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A Câmara Municipal de Itararé, interior de São Paulo, puniu o vereador Fernando FH (MDB) por ter dito que iria tornar sua cidade “mais hétera”, e ainda fez insinuações quanto a orientação sexual de um internauta, chamando-o de “franga”. As informações são do G1.

A Câmara de Vereadores de Itararé abriu uma Comissão Processante (CP) para investigar a conduta do político, que considerou a conduta de FH como quebra de decoro parlamentar ao usar palavras e expressões homofóbicas nas redes sociais, “agindo de forma preconceituosa e discriminatória, de potencial ofensivo para parcela da sociedade, principalmente para a comunidade LGBTQIA+”.

Por outro lado, a comissão também reconheceu que o vereador estava no quarto mês como parlamentar, não tinha intenção de ser preconceituoso e pediu desculpas pelas expressões. Por isso tudo, não foi aplicada a sanção máxima, como perda ou suspensão do mandato.

O caso ocorreu em abril, quando o vereador postou um vídeo dizendo: “Teve um abençoado de uma franga que entrou num debate lá no Facebook. E eu perdi alguns minutinhos agora da minha vida olhando a página dele. Até chamei ele lá para trocar uma ideia comigo por Whatsapp… Vamos junto aí. Vou tentar fazer da nossa cidade uma cidade mais ‘hétera’, mais pulso firme. Vem carregar uns frangos com nós qualquer dia pra ver se vira uma pessoa mais parruda, né. Não vou falar nada porque tem quem goste, né?”.

Depois da repercussão negativa, Fernando pediu desculpas e disse que “sempre respeitou e respeitará a diversidade e as liberdades garantidas pela Constituição Federal”. 

Vereador que disse que iria tornar cidade "mais hétera" é punido pela Câmara
Reprodução

COMENTÁRIOS HOMOFÓBICOS DISFARÇADOS DE BRINCADEIRA

Segundo o TCC “A discriminação homofóbica por meio do humor: naturalização e manutenção da heteronormatividade no contexto organizacional”, as piadas homofóbicas disfarçadas de “humor” ou uma simples brincadeira estão diretamente relacionadas aos valores heteronormativos de uma sociedade.

Isso significa que quanto mais “heteronormativo”, ou seja, quanto mais masculino o homem for (dentro do que a sociedade ensina o que é ser masculino) e quanto mais feminina a mulher for, mais privilegiada a pessoa será e mais “normal” ela será considerada na sociedade.

Caso a pessoa saia deste estereótipo, ela será vista com “maus olhos”, surgindo daí a chacota, que no início pode ser visto como uma simples “brincadeira inocente”, mas que acaba sendo o “berço” para comportamentos homofóbicos mais graves, como a violência física e verbal.

O estudo conclui que os homens heterossexuais com crenças precárias utilizam do humor homofóbico como forma de autoafirmação de sua masculinidade, com piadas também sexistas e, em muitos casos, tendo diversos comportamentos que necessitam reforçar sua virilidade, vindo daí frases comuns como “homem não chora” ou “homem que é homem aguenta firme tudo”, ou piadas relacionadas ao “papel da mulher” na sociedade. Em casos mais graves, há homens que deixam de se higienizar adequadamente para reforçarem sua identidade masculina, levando a casos de amputação peniana por simples falta de higiene.

A “brincadeira inocente”, que é homofóbica, deixa de ser engraçada quando a pessoa entende que o fato do homem “ser viril” ou da mulher “ser feminina” não deveria ser motivo de valorização. O respeito começa com a aceitação das pessoas do jeito que elas são.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"