglaterra. O “fio terra” aconteceu durante uma partida do Catalan (time de Tomkins) contra o Rhinos (de Myler). As informações vieram do The Sun.

O incidente aconteceu no último dia 13 de novembro durante um jogo da NRL, considerada a principal liga do Reino Unido. Após a partida, a NRL considerou a infração muito grave e deu a suspensão ao jogador. O próprio Myler, que sofreu a agressão, não o acusou quando foi perguntado sobre o assunto, mas a punição veio porque as câmeras da TV mostraram.

Essa não é a primeira vez que alguém é suspenso por fazer “fio terra” durante uma partida de Rugby. Em 2001, o jogador John Hopoate foi banido de 12 partidas por ter feito a mesma coisa, mas nesse caso foi em três oponentes.

Jogador fez "fio terra" no adversário e é punido com suspensão
Reprodução

Ofensas nos estádios de futebol no Brasil: homofobia, racismo ou injúria?

Se na Inglaterra o problema foi o fio terra, no Brasil, o árbitro do jogo entre Audax e Sport, pela Copa São Paulo de futebol Júnior, interrompeu a partida e pediu o apoio da polícia militar em função de repetidas manifestações de torcedores do time paulista contra o goleiro Túlio Galindo, da equipe pernambucana. Isso ocorreu no dia 9 de janeiro de 2020.

O árbitro seguiu, de forma clara uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que passou a classificar, a partir de 2019, como crime atos de homofobia com base na lei de racismo. Ele também seguiu a cartilha estabelecida pela Confederação Brasileira de Futebol em agosto de 2019 e reforçou o basta contra este tipo de comportamento, que deverá, cada vez mais punir os clubes com a perda de pontos e multas. Mas e se não se tratar de um crime de homofobia?

A decisão e a discussão sobre o tema, na visão do advogado especialista em Direito e Processo Penal, membro da Comissão Especial de Direito Penal da OAB, Leonardo Pantaleão, é um passo importante e necessário para se fazer aplicar a lei e mudar a cultura machista e preconceituosa que permeia os estádios.

“Eu mesmo frequento estádios e, infelizmente, é muito comum e triste notar este tipo de comportamento que em nada tem a ver com a beleza do espetáculo, mas vemos mudanças importantes”, destaca. Pantaleão explica que, desde junho de 2019, por decisão do Supremo Tribunal Federal, a homofobia é considerada crime. Os ministros do Supremo determinaram que a conduta passe a ser punida pela Lei de Racismo (7716/89), que hoje prevê crimes de discriminação ou preconceito. O especialista esclarece, no entanto, que há uma mistura grande no entendimento sobre o que é considerado homofobia e injuria.

“Na injúria, que também ainda é muito comum em estádios, o agressor tem como objetivo incomodar a honra. Um indivíduo que não é homossexual ser chamado de “bicha” estaria enquadrado neste tipo de lei”, diz. Todo o ato deplorável que envolve ambos os temas, segundo Pantaleão, merecem atenção e ação enérgica. No entanto, sob a ótica da aplicação do Direito e Processo Penal e o emprego de eventuais penas, seu entendimento exerce significativa diferença para efeitos de sanção. Vale lembrar que crimes de injúria tem penas bem menores (detenção, de um a seis meses ou multa) em relação ao racismo (reclusão de um a cinco anos).

Os casos de injúria racial nos esportes praticadas durante a realização de algum jogo, campeonato, prova ou equivalente, sobretudo no futebol desde 2019, tem a figura da Justiça Desportiva como o órgão competente para dirimir esses incidentes. O jurista destaca que cabe à Justiça Comum em âmbito Criminal e Cível o poder e dever de investigar os infratores desses atos discriminatórios, punindo-os em razão do cometimento de tal infração, contudo, a investigação e punição dos clubes ou atletas será de competência da Justiça Desportiva, tendo em vista a falta disciplinar praticada durante o campeonato.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"