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O Ministério Público denunciou à Justiça o vereador Fernando FH (MDB), de Itararé, por dizer em uma rede social que queria tornar a “cidade mais hétera”, além de fazer insinuações ofensivas a um internauta chamando-o de “franga”. O vídeo em que ele profere tais palavras pode ser visto através deste link.

O MP entende que o vereador violou o artigo 20 da lei n. 7.716/89, “que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, envolvendo a questão da segregação à orientação sexual e à identidade de gênero do grupo LGBTQI+, praticando pelas redes sociais preconceitos e discriminação homofóbica contra essas pessoas”. 

A postagem do vereador diz: “Teve um abençoado de uma franga que entrou num debate lá no Facebook. E eu perdi alguns minutinhos agora da minha vida olhando a página dele. Até chamei ele lá para trocar uma ideia comigo por Whatsapp… Vamos junto aí. Vou tentar fazer da nossa cidade uma cidade mais ‘hétera’, mais pulso firme. Vem carregar uns frangos com nós qualquer dia pra ver se vira uma pessoa mais parruda, né. Não vou falar nada porque tem quem goste, né?”.

Depois da repercussão negativa, Fernando pediu desculpas e disse que “sempre respeitou e respeitará a diversidade e as liberdades garantidas pela Constituição Federal”. 

“Cabe a nós irmos corrigindo aos poucos os nossos vocabulários e pensamentos, de modo a excluir do nosso dia a dia comportamentos enraizados na nossa criação e na nossa sociedade. Peço desculpas aos ofendidos.” – disse.

MP denuncia vereador que gerou polêmica ao dizer que quer cidade do interior "mais hétera"
MP denuncia vereador que gerou polêmica ao dizer que quer cidade do interior “mais hétera” – Reproduçãoini

COMENTÁRIOS HOMOFÓBICOS DISFARÇADOS DE BRINCADEIRA

Segundo o TCC “A discriminação homofóbica por meio do humor: naturalização e manutenção da heteronormatividade no contexto organizacional”, as piadas homofóbicas disfarçadas de “humor” ou uma simples brincadeira estão diretamente relacionadas aos valores heteronormativos de uma sociedade.

Isso significa que quanto mais “heteronormativo”, ou seja, quanto mais masculino o homem for (dentro do que a sociedade ensina o que é ser masculino) e quanto mais feminina a mulher for, mais privilegiada a pessoa será e mais “normal” ela será considerada na sociedade.

Caso a pessoa saia deste estereótipo, ela será vista com “maus olhos”, surgindo daí a chacota, que no início pode ser visto como uma simples “brincadeira inocente”, mas que acaba sendo o “berço” para comportamentos homofóbicos mais graves, como a violência física e verbal.

O estudo conclui que os homens heterossexuais com crenças precárias utilizam do humor homofóbico como forma de autoafirmação de sua masculinidade, com piadas também sexistas e, em muitos casos, tendo diversos comportamentos que necessitam reforçar sua virilidade, vindo daí frases comuns como “homem não chora” ou “homem que é homem aguenta firme tudo”, ou piadas relacionadas ao “papel da mulher” na sociedade. Em casos mais graves, há homens que deixam de se higienizar adequadamente para reforçarem sua identidade masculina, levando a casos de amputação peniana por simples falta de higiene.

A “brincadeira inocente”, que é homofóbica, deixa de ser engraçada quando a pessoa entende que o fato do homem “ser viril” ou da mulher “ser feminina” não deveria ser motivo de valorização. O respeito começa com a aceitação das pessoas do jeito que elas são, independente de padrões pré-estabelecidos.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"