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Músico violoncelista, artista de rua e professor do “Projeto Guri”, Abner Tofanelli (PDT) disputa uma vaga como deputado federal por São Paulo. Bissexual, ele tem 23 anos, é morador de São José do Rio Preto (SP) e é um dos candidatos entrevistados pelo Gay Blog BR no especial “Eleições 2022”.

Abner Tofanelli, candidato a deputado federal pelo PDT de SP (Foto: Reprodução/ Instagram)

Em 2020, foi o 10º candidato a vereador mais votado de São José do Rio Preto, com 3.467 votos, no entanto, não foi eleito. De acordo com o jovem, ele é autor da Lei que regulamenta a arte de rua em sua cidade e do PL que cria o ENEM seriado.

Entendo que precisamos muito de jovens, artistas e LGBTs na política, para além da representatividade também termos políticas públicas para essa população. A eleição desse ano é fundamental para elegermos a maior bancada progressista e fazer frente ao conservadorismo do ódio que incentiva a discriminação e nos persegue”, pontua Tofanelli.

Entre suas principais propostas estão as bandeiras da juventude, cultura, educação, diversidade, sustentabilidade e inovação na política. O jovem também defende a criação de delegacias especializadas no combate à discriminação e de políticas públicas de acolhimento, capacitação e geração emprego para LGBTQIA+.

Abner Tofanelli, candidato a deputado federal pelo PDT de SP (Foto: Reprodução/ Instagram)

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional? 

Abner Tofanelli: Sou fruto da escola pública, tive a oportunidade de ser deputado federal jovem em 2015 no Parlamento Jovem Brasileiro e hoje sou bolsista em Gestão Pública pela Universidade Metodista de São Paulo. Comecei aprendendo a música no ‘Projeto Guri’ e hoje sou professor, iniciei a minha carreira como músico tocando em orquestras e me tornei artista de rua, atividade que conquistou meu coração.

GB: O que motivou a se candidatar?

Abner: Como artista de rua e ativista social sempre tive um contato muito próximo com a população e sempre tentei retribuir todo carinho que recebi, o que me levou a ser o 10º candidato a vereador mais votado da cidade em 2020, com 3.467 votos. Entendo que precisamos muito de jovens, artistas e LGBTs na política, para além da representatividade também termos políticas públicas para essa população. A eleição desse ano é fundamental para elegermos a maior bancada progressista e fazer frente ao conservadorismo do ódio que incentiva a discriminação e nos persegue!

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser um candidato abertamente LGBTQ+?

Abner: O preconceito é latente, principalmente no interior do estado onde há uma cultura política conservadora. Furar a bolha e abordar alguns temas como de direitos humanos muitas das vezes podem ser incompreendidos por parte da população, precisamos ter didática, coragem e paciência para dialogar com os preconceituosos. 

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBT+?

Abner: Minhas principais bandeiras são juventude, cultura, educação, diversidade, sustentabilidade e inovação na política. Luto para que nossos jovens possam ter acesso ao ensino de música nas escolas, educação financeira, política e sexual. Sou autor da Lei que regulamentou a arte de rua em São José do Rio Preto e como deputado jovem criei o PL do Exame Nacional do Ensino Médio Seriado, na qual o aluno pode fazer 1 prova do Enem a cada ano do EM e depois ter uma média das 3 provas. Sobre a comunidade LGBT, além da representatividade defendo a criação de delegacias especializadas no combate à discriminação, políticas públicas de acolhimento, capacitação e geração emprego numa parceria público-privada com ONGs que já realizam esse trabalho. Também defendo a criação da Secretaria Nacional de Combate à LGBTfobia, para que haja uma articulação política nacional no combate à discriminação e o preconceito. 

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Abner: Precisamos de vontade política para criar mais delegacias especializadas no combate à discriminação por todo o Estado de São Paulo e lutar no Congresso para aprovar leis mais duras contra crimes de ódio. Além de lutar para que a população LGBT+ e principalmente as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade tenham acesso à educação e oportunidade de emprego. 

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Abner: Políticas de prevenção são sempre bem-vindas! Eu sou um adepto do tratamento preventivo com antirretrovirais, utilizo a PrEP e acredito que é uma política super importante e necessária. Precisamos aproveitar as armas que a ciência nos dá para combater a disseminação do vírus do HIV e demais ISTs. Também defendo maior conscientização sobre o uso do preservativo e a liberação da vacina do HPV para todos os adultos via SUS, além da ampliação dos centros de testagem e aconselhamento por todo o estado, principalmente em cidades do interior.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Abner: Bolsonaro é o profeta da ignorância. É um governo do atraso. Tivemos retrocesso em todos os setores sociais, econômicos, de transparência e combate à corrupção, como a extinção do COAF e os sigilos de 100 anos. Tivemos uma péssima condução da pandemia, além de termos perdido nosso prestígio internacional. O Brasil não aguenta por mais quatro anos!

GB: Qual a importância dos trabalhadores da cultura disputarem cargo público?

Abner: A cultura brasileira nos últimos anos tem sido desestruturada de diversas formas, primeiro com a extinção do Ministério da Cultura e a nomeação de pessoas incompetentes para estar a frente dessa pasta tão importante, além de acabarem com programas de incentivo. De acordo com a Fundação Getulio Vargas, a cada R$ 1 real investidos na cultura, há um retorno de R$ 13 reais aos cofres públicos. Eu sou a prova viva do poder transformador da música, a primeira vez que toquei num violoncelo foi no pólo do Projeto Guri e tive a minha vida totalmente transformada por esse projeto sociocultural que já ensinou música de graça para mais de 1 milhão de jovens paulistas. Hoje, como artista de rua e professor do Guri, tenho plena convicção que essa sensibilidade cultural no Congresso aliada a uma bancada de artistas e defensores da cultura é essencial para retomarmos o Ministério da Cultura e ampliarmos seu investimento.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)