Sesc 24 de Maio mostra a importância da informação contra LGBTfobia

A informação que fortalece o ponto de partida contra o preconceito é tema de atividades realizadas no Sesc 24 de Maio em junho

O Sesc 24 de Maio vem trazendo, nos últimos meses, atividades variadas voltadas com a temática LGBTQIA, com o diálogo aberto para a troca de experiências e vivências. Em junho, os encontros abordam o tema de violência e proteção, além de falar da base filosófica que envolve toda a estrutura comunicativa atual da juventude.

No dia 10/07, a programação começa com um bate-papo sobre Lesbocídio, seguindo com uma oficina, O Que as Pessoas LGBTQIA Podem Aprender com a Filosofia Pós-estruturalista, que tem início no dia 27/06 e segue até dia 07/8. Já no dia 25/7, será abordado o tema sobre Cybersegurança para Pessoas LGBTQIA. As atividades encerramno dia 31/7 com a exibição do documentário EU SOU A PRÓXIMA.

Dossiê Lesbocídio: Quais os dados que desconhecemos?
Dossiê Lesbocídio: Quais os dados que desconhecemos? Foto: divulgação

Dossiê Lesbocídio: Quais os dados que desconhecemos?

Existem poucos dados sobre lesbocídio e outros tipos de violência contra a mulher lésbica, como o estupro corretivo. Estudos sobre feminicídio, por exemplo, muitas vezes não levam em conta a orientação sexual da vítima, mesmo que, em muitos casos, seja esse fator a principal causa do crime. Jogar luz sobre essas questões é uma forma de tirá-las da invisibilidade.

No bate-papo, convidamos Suane Felippe Soares, pesquisadora do projeto Lesbocídio, e Fernanda Gomes de Almeida, integrante da Coletiva Luana Barbosa, para discutirem conosco essas e outras questões sobre a vivência de mulheres lésbicas e bissexuais.

Suane Soares, uma das mediadoras do bate-papo é professora substituta de bioética do NUBEA/UFRJ. Pós-doutora pelo PPGF/UFRJ. Doutora e mestra em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva. Especialista em Gênero e sexualidade EGES-IMS/UERJ. Licenciada e bacharel em História/UFF. Coordenadora do JUDIPP-NUBEA/UFRJ e co-coordenadora do Nós: dissidências feministas que publicou em coautoria com Milena Peres e Maria Clara Dias o Dossiê sobre lesbocídio no Brasil: de 2014 até 2017.

Fernanda Gomes, também mediadora da atividade, é assistente social, trabalhadora do NPJ (Núcleo de proteção Jurídico social e apoio psicológico). Faz parte da Coletiva Luana Barbosa, Coletiva Brejo da Sul, Samba Negras em Marcha e Siga Bem Caminhoneira. É uma das produtoras do documentário “Eu sou a Próxima” que trata da discussão sobre o assassinato e apagamento de mulheres lésbicas negras. Trabalha na pesquisa “Luana Barbosa dos Reis: Morte, invisibilidade e a resposta do estado e Movimentos Sociais sobre o racismo e o Lesbocídio”.

 Que as Pessoas LGBTQIA Podem Aprender com a Filosofia Pós-estruturalista.
Que as Pessoas LGBTQIA Podem Aprender com a Filosofia Pós-estruturalista. Foto: divulgação

Problematização, Devires e Desconstrução – O Que as Pessoas LGBTQIA Podem Aprender com a Filosofia Pós-estruturalista. 

Experimentação, narrativa, diferença, devir, problematização, inversão, desconstrução, performatividade, texto, discursividade, poder, escrita, afeto, são palavras que atualmente estão muito presentes na linguagem da juventude em geral, mas sobretudo na juventude LGBTQIA, circulando fortemente em memes, nos “textões” do facebook, em twits na internet e no cotidiano como um todo. Entretanto, o que, às vezes, não se sabe, é que esses termos são conceitos importantes do pensamento de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Jacques Derrida, grandes nomes do que ficou conhecido como pensamento pós-estruturalista. Assim, essa oficina pretende agudizar esse processo em curso, retomando os principais conceitos, reintroduzindo-os no contexto da obra dos autores e aprofundando os seus fundamentos e suas possibilidades, de modo a facilitar o seu uso por parte desses grupos.

Abigail Campos Leal, convidada para ministrar a oficina, é mestre em filosofia pela UFRJ, além de poeta e uma das organizadoras do Slam Marginália, uma batalha de poesia para pessoas trans, não-binárias e gênero dissidentes. Ativista literária, traduz, escreve e edita textos em formato de fanzine. É também uma corpa gorda, não-branca, transfeminina, que gosta de dançar, de andar de bike e de comida vegetariana.

Introdução à Cybersegurança para Pessoas LGBTQIA
Introdução à Cybersegurança para Pessoas LGBTQIA. Foto: divulgação

Introdução à Cybersegurança para Pessoas LGBTQIA’S. 

Nos últimos anos, temos visto um crescimento de casos que envolvem problemas relativos à segurança digital. Como ela está voltada para a segurança de empresas, ainda não temos uma solução concreta aos usuários comuns, deixando-os desamparados; sobretudo a população LGBTQIA.

Os ataques digitais envolvem roubo de credenciais e senhas, dados pessoais e sensíveis, fotos, dados bancários, processamento de computadores etc. Esses ataques têm como objetivo, coagir, extorquir, perseguir, difamar, roubar etc. – o que acaba por deixar as vítimas desses ataques em estado de depressão, ansiedade, inércia, neuroses, levando-as também à falência e, em última instância, ao suicídio e morte.

Nesse sentido, a oficina pretende criar estratégias para que a comunidade LGBTQIA se arme de conhecimento para se proteger de cyberataques. Estratégias tais quais: conscientização em segurança da informação, como proteger seu dispositivo móvel, como identificar golpes, como utilizar uma rede wifi de forma segura, como criar senhas fortes, o que fazer em casos de extorsão e difamação, direito digital e produção de dados.

Com Céu Marie: coordenador de segurança da informação, hackativista, transmaculino

SESC 24 DE MAIO E A IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO NO COMBATE À LGBTQIAFOBIA
A informação que fortalece o ponto de partida contra o preconceito é tema de atividades realizadas no Sesc 24 de Maio em junho

Documentário: Eu sou a Próxima

O Documentário “Eu Sou a Próxima” tem como objetivo denunciar e informar as carências que a comunidade lésbica tem de respaldo do estado. Contém relatos de agressões e mortes de Mulheres Lésbicas, principalmente Negras. Dentre eles, o caso de Luana Barbosa ao qual se dá o nome da Coletiva, Luana foi morta em 2016 agredida por policiais militares, cujo o caso foi arquivado pelo Ministério Público Militar. E posteriormente desarquivado por um pedido do Promotor de Justiça Estadual.

A sessão é seguida de bate-papo com integrantes da Coletiva Luana Barbosa, Alessandra Noronha e Márcia Fabiana.

A Coletiva Luana Barbosa nasceu a partir de um Grupo de Trabalho (GT das Pretas) da Caminhada de mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo em 2016. Com o brutal assassinato de Luana Barbosa dos Reis – Mulher negra, lésbica, periférica, mãe e não feminilizada agredida violentamente pela PM – em Ribeirão Preto – SP decidimos nos unir em um coletivo para desenvolver ações voltadas à essa parcela da população que sofre com a invisibilidade constante dentro dos meios de comunicação, nos aparatos do Estado e até mesmo dentro dos movimentos sociais.

SERVIÇO:

Bate-papo – Dossiê Lesbocídio: Quais os dados que desconhecemos?
Com Suane Soares e Fernada Gomes

Dia 10 de julho, quarta, às 19h

Local:
 Sala do Curumim  – 9º andar
Duração:
 2h

Classificação indicativa: 
livre
Grátis.


Oficina – Introdução à Cybersegurança para pessoas LGBTQIA’S
Com : Céu Marie
Dia: 25 de julho, quinta, às 18h 
Local: Sala 3 Oficinas  – 6º andar
Duração: 3h
Classificação indicativa: 12 anos

Grátis. Entrega de senhas no local com 30 minutos de antecedência.
Vagas limitadas. 
Exibição – Documentário: Eu Sou a Próxima (Dir.: Coletiva Luana Barbosa. BRA, 2017, 30’). Imagens e edição: Taynara Bruni
Dia: 31 de julho, quarta,às 19h 
Local: Sala 3 Oficinas – 6º andar
Duração: 1h30
Classificação indicativa: livre
Grátis. Entrega de senhas no local com 30 minutos de antecedência. 
Após a exibição do documentário haverá um bate-papo – Com Alessandra Noronha e Marcia Fabiana


SESC 24 DE MAIO
Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo
Fone: (11) 3350-6300
Horário de funcionamento da unidade
Terça a sábado, das 9h às 21h.
Domingos e feriados, das 9h às 18h. 

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